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Número de vítimas da malária é cada vez menor

Manuel Fontoura| Ndalatando

As autoridades sanitárias da província do Kwanza-Norte colocaram à disposição da população, na terça-feira, mais de 250 testes de diagnóstico rápido da malária, durante uma mini-feira que se realizou na Largo Dr. António Agostinho Neto.

As autoridades sanitárias da província do Kwanza-Norte colocaram à disposição da população, na terça-feira, mais de 250 testes de diagnóstico rápido da malária, durante uma mini-feira que se realizou na Largo Dr. António Agostinho Neto.
Enquadrada no programa dos países da África Austral, denominado “Fazer recuar a malária”, na feira foram disponibilizados um total de 1.500 mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração. Este programa, que já dura há cerca de cinco anos, em Abuja, Nigéria, vai ser extensivo a todos os municípios da província do Kwanza-Norte.
A direcção provincial da Saúde aproveitou a mini-feira para também realizar testes rápidos de VIH/Sida e para distribuir centenas de preservativos, tendo, para isso, deslocado para o local uma clínica móvel.
O supervisor provincial da malária, Gonçalo João Tandala, disse que o número de vítimas da doença continua a baixar na província, apontando o município de Cazengo como a localidade que lidera a lista de casos.
De Janeiro a Outubro último, foram registados 113.490 casos de paludismo, dos quais 274 resultaram em óbito, disse o responsável para quem a doença continua a ser a principal pandemia na região e a maior causa de morte.
O município de Cazengo registou 2.707 casos e 144 mortos, seguindo-se Cambambe, com 836 e 55 falecimentos e Ngonguembo, com 22 mortos em 577 casos registados.
A localidade de Lucala, dizia Gonçalo Tandala, registou 13 mortes num total de 525 casos, enquanto Kikulungo averbou 11 óbitos em 138 indivíduos. A região de Samba-Cajú viu oito pessoas morrerem em 638 assistidos, o mesmo número de mortes registadas em Bolongongo, localidade que assistiu 171 pacientes.
No Golungo-Alto e no Banga registaram-se cinco mortos em cada um deles em 560 e 270 casos confirmados, respectivamente. No município de Ambaca registaram-se 287 pacientes confirmados, com três mortes.
Comparativamente aos anos anteriores, o responsável disse que, em 2009, se registaram na província 405 mortes num universo de 112.989 pessoas doentes, quando em 2008, morreram 809 pessoas, em 130.865 pacientes que acorreram às unidades sanitárias do Kwanza-Norte.

 Acções de prevenção e combate

Desde 2007 até ao presente ano, as autoridades já distribuíram 98.174 mosquiteiros tratados com insecticidas de longa duração, em todos os municípios da província.
O material de prevenção, de acordo com o supervisor Gonçalo Tandala, foi entregue a 28.948 mulheres grávidas e a 69.226 crianças menores de cinco anos, que são, por sinal, as principais vítimas da malária.
Em relação à prevenção da mulher grávida, através do Tratamento Intermitente Preventivo (TIP), foram diagnosticados mais de 52.917 casos.
As estatísticas da direcção da Saúde no Kwanza-Norte, que consideram a doença como a patologia com mais casos a nível da província, apontam para o registo de mais de cem mil casos clínicos anualmente.
Com o objectivo de inverter o quadro, além da implementação do projecto do Fundo Global, desde Outubro de 2006, várias acções foram realizadas na promoção da saúde, através de informação, educação e comunicação (IEC), mobilização social e distribuição de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração.
Graças a estas medidas, segundo Gonçalo Tandala, já se nota alguma mudança de comportamento por parte das populações quanto à malária, registando-se uma redução do contacto homem-vector, através do uso de mosquiteiros impregnados, assim como há um maior grau de prevenção da mulher grávida através do TIP e do manejo de casos nas unidades sanitárias da província.O projecto do Fundo Global permitiu igualmente a expansão do uso do fármaco coartem nas unidades sanitárias, o que resultou em rápidas melhorias dos casos simples de malária. Para o responsável, dada a alta eficácia terapêutica, o coartem contribuiu em grande medida para a redução das complicações e a consequente diminuição de casos graves nos hospitais.
O supervisor provincial do Programa de Controlo da Malária disse ainda que o plano estratégico nacional de combate à enfermidade na província continua a levar a cabo acções de formação de técnicos de saúde para o manuseamento de casos, quer sejam graves, quer simples, do TIP e diagnóstico laboratorial.
A medida visa igualmente combater o vector da doença, o mosquito, promover a saúde, através de informação, educação e comunicação. Nestas campanhas, segundo o responsável, tem-se pedido à população para que tão logo surjam os primeiros sindromas febris da doença, seja imediatamente procurado o serviço de saúde mais próximo. A supervisão, monitorização e avaliação das actividades, bem como a distribuição da combinação com base em artemisininas (coartem) e de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração, fazem igualmente parte das actividades.
Recentemente, a área de promoção da saúde da direcção provincial organizou uma acção de formação para 366 mobilizadores, no sentido da mudança de comportamento, atitude, prática, medo e crença da doença e explicar qual o uso correcto dos mosquiteiros.

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