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Professores do Ensino Especial redobram esforços

Kátia Ramos| Ndalatando

A escola do primeiro e segundo ciclo do ensino especial da província do Kwanza-Norte debate-se com falta de salas de aula.

A escola do ensino especial na província atende centenas de alunos com diferentes deficiências que geram dificuldades na aprendizagem
Fotografia: Dombele Bernardo

O director da escola, Diogo António Evangelista, disse em Ndalatando que a instituição tem apenas cinco salas para mais de 300 alunos, o que obriga a agrupar numa turma estudantes com patologias diferentes.
“Por exemplo, temos alguns alunos com cegueira total na mesma turma que outros com perda parcial da visão. Isso causa um grande transtorno no processo de ensinamento e aprendizagem”, indicou Diogo Evangelista.
O director disse que, para os alunos com visão deficiente, os professores são obrigados a redobrar de esforços, ampliando o tamanho das letras para permitir maior visibilidade dos alunos.
Os instrutores da escola contam com o apoio do aparelho ABC que posta o documento e o traduz. “O aparelho ABC fotografa o documento e faz a leitura do texto, ajudando os alunos surdos, mudos e cegos a entenderem a informação do documento”, explica o responsável.
Diogo Evangelista fez saber que apenas dez dos 43 professores existentes são formados em Educação Especial.
 A maior parte destes educadores foi admitida recentemente, através do último concurso público, e frequentou um seminário de capacitação sobre o ensino especial.O director avançou que a escola atende mais de 350 alunos com diferentes deficiências, desde a dislexia, défice intelectual e de atenção que geram dificuldades na aprendizagem, transtorno de imperatividade, síndrome de Down, autismo, depressão e atraso mental. Diogo António Evangelista disse que o estabelecimento controla 102 casos de atraso mental, matriculados entre o nível primário e secundário. O director apelou à formação de mais professores de educação especial, tendo conta a procura de pessoas com vários problemas educativas especiais que estão a ser inseridas no sistema de ensino. A falta de transporte e de reguladores de trânsito e agentes da ordem pública nas imediações da escola são outro problema.
 Os alunos possuem múltiplas deficiências e residem em bairros da periferia, alguns muito distantes da cidade, onde se situa a escola, e apresentam dificuldades para fazerem a travessia das ruas.
A mistura de alunos com problemas de transtorno de conduta e desvio de comportamentos causa desníveis na assimilação das turmas. “A escola tem 56 alunos com transtornos de conduta, dos quais 19 são do sexo feminino, 43 com dificuldades auditivas e 36 casos de deficiências múltiplas”, referiu o director da instituição.
Se houvesse mais salas, os estudantes com deficiência auditiva ficariam em aulas específicas, porque precisam, em primeiro lugar, de aprender a língua gestual, o que não tem sido possível pelo facto de os professores atenderem ao mesmo temposurdos, mudos e ouvintes.
Diogo Evangelista aposta no futuro. A construção de um pavilhão de artes e ofícios para garantir emprego aos alunos que terminarem o ensino, é uma necessidade apontada pelo director. “A toda necessidade se fazer um esforço neste sentido. Portanto, está é a nossa intenção”, disse. O director apelou aos empregadores para evitarem ser cépticos em relação aos portadores de deficiências e deixarem de mostrar desconfiança na inclusão e integração destas pessoas no mercado de trabalho.

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