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Pescadores querem proteger o ecossistema

Os pescadores da lagoa do Ngolome, no município de Cambambe, no Kwanza-Norte, estão empenhados em chegar a um consenso quanto aos períodos exactos em que devem pescar e técnicas a usar, para evitar danos ao ecossistema e a redução do pescado.

Pesca por armação tem muitas desvantagem
Fotografia: Dombele Bernardo

Entre as preocupações apresentadas pelos pescadores destaca-se o uso simultâneo das técnicas de pesca muduco e armação, além da necessidade de se definir as épocas de repouso para permitir a reprodução das espécies.
O responsável do departamento provincial de pescas da Direcção Provincial da Agricultura, Patrício Constantino, referiu à Angop que, até ao mês de Agosto, os pescadores da lagoa divergiam quanto à técnica  de pesca a adoptar para o exercício da actividade.
Fruto da negociação, foram adoptadas duas técnicas de pesca de armação, que vão ser praticadas em recintos pouco movimentados por um pequeno grupo de pescadores, maioritariamente, idosos, e a de muduco.
A pesca por armação, explicou, tem  inúmeras desvantagens, pelo facto das redes permanecerem submersas muito tempo, o que facilita o apodrecimento do pescado em pouco tempo, devido à ausência de oxigénio, enquanto o muduco (sistema de lançamento das redes) permite a captura do peixe ainda vivo e assim conservar-se melhor.O Instituto de Investigação Pesqueira vai desenvolver este mês um estudo para determinar o período exacto para a pausa na actividade piscatória, destinada a permitir a desova do cardume, tendo em atenção a necessidade de exploração racional das potencialidades e recursos piscícolas da lagoa, à luz dos investimentos em curso, promovidos pelo Ministério das Pescas, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). />Patrício Constantino explicou que o investimento congrega a construção de plataformas de aproveitamento do peixe de água doce, devendo a região de Massangano acolher a experiência piloto, que vai ser extensiva a outras regiões do país onde se justifiquem acções do género.
O projecto integra ainda a componente de formação dos pescadores na vulgarização das técnicas pós capturas, daí a necessidade de se estabelecerem todos os mecanismos que conformam a boa qualidade da cadeia produtiva da pesca artesanal.
O incremento da referida plataforma já permitiu a formação de 60 pescadores em técnicas modernas, 12 dos quais seleccionados para o processo de extensão dos modos de conservação e higienização nas diferentes lagoas, assim como seis técnicos afectos ao Departamento Provincial das Pescas, da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) de Cambambe e da União das Associações de Camponeses (UNACA). Actualmente, a produção pesqueira no Ngolome obedece a alguns critérios, fundamentalmente   relacionados com o controlo das quantidades capturadas durante uma pescaria, cujas amostras indicam uma produção variável entre os 15 e 84 quilos, informações diárias remetidas ao Ministério das Pescas, um processo complementado pelo acompanhamento a que o recinto piscatório está sujeito.
A lagoa do Ngolome conta com 99 lagos, onde desenvolvem actividade 185 pescadores, distribuídos por cinco comunidades - Cazocola, Quicoma, Saraiva, Muige e Baixa Grande.

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