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Pecuária já regista melhorias na organização

MANUEL FONTOURA | Ndalatando

A falta de organização por parte dos criadores de gado a nível da província do Kwanza-Norte, com maior incidência nas regiões de Nhange-ya-pepe (município de Cambambe) e Planalto de Camabatela (Ambaca), tem provocado um fraco crescimento da actividade pecuária na região.

A pecuária é uma actividade que tem vindo a desenvolver-se todos os dias na província, rondando os cerca de dez mil efectivos de bovino
Fotografia: Santos Pedro

Segundo o director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, Fernando Humberto Mesquita, o motivo do fraco desenvolvimento da actividade pecuária deriva, igualmente, da carência de parques, tanques banheiros e local para a vacinação. Para inverter o quadro, o governo da província publicou recentemente um regulamento das explorações pecuárias, com os requisitos necessários para o cumprimento escrupuloso da actividade, com destaque para os deveres e obrigações dos criadores e dos serviços veterinários. “Pensamos que, a partir daqui, podemos ter dados mais concretos sobre o efectivo e sobre a real situação zoo-sanitária da província”. Enquanto isso, o responsável acredita que os trabalhos continuarão a desenvolver-se de forma quase empírica, porque os dados que a instituição controla não são totalmente fiáveis, frisou.
Fernando Mesquita referiu que o Planalto de Camabatela foi dividido em várias etapas, desde o levantamento, caracterização da região, estudo sociológico que congrega a comunidade, com vista a estar por dentro do comportamento e atitudes culturais das populações, seu enquadramento, definições das produções, modelos de exploração da zona, estudos económicos e formas de captar os recursos financeiros para a sua materialização.
Embora de forma lenta, a pecuária é uma actividade que tem vindo a desenvolver-se todos os dias na província, rondando os cerca de dez mil efectivos de bovino. Os municípios de Cambambe e Ambaca são os que registaram mais progressos em relação ao crescimento. A província controla, além das cerca de 50 mil cabeças de caprino espalhadas em diversas comunidades, o gado ovino e galináceos, estes em pequena escala.  Fernando Mesquita adiantou que está em curso um projecto de criação de aves no município do Lucala, onde serão montadas 120 naves para a criação de frangos, produção de ovos, construção de uma fábrica de ração e um matadouro industrial de aves, orçado em cerca de 42 milhões de dólares.

Preocupação das autoridades

A falta de condições higieno-sanitárias no matadouro de Ndalatando, localizado na área da União, arredores do bairro Popular, está a preocupar as autoridades da província do Kwanza-Norte.
De acordo com Fernando Mesquita, os bois são mortos naquele local sem as mínimas condições de segurança higiénica. As circunstâncias do local não são das piores, explicou, mas são preocupantes, pelo que exigem inspecções regulares de acompanhamento do gado abatido no local, particularmente em matéria de veterinária. “Apesar de a pessoa que explora o local fazer algum trabalho de limpeza, desinfectando com lixívia e creolina, ainda assim não atinge os padrões de segurança exigidos”, salientou.
A maior preocupação prende-se com o facto do matadouro se encontrar nos arredores da cidade e com um grau considerável de destruição. “De acordo com a lei sanitária, quando não houver matadouro numa determinada região, dever-se-á criar uma área a que chamamos ‘local de matança’, devidamente organizada e limpa, a partir dos padrões e regras indicadas pelo órgão de tutela”, disse.
As condições poderão melhorar tão logo se efective o projecto da construção de um matadouro industrial em Camabatela, município de Ambaca, região com potencialidades para a criação de gado. Sem avançar prazos nem custos do projecto, o director da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, disse que a região tem muita água e, brevemente, terá energia eléctrica, pressupostos indispensáveis para o arranque do projecto.

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