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População de Dange-ya-Menha sem água potável

André Brandão | Dange-Ya-Menha

A falta de água potável continua a ser um dos principais problemas que a população da comuna de Dange-ya-Menha, no município de Cambambe, enfrenta, por falta de um sistema de captação, tratamento e distribuição do produto.

Problema da falta de água só fica resolvido com a entrada em funcionamento do projecto de tratamento e distribuição do líquido
Fotografia: André Brandão|Dange-Ya-Menha

O administrador comunal de Dange-ya-Menha, Carlos Coutinho Nzage, referiu ontem que a procura de água para o consumo humano requer um grande esforço por parte da população, uma vez que o rio Mucoso, onde se costuma acarretar o produto, é intermitente, pois, só enche quando houver chuvas. Quanto ao rio Lucala, que dispõe de um caudal permanente, explicou o administrador de Dange-ya-Menha, fica a uma distância de 14 quilómetros da sede comunal.
O administrador assegura que este problema de falta de água potável só fica resolvido com a entrada em funcionamento do projecto de tratamento, distribuição e expansão de água potável do Lucala II, que prevê abastecer todas as localidades ao longo da Estrada Nacional 230 em direcção ao Dondo.
Em função da necessidade urgente de se inverter o quadro, Carlos Nzage solicitou aos órgãos competentes da província para a colocação de furos artesianos. Neste momento, a Administração Municipal de Cambambe implementa uma política de distribuição de água potável por meio de camiões cisternas, estratégia que não satisfaz as necessidades dos consumidores, já que o processo é feito apenas três vez na semana.
Carlos Nzage lamentou que esta situação tem transtornado os moradores da comuna, tendo em conta a escassez de camiões cisternas, em consequência das avarias constantes que os mesmos apresentam. O administrador considerou a situação de preocupante, principalmente para Cassonde, que é composto por três povoações, e é abastecido de água potável por uma carrinha com um tanque com capacidade de seis mil litros. Em Caxissa, a situação é a mesma, visto que depende de um camião cisterna de 22 mil litros.
Revelou ainda que, os camiões da Administração Municipal,  que abastecem Dange-ya-Menha de água potável, são os mesmos que atendem as demais comunas que compõem o município de Cambambe, com destaque para São Pedro da Quilemba, Massangano e Zenza do Itombe, razão pela qual os meios ficam sobrecarregados. Agricultura e energia eléctrica.

Mecanização agrícola

Outra dificuldade que a comuna de Dange-ya-Menha enfrenta tem a ver com a falta de máquinas para a mecanização agrícola em grande escala, a fim de lavrar cerca de 90 hectares.
O administrador comunal salientou que a população de Dange-ya-Menha depende maioritariamente da agricultura familiar como meio de subsistência. Por essa razão, disse, a localidade necessita de máquinas para mecanização da agricultura, de modo a aumentar a produção de alimentos e suplantar as carências que se registam neste domínio na região. Apesar das dificuldades, o responsável disse que a agricultura é a principal actividade económica da comuna, onde a mandioca, milho, feijão, ginguba e batata-doce, além de diversas hortícolas, são os principais produtos cultivados.
No tocante à energia, a comuna é abastecida por cinco grupos geradores de pequeno porte, que vão de 40 a 100 KVA, numa altura em que o gerador que fornece para a localidade de Caxissa está avariado, mas em reparação, depois de registar uma anomalia provocada por descarga eléctrica no princípio do ano. Em Caxissa, o referido grupo gerador, para além de abastecer as residências e as instituições públicas, com destaque para escolas e posto médico, atende igualmente os postos de iluminação pública. Noutras localidades, os meios servem somente para bombeamento de água, através dos furos artesianos.

Saúde e educação


Para o asseguramento da assistência médica e medicamentosa, a comuna dispõe de quatro postos médicos, um dos quais em situação degradante, mas a grande preocupação tem a ver com a carência de enfermeiros. A região tem apenas um técnico de saúde.
Quanto as enfermidades mais comuns daquela parcela da província do Cuanza Norte, o administrador comunal apontou as doenças diarreicas agudas, malária e tosses. No sector da Educação, a comuna tem seis escolas de raiz, com mais de 20 professores, que leccionam até a nona classe. A região necessita de mais professores e de salas de aula, uma vez que existe ainda um grande número de crianças em idade escolar fora do sistema de ensino.
No sector da segurança pública, o administrador comunal defende o reforço do efectivo policial a nível de Dange-ya-Menha. O posto policial, que funciona num dos anexos da administração comunal, conta apenas com dez elementos para atender as nove aldeias da comuna.
A comuna do Dange-ya-Menha, composta por uma população estimada em 2.460 habitantes, é composta por nove aldeias, sendo Cassua, Quiringo, Caxissa, Quilunga, Cazanga, Mucoso, Catemue, Cambondo e Cassonde.

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