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Pólos industriais no Dondo e Lucala

Manuel Fontoura | Ndalatando

A província do Kwanza-Norte vai dispor, até 2012, de dois novos pólos industrias, a serem construídos nas vilas do Dondo e do Lucala, orçados em 50,3 milhões de dólares cada um, no quadro de um projecto do Governo de relançamento da indústria transformadora.

A cerâmica do Lucala paralizada há mais de 20 anos vai ser reabilitada para voltar aos tempos áureos
Fotografia: Nilo Mateus

A província do Kwanza-Norte vai dispor, até 2012, de dois novos pólos industrias, a serem construídos nas vilas do Dondo e do Lucala, orçados em 50,3 milhões de dólares cada um, no quadro de um projecto do Governo de relançamento da indústria transformadora.
O pólo industrial do Dondo, 75 quilómetros a sul de Ndalatando, financiado por uma empresa canadiana, vai ser erguido na zona do Mucozo, próxima da Estrada Nacional 230.
A empresa está em negociações com o Governo e com o Ministério da Indústria, no sentido de se criarem as infra-estruturas necessárias, como luz eléctrica, esgotos e água necessários para uma fábrica poder funcionar.
Com o investimento estatal, prevêem-se, de princípio, o surgimento de fábricas de sabão, azeite de palma e serração de madeira. O projecto está aberto a pessoas individuais e empresas privadas.
As obras do pólo do Lucala, 36 quilómetros a norte de Ndalatando, orçado em 30 milhões de dólares, financiado pela empresa indiana Angelic, começa este ano, com a construção de valas de drenagem e montagem da canalização de água potável e energia eléctrica, entre outras instalações necessárias para a uma fábrica.
O pólo industrial do Lucala, além da fábrica de água de mesa, vai dispor de cerâmicas, uma vez que há muitas solicitações de empresas privadas interessadas em investirem neste ramo, pois na região existem fontes de matéria-prima, como argila. 
O director provincial do Kwanza-Norte da Indústria, Geologia e Minas, Emanuel Ferreira António de Sousa, afirmou que, a par destes investimentos, a província vai beneficiar, dentro de dois anos, da construção de uma fábrica de sabão, com custos até seis milhões de dólares, e de outra de branqueamento e embalagem de arroz, calculada em um milhão de dólares.
Na província do Kwanza-Norte estão a ser construídas duas fábricas de azeite de palma, orçadas em 13 milhões de dólares, duas de torrefacção e embalagem de café, que vão ficar em um milhão de dólares, uma gráfica e uma fábrica de engarrafamento de água mineral, com custos entre cinco e 4,500 milhões dólares.

Indústria de Cambambe está a renascer dos escombros

O município de Cambambe, 87 mil habitantes, o município de Cambambe já foi um importante centro de produção industrial.
O parque industrial da província do Kwanza-Norte, praticamente todo localizado neste município, é constituído pela cervejeira Eka, a têxtil Satec e a companhia de bebidas licorosas Vinelo e Banangola.
A Eka, modernizada recentemente, tem uma capacidade de produção de 40.322 grades por dia, contra as anteriores 8.870, ultrapassando os níveis históricos de 1973.
À Satec põe-se a questão da matéria-prima. A produção de algodão no país é escassa, o que torna difícil a recuperação da indústria, sendo necessária a exportação da matéria-prima.
A empresa, de origem italiana, foi instalada em 1967. Anteriormente, a matéria-prima vinha maioritariamente da Tanzânia. Emanuel de Sousa revelou que o Japão, através de um banco, pretende investir na recuperação da Satec, com cerca de 50 milhões de dólares na Satec.
A Vinelo, além de uma destilaria de álcool e anis, tem uma linha de produção de vinhos, a partir da fermentação do ananás, laranja e banana e de ananás e laranja em calda.
A empresa fabrica, também, bebidas espirituosas, concentrado e sumo de tomate e latoaria para latas para o feijão em conserva.
A Vinelo, paralisada há mais de 20 anos, mas há vários interessados em reactivá-la. O entrave é que foi adjudicada ao grupo Mello Xavier, questão que pode ser resolvida juridicamente.
A Banangol era uma fábrica de farinha láctea, à base da produção de banana do Mucoso. Apesar do incremento da plantação deste fruto, a reactivação da empresa só possível se houver alguém interessado em começar tudo de raíz, dado o avançado estado de degradação das instalações e da maquinaria existente no local.

 Novos sectores da indústria

Um sector da indústria que vem se desenvolvendo muito rapidamente é a exploração de inertes, encontrando-se já licenciadas na província, pelo Ministério da Geologia e Minas, cerca de 57 empresas, das quais funcionam apenas 15.  O director provincial da Indústria, Geologia e Minas disse que as outras empresas esperam pelos financiamentos para poderem iniciar a actividade, pois é um tipo de indústria requer equipamentos muito caros.
As empresas exploram burgau, areia, granito e basalto usados na construção civil e operam nas localidades de Cassualala, Zenza do Itombe (Cambambe), e na zona da Trombeta, entre o município do Golungo Alto e Ndalatando.
Actualmente, está em funcionamento no Dondo a indústria de água de mesa Santa Isabel, que, apesar de não atingir ainda o máximo da produção, é um dos grandes investimentos feitos na região, a par da fábrica de água mineral Cristalis, na cidade de Ndalatando.
Um pouco por toda a província do Kwanza-Norte há padarias e pequenas oficinas de marcenaria, carpintaria, soldadura, mecânica, de móveis e de reparação de viaturas automóveis e motociclos.

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