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Pescadores recebem mais apoio técnico e material

Marcelo Manuel |Ndalatando

O governo do Kwanza-Norte, em parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca Artesanal (INDPA), trabalha no sentido de melhorar a actividade da pesca continental na província, afirmou ao Jornal de Angola o chefe de Departamento de Pescas da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Patrício Constantino.

Nos últimos anos muitas dezenas de embarcações foram distribuídas aos pescadores para poderem aumentar a captura de pescado
Fotografia: Marcelo Manuel |Ndalatando

O governo do Kwanza-Norte, em parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca Artesanal (INDPA), trabalha no sentido de melhorar a actividade da pesca continental na província, afirmou ao Jornal de Angola o chefe de Departamento de Pescas da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Patrício Constantino.
O objectivo da parceria consiste na realização de estudos científicos para a preservação das espécies, o aumento da produção piscatória na província e a melhoria da qualidade de vida dos pescadores.
A província do Kwanza-Norte possui uma imensa bacia hidrográfica, rica em diversas espécies, que, segundo o responsável, obriga à tomada de medidas disciplinares em relação aos diversos tipos de pesca nos rios e lagoas da região, para manter o equilíbrio e preservação do ecossistema, principalmente na região do Baixo Kwanza.
Patrício Constantino revelou que, durante os últimos três anos, o governo e parceiros entregaram mais de 140 embarcações, entre as quais 50 do tipo motorizado, a 53 associações do município de Cambambe, onde o volume de pesca na província é maior.
A par das embarcações foram igualmente entregues redes, anzóis, bóias, redes, caixas térmicas e chumbo, que vão melhorar os níveis de captura. Os meios cedidos permitiram a captura de 228 toneladas durante o primeiro semestre do ano em curso.
Patrício Constantino frisou que as novas embarcações a motor entregues aos pescadores estão a facilitar o escoamento do pescado, das áreas de captura para os mercados de Kassualala, Dondo, Ndalatando, Luanda, Malange e Uíge.
Os novos meios, especialmente as redes, permitem a captura do peixe em estado adulto, ao contrário do que acontece com os instrumentos antigos, que possibilitam o arrasto de espécies em crescimento.  O responsável frisou que o INDPA está a negociar com instituições bancárias da província no sentido de concederem crédito aos pescadores, para adquirirem outros meios indispensáveis ao exercício da profissão, a fim de obterem maior rentabilidade.
Patrício Constantino sublinhou a intenção dos pescadores agruparem-se em cooperativas compostas por 15 a 25 associados, para que os apoios do governo e parceiros cheguem a todos.

Estudos científicos

O Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca Artesanal (INDPA) realizou no mês de Junho passado um estudo científico na lagoa do Ngolome, com o objectivo de diagnosticar a situação da pesca, divulgar a abrangência do crédito de campanha aos pescadores artesanais e aquicultores, e identificar uma área para o centro de apoio integrado à pesca artesanal, no quadro de um projecto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
O projecto visa identificar as espécies de peixe, potencialidades para o cultivo e fomento da piscicultura e conferir condições às fazendas agrícolas para a implantação de programas integrados na piscicultura comunal. As espécies mais representadas são o cacusso, mussolo, bagre e tainha.
O estudo destaca o facto de a pesca ser a principal actividade comercial na região, enquanto a agricultura é a principal actividade de subsistência da população ribeirinha da lagoa do Ngolome.
Os técnicos do INDPA concluíram que as capturas na lagoa são elevadas entre os meses de Maio a Setembro e determinaram que o período de reprodução decorre entre Janeiro e Abril.  Por falta de equipamentos de frio, os pescadores e as mulheres envolvidas na actividade piscatória utilizam os métodos de conservação de salga e seca. A lagoa do Ngolome está localizada na comuna de Massangano. Estende-se por uma área de 170,1 quilómetros quadrados e tem uma profundidade média de 4,5 metros durante a estação seca e 14 durante a época das chuvas.
No passado mês de Setembro, os técnicos do INDPA pesquisaram o corredor do rio Nzenza, entre Quiculungo, Samba-Cajú, Ngonguembo e Golungo-Alto, com o objectivo de avaliar as potencialidades piscatórias.
O chefe do Departamento de Pescas da Direcção Provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Patrício Constantino, fez saber que os primeiros resultados são animadores e possivelmente podem dar garantias de apoio aos pescadores dos referidos municípios, no combate à fome e à pobreza, e pela diversificação da economia na província do Kuanza-Norte.

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