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Pacientes têm tratamento mais próximo de casa

Manuel Fontoura | Ndalatando

A abertura há mais de um ano do centro de fisioterapia de Ndalatando está a facilitar a vida aos pacientes com traumas relacionados com acidentes de viação e de trabalho, entre outros, anunciou o fisioterapeuta Edmar de Jesus Paulo.

Os traumas relacionados com aos acidentes de viação e de trabalho estão a ser bem tratados no centro de fisioterapia da cidade de Ndalatando
Fotografia: Nilo Mateus | Ndalatando

De acordo com o responsável do centro, o recinto tem sido de grande importância para a comunidade da província do Cuanza Norte, uma vez que é o único vocacionado para o efeito na região. Os pacientes que recorrem ao centro procuram o melhor tratamento de fisioterapia e, com a participação dos técnicos, muitos já se encontram recuperados, enquanto outros caminham para tal.
Edmar Paulo referiu que os pacientes que mais procuram o centro são aqueles que têm problemas neurológicos ou pacientes que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC), ou até mesmo de aviação, este último muito comum na província.
O centro funciona de manhã e à tarde, e atende, em média, cerca de 70 pacientes por dia. Segundo Edmar Paulo, apesar da falta de alguns meios, as condições actuais são favoráveis, com a ajuda de aparelhos eléctricos e mecânicos que têm permitido a recuperação dos pacientes. Entre estes aparelhos, destacou a corrente de fez, que serve para o aquecimento muscular, o TNS, destinado à transmissão da corrente analgésica, e o infra-vermelho, que é um aparelho que produz calor, provocando efeito terapêutico.
O paciente que procura o centro pela primeira vez, depois da consulta, é informado dos dias em que ali deve deslocar-se para o tratamento, o que costuma ser duas vezes por semana.
“Nós recebemos alguns casos simples e outros graves. Os casos graves têm a ver com os doentes que sofrem de alguma paraplegia, ou que ficaram com os membros inferiores paralisados na sequência de um acidente de viação, ou até mesmo pessoas que sofreram um AVC. Os mais simples são de pacientes que sofrem de paralisia, como é o caso das crianças ou a­dultos que, devido a uma situação qualquer, deixam de se sentar ou manter-se de pé”, explicou. Os casos considerados mais complicados são encaminhados para um especialista, como ortopedista ou neurologista, havendo alguns que aparecem no centro sem antes serem submetidos a uma avaliação de um especialista.
Para o fisioterapeuta, grande parte dos cidadãos já tem conhecimento da existência do centro, pelo que todos os dias são recebidos cerca de quatro doentes novos. “Temos de continuar a divulgar os nossos serviços, porque há algumas pessoas que ainda não têm conhecimento e por isso ainda recorrem a outras províncias em busca de tratamento, já disponível na nossa província”.

Satisfação dos pacientes

O centro de fisioterapia, localizado numa das salas da Escola Técnica de Saúde de Ndalatando, está quase sempre a abarrotar de pessoas. Umas vão à procura de tratamento, outras são acompanhantes e ainda aparecem alguns apenas para obter uma informação sobre o seu modo de funcionamento.
As pessoas começam a acorrer àquela unidade às primeiras horas da manhã. Quem chega às 9h00 encontra na fila dezenas de pessoas, umas a serem consultadas pela primeira vez e outras já habituadas à rotina, durante vários meses.
Adriano Gomes sai do centro satisfeito, porque tem sido bem atendido e consegue fazer a consulta de revisão que desejava. A satisfação resulta do facto de não encontrar impedimento sempre que pretende exercitar os seus movimentos, perdidos há alguns anos.
Adriano Gomes tem 42 anos e teve um acidente vascular cerebral hemorrágico, em 2012. Desde então, luta por recuperar parte da movimento do lado esquerdo do corpo. Conta que no início da doença foi transferido para o hospital militar em Luanda, onde começou as primeiras avaliações, com um TAC e exercícios de fisioterapia.
Para ele, a abertura do centro de fisioterapia em Ndalatando permite resolver o seu problema mais depressa, por estar próximo de casa e não haver burocracias no atendimento.
Felícia Diogo Caetano, de 21 anos, sofreu um acidente de viação há seis meses que lhe afectou a medula espinal e a deixou paraplégica. Desde então, Felícia e os pais eram obrigados a deslocarem-se constantemente a Luanda, onde era consultada. Mas há mais de um mês que começou o tratamento no centro de Ndalatando e tudo se tornou mais fácil para toda a família. “Os gastos que fazíamos de Ndalatando a Luanda já não acontecem e já não dá tanta maçada”, disse.
A jovem, que sonha voltar a andar sem ajuda, disse que desde que começou o trabalho de fisioterapia no centro de Ndalatando sente melhorias significativas no corpo, pelo que actualmente já é possível manter-se sentada, o que não acontecia há duas semanas, em que só era possível permanecer deitada.

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