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População tem maior acesso à água

Silvino Fortunato e Marcelo Manuel| Ndalatando

Aumentar cada vez mais o acesso da população à água potável e reduzir os riscos de doenças de origem hídrica, como as diarreicas, fazem parte das prioridades do governo do Kwanza-Norte.

Em 2006 foi projectado o novo sistema de abastecimento que só entrou em vigor em 2008
Fotografia: Francisco Bernardo

Aumentar cada vez mais o acesso da população à água potável e reduzir os riscos de doenças de origem hídrica, como as diarreicas, fazem parte das prioridades do governo do Kwanza-Norte.
O chefe do departamento das Águas da direcção provincial, Silvestre Zangui, esclareceu que o governo traçou, desde 2006, uma série de projectos destinados a abastecer de água potável toda a população, como é o caso do Mucari, em Ndalatando, a reabilitar os centros de captação e tratamento das sedes municipais e comunas e a abrir furos hertzianos em bairros e aldeias.
O projecto Mucari, que visa o abastecimento de água à cidade de Ndalatando e bairros periféricos, apesar de elaborado em 2006, apenas arrancou em 2008 e a empreitada estava prevista para 18 meses mas prolongou-se por 24.
A primeira fase do projecto esteve a cargo da empresa chinesa, Sino-Hydro e os trabalhos levados a cabo destinaram-se, no essencial, a criar o novo sistema de abastecimento de água. Esta etapa incluiu a reabilitação de 7,5 quilómetros de tubagem em PVC e ferragem para aduzir 9,3 quilómetros para além da nova captação, conduta adutora e estação de tratamento, orçados em 10,35 milhões de dólares.
Neste lote, segundo o responsável, foi igualmente erguido um reservatório de distribuição semienterrado com capacidade para cinco mil metros cúbicos de água.


Imprevistos atrapalham
 

De acordo com o representante da Abrantina Construtora, Nuno Gaspar, responsável pela segunda fase do projecto, que abarca a reconstituição da tubagem da rede interna de Ndalatando, ao longo da execução surgiram inúmeras situações que não estavam previstas no caderno de encargos e que, de certo modo, estão a atrasar o processo. Apontou questões como a passagem de nível do comboio, que antes não estava prevista, obrigando a alterar as passagens na zona do rio Muembeje, por exemplo, para passadeiras aéreas, ao contrário das subterrâneas.
Por estas e outras razões, a adenda foi apenas assinada em Novembro, pelo que o material só chegou a Ndalatando em Janeiro.
Segundo o representante da construtora, a empreitada que estava previsto terminar este mês está avaliada em cerca de 9,5 milhões de dólares, tendo como itinerário mais de 42 quilómetros de rede de tubagem, 96 fontanários e mais de 1.600 ligações domiciliares, que vão abranger um total de 34 quilómetros de rede a nível da cidade e áreas suburbanas.
Neste momento, o projecto Mucari já beneficia alguns bairros da cidade de Ndalatando, como é o caso das zonas da Posse, Valódia, Kipata e uma parte das ruas do “Cir”. Após a conclusão do mesmo, espera-se que venha a abastecer o domicílio de centenas de pessoas e de 90 chafarizes que se encontram na fase final de construção.
No entanto, nas casas das ruas principais de Ndalatando, como as de Moçambique, Missão, Voluntários, Tomás José Marques, Golungo-Alto, entre outras, os moradores ainda têm de andar vários quilómetros para a aquisição de água.
Adelina Joaquim, moradora na rua dos Voluntários, disse que não vê a hora da conclusão do projecto Mucari, uma vez que os moradores da cidade ainda enfrentam sérias dificuldades em relação ao consumo de água com qualidade e as cacimbas continuam a ser a solução. “Não temos alternativa, temos de recorrer às cacimbas para ir buscar, pelo menos, água para lavar e cozinhar”, explicou esta moradora para quem a situação tem sido uma das principais causas de doenças entre a população.


Abastecimento fraco nas zonas rurais

    

Silvestre Zangui disse que as áreas rurais da província apresentam fracas condições para assegurar o abastecimento adequado de água potável, o que vem dificultar as questões sanitárias básicas que permitem preservar a vida e manter a saúde humana.
Para alterar este quadro, a província criou 12 fontes de água, que reúnem uma capacidade instalada de 2.490 metros cúbicos de água potável, além de possuirem oito nascentes naturais e três estações de tratamento de água.
As comunas do Samba-Lucala, Tango, Luinga e Sector do Mussabo estão entre as comunidades beneficiadas com centros de captação e tratamento de água potável.
Apenas a nascente do município do Ngonguembo se encontra inoperante, provocando carência no fornecimento de água a mais de três mil habitantes da vila de Kilombo dos Dembos.
Calcula-se que 441.762 pessoas têm acesso à água através de fontes, disse Silvestre Zangui.
Em 2009, foram concluídos um sistema de abastecimento de água, em Kambambe, e sete outros pequenos sistemas em nove localidades da província, num esforço tendente a aproximar os lugares de aquisição deste bem às populações. Entre os pequenos sistemas constam quatro furos artesianos e cinco poços de água, colocados em áreas rurais, suburbanas e urbanas. Estes sistemas beneficiam 122.569 pessoas.
Em curso, segundo disse, estão outros 14 projectos, que incluem sete furos artesianos. Os demais são pequenos e médios sistemas, que vão beneficiar 87.798 pessoas.
Em Ambaca, Kambambe e Golungo-Alto prevê-se a execução de programas de emergência, cujas obras se encontram em fase de adjudicação.
Estão ainda a ser realizados outros estudos e elaborados cadernos de encargos, que vão permitir a colocação de sistemas de abastecimento de água, nas localidades de Mawa e Bindo, no município de Ambaca, em Kiangombe, na sede municipal do Lucala, em Camame, no Ngonguembo, e na Cerca, no Golungo-Alto.

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