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Pescadores reconhecem potencialidades da região

Manuel Fontoura | Cambambe

Pescadores agrupados em cooperativas dos municípios de Cambambe, Samba-Cajú, Lucala e Cazengo, assim como individuais, prometeram quinta-feira, no município de Cambambe, representar condignamente a província do Cuanza Norte na Feira Internacional das Pescas e da Agricultura,

Pescadores agrupados em cooperativas em municípios do Cuanza Norte traçaram estratégias para aumentar as capturas
Fotografia: Nilo Mateus

a decorrer entre os dias 27 e 30 de Novembro próximo, nas instalações da Filda,na cidade de Luanda.
Os pescadores que participaram no primeiro encontro provincial das pescas, que serviu de antecâmara para a realização da Feira, foram unânimes em afirmar que a província do Cuanza Norte tem potencial em recursos piscatórios e que vai ter uma boa representação no certame.
Os objectivos da Feira, de acordo com Manuel Fernandes, um dos participantes, é garantir acesso aos recursos biológicos aquáticos, promover a introdução de novas técnicas e tecnologias adaptáveis ao processo produtivo pesqueiro, fortalecer o sistema de investigação científica e de gestão das pescas e fortalecer o sistema de controlo e fiscalização das actividades de pesca e aquicultura.
Outros objectivos da Feira são a melhoria da manutenção e reparação naval, organizar um sistema de apoio às cooperativas, aumentar a rede de frio, relançar a indústria de conservação, aumentar a produção de peixe salgado, seco e de meia cura, organizar a rede de comercialização do pescado e aumentar a produção do sal. A Feira também se debruça sobre o fomento da actividade da aquicultura comunal, promoção do surgimento de iniciativas empresariais, produção em larga escala de camarão, principalmente para exportação, e formação técnica, científica e especializada de quadros e gestores de nível básico, médio e superior, em todo o país.

Novos projectos


A secretária de Estado das Pescas, Maria Antónia Nelumba, procedeu em Fevereiro do ano passado, na comuna de Massangano, ao lançamento do Projecto de Apoio à Pesca Artesanal Continental, denominado Vulgarização de Técnicas Pós-Captura no Nordeste de Angola, orçado em 393 mil dólares americanos.
O Projecto é financiado pela Organização da Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e dá resposta a uma solicitação formulada pelo Ministério das Pescas, após diagnóstico realizado pelo sector, pelos pescadores e mulheres transformadoras do pescado da comunidade piscatória da lagoa de Ngolome.
Dados da Direcção Comunal das Pescas informam que o Projecto beneficia cerca de três mil famílias e contempla três eixos principais, que se consubstanciam no apoio em insumos de pesca, construção de uma infra-estrutura para formação dos pescadores e das mulheres processadoras e apoio institucional.
A pesca artesanal, ainda de acordo com os dados, promove mais de 80 por cento dos postos de trabalho directos e indirectos no sector da pesca. Estima-se que em Angola existem mais de 50 mil pescadores artesanais, que exercem a pesca marítima e continental, produzindo anualmente mais de 100 mil toneladas de pescado, o que corresponde a cerca de 30 por cento do total de capturas do país.
A província do Cuanza Norte, concretamente a lagoa de Ngolome, na comuna de Massangano, vai ganhar muito com o desenvolvimento do projecto a ser desenvolvido, melhorando os níveis de produção e de rendimento dos pescadores e suas famílias, através do aumento dos insumos de pesca, a promoção de novas técnicas de processamento, conservação e comercialização do pescado.
Outra componente tem a ver com o fomento da pesca artesanal e da avicultura. A orientação vai no sentido de se dar prioridade às acções que têm como objectivo melhorar as condições de vida das comunidades e elevar o bem-estar social dos pescadores e suas famílias.
O universo de pescadores na lagoa de Ngolome é de aproximadamente 185 homens e 63 mulheres, com uma população estimada em 928 habitantes.
As principais dificuldades dos pescadores de Ngolome e da província em geral recaem na falta de mercado para aquisição de materiais de pesca, escoamento e comercialização do pescado, assim como nas vias de acesso que no período chuvoso se tornam difíceis.
A lagoa de Ngolome tem uma extensão de 14 mil metros quadrados. Apesar de haver défice no controlo das capturas, a região contabiliza anualmente 6.340 toneladas de peixe diverso, número aquém da cifra real, uma vez que a província dispõe de mais de 635 pescadores artesanais e apenas 180 se encontram em actividade.
As espécies predominantes são cacusso, bagre, tainha, mussolo, bibi, sione e raia.

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