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Pescadores do Kwanza-Norte recebem embarcações

Marcelo Manuel | Massangano

Dezenas de pescadores artesanais dos municípios da Banga, Cambambe, Lucala e Samba-Cajú, na província do Kwanza-Norte, beneficiaram, recentemente, de 92 embarcações de pesca oferecidas pelo Ministério das Pescas.

Centenas de barcos foram já distribuídos pelo Governo a associações de pescadores e a pescadores individuais um pouco por todo o país
Fotografia: Adolfo Dumbo

 

Dezenas de pescadores artesanais dos municípios da Banga, Cambambe, Lucala e Samba-Cajú, na província do Kwanza-Norte, beneficiaram, recentemente, de 92 embarcações de pesca oferecidas pelo Ministério das Pescas.
Os barcos foram entregues pela vice-ministra do sector durante uma visita de trabalho à província do Kwanza-Norte, no quadro do programa do Governo de fomento da pesca artesanal, combate à fome e redução da pobreza.
Além de embarcações, Victória de Barros entregou equipamentos de apoio à pesca continental, como bóias, luvas, facas, canivetes, anzóis, redes, caixas térmicas e capas para a protecção dos pescadores neste período de grandes chuvas no interior do país. A vice-ministra manifestou-se satisfeita com o nível de organização dos pescadores, frisando que esse comportamento ajuda o Governo a planificar as acções de auxílio à classe.

Cambambe

O município de Cambambe beneficiou 34 embarcações para um universo de 290 pescadores de Ngolome, comuna de Massangano, 45 quilómetros da vila do Dondo.
Os pescadores da Cooperativa doutor António Agostinho Neto, que exercem a sua actividade na lagoa de Ngolome, disseram-se satisfeitos pelo apoio que têm vindo a receber do Governo.
Os pescadores, numa mensagem lida durante a cerimónia de entrega das 34 embarcações, além de agradecerem a oferta, referiram preocupações, como a falta de transporte e de frigoríficos industriais para a conservação do pescado.
“Se tivéssemos transporte e frigoríficos industriais, o peixe seria vendido fresco e não apenas seco e fumado através de métodos tradicionais”, declarou um pescador.
Um outro problema apresentado pelos pescadores de Ngolome refere-se à gestão da lagoa, onde se “verifica a entrada anárquica de pessoas estranhas à comunidade, provenientes da ribeirinha província do Bengo, mais concretamente da região da Cabala, que violam todas as normas de captura recomendadas pelo Ministério das Pescas”.
A vice-ministra, sem avançar datas, revelou que a “segunda fase do projecto engloba a criação de imóveis para a conservação do pescado” e a cedência de embarcações motorizadas para a fiscalização das áreas de pesca.
O vice-governador provincial do Kwanza-Norte, Manuel de Abreu Pereira da Silva, disse que, a nível do governo local, há planos para a revitalização da antiga picada que liga, por terra, Ngolome a Cassoalala, através da estrada 234, de forma a “permitir um melhor escoamento do pescado aos grandes centros de consumo”.

Lagoa do Ngolome

A lagoa do Ngolome está localizada no extremo sudoeste do município de Cambambe, a 45 quilómetros do Dondo, mais concretamente na comuna de Massangano, tem uma extensão de 14 quilómetros e é referida por vários técnicos do sector das pescas como a maior de Angola e a terceira do continente africano.
É sustentada pelo maior rio de Angola, o Kwanza, por um canal de 15 metros de largura nas partes mais estreitas e 20 nas mais largas. Apenas 10 quilómetros são utilizados para pesca. Os restantes destinam-se ao desenvolvimento e protecção das espécies.
A lagoa tem 93 baixas ou zonas piscatórias, onde se apanha em maior escala o bagre e o cacusso. A época chuvosa é a mais abundante em peixe, sendo os meses de Novembro e de Dezembro os de maior fartura da segunda daquelas espécies.

Actividade rentável

Gaio Ernesto afirmou, ao Jornal de Angola, que a actividade “é, mais ou menos, rentável”. “O que se pesca dá para a nossa sobrevivência, mas é uma vida de muito sacrifício, sofre-se muito, principalmente quando as águas baixam”, disse. Natural do Kwanza-Sul, Gaio Ernesto, agora com 55 anos, veio para as margens do Kwanza devido à guerra.
“A lagoa é a nossa segunda casa, tanto de dia como de noite pescamos nela, com excepção dos fins-de-semana, que aproveitamos para descansar”, declarou.
Juliana Francisco Tomé, beneficiária de uma embarcação, disse que o material que recebeu não só lhe vai garantir o sustento, como o aumento do rendimento. Pescadora artesanal, desde 1983, dedica-se à apanha do cacusso, ajudando, com isso, o marido nas despesas da casa.
Nas semanas boas, frisou, consegue capturar mil peixes, retirando uma parte para o consumo de casa e outra para comercializar em Malanje, o que lhe rende, semanalmente, 30 mil kwanzas.

Saúde e educação

Os habitantes de Ngolome pedem um posto de saúde e mais salas de aulas na região.
Queixam-se que há anos que a localidade está desprovida de postos de saúde e dizem que o sistema de ensino só vai até à terceira classe, o que obriga os pescadores a mandarem os filhos para o Dondo ou para Massangano, para continuarem os estudos. As enfermidades mais comuns são as diarreias e a malária. Dizem que, por falta de transporte, as parturientes e doentes em estado crítico são transportados para a sede municipal em chatas ao preço de mil kwanzas por pessoa.
Direcção Provincial da Agricultura, Pescas e Ambiente do Kwanza-Norte tem registado 584 pescadores associados, que, este ano, capturaram 94 toneladas de pescado.

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