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Poluição do rio Muembeje inquieta munícipes de Cazengo

Mamuel Fontoura | Ndalatando

O rio Muembeji é tido por muitos como um dos principais pontos transmissores de doenças, como diarreia, shystosomíases e doenças da pele, bem como de reprodução de mosquitos, que causam o aumento de casos de malária em Ndalatando, sede provincial do Cuanza-Norte.

População pede a intervenção urgente da Administração Municipal de forma a evitar doenças
Fotografia: Nilo Mateus | Edições Novembro | Ndalatando

A má utilização da população, lixo e dejectos provindos de canais de casas de banho de algumas residências construídas ao redor do mesmo, bem como a poluição causada por óleo de viaturas proveniente de oficinas adjacentes são das maiores preocupações dos munícipes, contactados pela nossa reportagem.

O rio Muembeje, que corta o centro da cidade em duas partes, no passado era tido como um dos vários cartões postais de Ndalatando. Hoje, o cenário é caracterizado por acumulação de lixo e capim a crescer em todos os sentidos, estreitando o seu canal e impossibilitando o curso normal das águas.
Os bairros dos Eucaliptos e Sambizanga, no centro da cidade de Ndalatando, e o bairro da Posse, são os mais afectados nesta altura pela falta de higiene de muitos utentes do rio Muembeji.
Além do lixo que alguns munícipes despejam no rio e dos dejectos das casas de banho de residências adjacentes, existem indivíduos que insistem em lavar viaturas e fabricar adobes nas suas margens.
O rio Muembeji tornou-se pouco caudaloso, devido à acumulação de resíduos, uma situação que provoca doenças às pessoas que vivem ao lado, particularmente as crianças, que tomam banho naquelas águas.
A munícipe Josina António, de 29 anos, moradora do bairro dos Eucaliptos, com a residência defronte ao rio, conta que, devido ao mau cheiro, é quase impossível ficar durante muito tempo no quintal.
O que mais a incomoda, explica, é o facto de ter três filhas pequenas, que não conseguem brincar no quintal, devido ao cheiro que vem do rio, o que os obriga a permanecerem fechados em casa.
Josefa Miguel e outras vendedoras, indiferentes ao cheiro nauseabundo, vendem pão com frango, a conhecida magoga, bolinhos, água e banana com jinguba torrada, sem se importarem com o lixo acumulado ao longo do rio. Os lavadores de carro são os potenciais clientes, uma situação que chamou a atenção da nossa reportagem.
Josefa Miguel, que atribui culpa aos moradores da área, que insistem em deixar lixo no rio e fazer o mesmo de casa de banho, revela que, por falta de espaços adequados, é obrigada a fazer o seu negócio próximo do rio.
“Sei que o lugar não é dos melhores, devido às péssimas condições do rio, mas não é meu dever cuidar da limpeza do recinto, o município tem uma Administração e é ela que deve tomar isso a peito”, disse.
Maurício Domingos, funcionário público e residente no bairro Sambizanga, refere que em reiteradas ocasiões foi convocada a limpeza do rio, para o bem da comunidade e das crianças em particular, mas sem sucesso.
“Às vezes aparecem apenas três ou quatro pessoas, os demais ignoram, por isso a Administração tem de fazer alguma coisa, para mudar a situação que tem prejudicado a saúde das nossas crianças e não só”, precisou. “Com as chuvas que vão caindo, todo o lixo atirado nos bairros aonde o rio passa vem parar no centro da cidade e são trabalhos que não podem ser feitos de forma manual, mas sim com equipamento específico”, apontou o cidadão José Bartolomeu.
Para ele, a situação do rio Muembeji precisa de ser bem estudada e com a criação de um projecto devidamente estruturado. Retirando o pessoal que vive nas suas margens, possivelmente o rio poderá ser desassoreado.
“De contrário, nada feito”, referiu. A reportagem do Jornal de Angola tentou, por várias vezes, o contacto com a área técnica e infra-estruturas da Administração Municipal de Cazengo, com o objectivo de se inteirar sobre os projectos ligados ao desassoreamento e embelezamento do rio Muembeji, e de outras situações ligadas ao saneamento dos bairros periféricos e não só, mas, infelizmente, não obteve resposta.

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