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Obras paralisadas travam progresso

Marcelo Manuel| Samba-Cajú

A paralisação das obras de reabilitação do troço da Estrada Nacional 230, que liga os municípios de Lucala, Samba-Cajú e Ambaca, no Kwanza-Norte, com uma extensão de 156 quilómetros, preocupa os deputados do círculo provincial e a sociedade civil.

Lojas e pequenos centros comerciais de Samba-Cajú estão a ser reconstruídos e as casas pintadas pelos proprietários
Fotografia: Marcelo Manuel

A paralisação das obras de reabilitação do troço da Estrada Nacional 230, que liga os municípios de Lucala, Samba-Cajú e Ambaca, no Kwanza-Norte, com uma extensão de 156 quilómetros, preocupa os deputados do círculo provincial e a sociedade civil.
Os deputados do círculo provincial do Kwanza-Norte à Assembleia Nacional confirmaram, ao Jornal de Angola, que o estado avançado de degradação do troço da Estrada Nacional 230, que liga os municípios de Lucala, Samba-Cajú e Ambaca prejudica o intercâmbio comercial e a circulação de pessoas e viaturas, principalmente em tempos de chuva.
Esta situação, frisaram, é uma das causas do atraso no desenvolvimento dos municípios localizados no norte da província.
O fiscal da obra, Eliomar Gotarde, da empresa de engenharia e consultoria BDM, disse à nossa reportagem que a crise financeira mundial e as fortes chuvas que caem sobre a região são, desde o final do ano passado, os principais culpados da paralisação das obras.
As obras, orçadas em 80 milhões de kwanzas, começaram há seis anos, com várias paralisações pelo meio. Eliomar Gotarde garantiu, ao nosso jornal, que o troço vai ser integralmente reabilitado até 2012.
Os deputados visitaram as obras da subestação eléctrica do Pambo de Sonhy, o sistema de abastecimento de água ao sector do Mussabo e à sede municipal, a administração municipal, um centro de saúde e uma escola com duas salas, em Samba-Lucala.
O administrador municipal de Samba- Cajú, Ferreira Pinto, confirmou que se regista uma grande morosidade em algumas obras devido a dificuldades de pagamento às empreiteiras, adiantando que dos 375 milhões de kwanzas previstos para 2009, a Administração Municipal recebeu apenas 60 milhões.

Obras promissoras  

O coordenador do círculo de deputados do Kwanza-Norte considerou promissoras as várias obras em curso na região, prometendo que as preocupações relacionadas com os atrasos vão ser transmitidas às entidades competentes da província e do país, no sentido de se ultrapassar a situação. Daniel António mostrou-se entusiasmado com a boa vontade da Administração Municipal de Samba-Cajú e com a extensão da energia eléctrica, o que, salientou, “vai catapultar a região para o desenvolvimento socioeconómico integrado”.
A construção de escolas e de centros de abastecimento de água, referiu, “vai permitir melhorar a qualidade de vida da população” e fazer com que a região “caminhe para o desenvolvimento, de forma a cimentar o bem-estar, a harmonia e a união nacional”.
Grande parte das lojas, cantinas e pequenos centros comerciais de Samba- Cajú estão a ser reconstruídos e as casas pintadas pelos proprietários, conferindo uma imagem mais atractiva à vila, cujas principais ruas têm nova pavimentação. 

Saúde e educação

O administrador municipal disse, ao Jornal de Angola, que, durante o ano passado, a Direcção Provincial de Assistência e Reinserção Social abasteceu, com chapas de zinco, as famílias sinistradas da aldeia de Pereira, em Samba-Lucala. Um incêndio de grandes proporções devastou as casas e a maioria dos haveres da população local.
A Administração Municipal de Samba-Cajú controla 192 antigos combatentes e veteranos da pátria. Destes, 122 estão em estado físico normal, 11 são deficientes físicos, 23 órfãos de antigos combatentes, 25 ascendentes de antigos combatentes e uma viúva.
A assistência médica e medicamentosa aos munícipes é feita por um único médico de clínica geral, sete técnicos médios de enfermagem, 16 técnicos básicos, dois técnicos de laboratório e um de estomatologia.
O centro médico municipal tem capacidade de internamento para 24 pacientes. Existem no município 25 parteiras tradicionais. 
As doenças que mais afectam a população são a malária, diarreicas e respiratórias agudas, parasitoses intestinais, tuberculose e a do sono. Há necessidade de mais postos de saúde nas comunidades de Ngambo, Muloco, Songo, Tabi e no sector de Pambos de Sonhy. Nestas localidades, a medicação é dada em casa do soba. Os postos de saúde de Samba-Lucala e Kilemba estão a ser reabilitados.
As poucas ambulâncias existentes estão inoperantes. O transporte de doentes em estado mais grave é da responsabilidade das famílias. O sector da saúde no município tem falta de verbas, o que impossibilita a compra de material gastável, analgésicos, soro e até alimentação.
O centro de saúde municipal funciona sem energia eléctrica. Os partos no centro, quando acontecem à noite, são feitos à luz de candeeiros.
O sector municipal da educação controla 63 escolas, 16 delas de construção definitiva, mas em avançado estado de degradação. 
O sector tem 2067 funcionários, 237 dos quais são professores. No presente ano lectivo estão matriculados no município 5.146 alunos. São necessários mais 35 professores para o ensino primário.
Cerca de 15 escolas necessitam de reabilitação profunda, havendo um défice de 47 estabelecimentos. Faltam também casas para professores, transportes para viabilizar o processo de inspecção nas comunidades mais distantes, material escolar e informático e cerca de seis mil carteiras.
O município tem um centro de formação de artes e ofícios, que ministra cursos de serralharia, corte e costura, informática e carpintaria. 

Agricultura

O administrador disse que a agricultura é praticada por 6.391 famílias, das quais 3.400 estão enquadradas no Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), que começou na região em 2008. O processo permitiu criar 51 associações de camponeses, 40 na sede municipal e onze em Samba-Lucala.
Ferreira Pinto afirmou, ao Jornal de Angola, que as famílias camponesas têm recebido sementes de forma regular. O objectivo das autoridades é concretizarem o processo de reorganização agrária nas comunidades, através da criação de cooperativas.
No município estão em pleno funcionamento 12 fazendas agro-pecuárias, a maioria criadora de gado bovino. 
O município de Samba-Cajú, com 30.631 habitantes espalhados por cem aldeias e quatro sectores residenciais, dispõe de rede de telefonia fixa Inatel e móvel Unitel.
O sinal da Rádio Nacional de Angola e as imagens de ambos os canais da Televisão Pública de Angola  chegam ao território do município sem grandes constrangimentos.  
A denominação Samba-Cajú tem origem na localização geográfica: o município fica entre o rio Samba e o rio Cajú. Auxiliam a administração, 138 entidades tradicionais, entre regedores, sobas, sobetas e ajudantes dos sobas.

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