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Progresso local depende das vias

Noé Jamba |Bula-Atumba

O administrador de Bula-Atumba, Domingos Ventura Neto "Dudú", disse que a concretização de qualquer projecto para o desenvolvimento da região passa pela melhoria do troço de 184 quilómetros, que liga a localidade à cidade de Caxito.

O administrador de Bula-Atumba, Domingos Ventura Neto “Dudú”, afirmou, na terça-feira, que a concretização de qualquer projecto para o desenvolvimento da região passa primeiro pela melhoria do troço de 184 quilómetros que liga aquela localidade à cidade do Caxito, capital do Bengo. Enquanto isso não acontecer, explicou, vai ser muito difícil levar a bom porto quaisquer projectos de desenvolvimento àquela região, onde são poucos os homens de negócios que se aventuram a investir ali devido ao péssimo estado da estrada que dá acesso a Bula-Atumba.
A melhoria da via de acesso vai devolver esperança aos habitantes e atrair mais investimentos, porque “Bula-Atumba tem potencial para gerar riqueza”, esclareceu Domingos Neto, que referiu estar igualmente preocupado com os sectores da energia e águas e do saneamento básico, que passam por dificuldades enormes. Por essa razão, solicita a intervenção dos órgãos competentes do governo no sentido de dar resposta aos problemas existentes e que afectam directamente a vida das populações.
“A Administração Municipal do Bula-Atumba tem vindo a envidar esforços no sentido de fornecer estes dois importantes bens de forma regular, mas a gritante falta de combustível para abastecer os grupos geradores e garantir a funcionalidade das motobombas não nos permitem levar a cabo as nossas intenções”, queixou-se.
Por essa razão, prosseguiu, às vezes a água é abastecida às populações através de uma cisterna de 10 mil litros, no período compreendido entre as 7 e as 11h00. Um espaço de tempo insuficiente para atender às necessidades das populações. “É o que podemos dar, porque estamos limitados em termos de meios”, disse.
Mesmo com as actuais dificuldades, disse o administrador, as autoridades procuram servir o melhor possível as populações, tendo a administração criado grupos de acompanhamento às aldeias e comunas para radiografarem os principais problemas e, na medida das possibilidades, encontrar soluções para os problemas com que se vão deparando. “A nossa política é estar cada vez mais próximo das inquietações dos munícipes”, declarou.
O administrador municipal do Bula-Atumba manifestou-se também preocupado com o estado dos cerca de 40 quilómetros de estrada que separam o município dos Dembos de Bula-Atumba, que não se encontrando asfaltado dificulta a circulação normal de pessoas e bens de um lado para o outro.
“Há quase cinco anos que a construtora Imbondex tem vindo a terraplenar a via, mas não se consegue atingir a vila do Bula-Atumba, cumprindo assim com os prazos contratuais estabelecidos superiormente”, lamentou o administrador municipal.
Domingos Ventura Neto disse ter recebido da direcção da Imbondex explicações relacionadas com a reabilitação do troço e ficou firmado que na primeira quinzena de Maio de 2011 será concluída a obra, sem que fossem avançadas as razões que estão por detrás da morosidade que se verifica. Uma vez que ninguém se predispôs a dar explicações, espera que desta vez as obras sejam retomadas e concluídas no prazo agora estabelecido.
 
Faltam professores 
 
Quanto ao sector de Educação, o administrador municipal de Bula-Atumba disse que no presente ano lectivo cinco mil alunos foram matriculados e 85 outros se encontram fora do sistema do ensino primário, 50 dos quais na sede municipal (Bula Tumba) e 35 na localidade do Kiage. Para dar resposta à procura dos alunos a nível da região, o sector da educação do município necessita de um total de 110 professores, para cobrir a rede escolar do ensino primário e secundário, bem como professores para aulas de alfabetização. Domingos Neto explicou que a falta de professores tem vindo a influenciar o aumento do índice de alunos que se encontram fora do sistema do ensino a nível da região.
Sublinhou que no segundo ciclo existem apenas duas salas de aula para a 10ª classe e igual número para a 11ª, o que ainda assim não corresponde aos anseios dos estudantes que já terminaram o ensino básico e pretendem ingressar no médio.
Para garantir acolhimento digno e apoio aos professores que queiram trabalhar no município, a Administração Municipal está a negociar com a Direcção Provincial de Educação do Bengo no sentido de ceder, da futura escola de 12 salas de aula ainda em construção, seis salas para servir de residência aos docentes.
O administrador municipal explicou que durante o exercício financeiro passado Bula-Atumba investiu mais de 35 milhões de kwanzas na construção e apetrechamento de uma escola com 12 salas, no âmbito do programa de investimento municipal.
 
Hospital sem laboratório

Quanto ao balanço no sector da Saúde, o administrador de Bula-Atumba disse que a administração local, em colaboração com a Direcção Provincial da Saúde Pública, construiu quatro postos médicos em algumas localidades da região, que brevemente serão inaugurados.
Mostrou-se, todavia, preocupado com a falta de quadros no sector. Disse que o município conta apenas com 55 técnicos de saúde, deste número apenas um é médico, de nacionalidade cubana, para prestar assistência a um universo de aproximadamente nove mil habitantes da circunscrição.
De igual modo, o hospital municipal não tem um catalogador, um especialista de laboratório ou sequer um aparelho de raio x. “Em suma, não temos nada para as análises clínicas”, disse.
A malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas são apontadas como as patologias mais frequentes no seio das populações, mas os poucos técnicos existentes têm dado conta do recado, com a ajuda da administração local e do hospital que têm vindo a desenvolver programas conjuntos de sensibilização junto das populações para os cuidados a ter com os mosquitos, utilizando mosquiteiros impregnados com insecticida, e com a água para beber, que deve ser fervida e desinfectada com cinco gotas de lixívia por cada litro.
O hospital municipal do Bula-Atumba possui uma capacidade de internamento para 11 pacientes, ministra serviços de pediatria, maternidade e ginecologia, e conta com uma empresa para atender a dieta alimentar dos pacientes que ai acorrem, assim como cuida do saneamento básico.

Chuvas fazem estragos
 
No que toca ao sector da Agricultura, Domingos Neto afirmou que a maior parte dos camponeses da região foi mobilizada para trabalhar as terras aráveis, mas as fortes chuvas que caíram sobre a região durante sete meses destruíram os campos cultivados, originando o insucesso das colheitas.
Apontou a falta de transportes para escoar os produtos agrícolas para os mercados da periferia e centros urbanos como outra preocupação, o que retira ânimo aos camponeses organizados em cooperativas, que para não perder tudo têm de caminhar longos quilómetros a pé para levar alguma produção aos locais de venda. Os camponeses contam como o apoio de quatro tractores para desbravar as terras.
Depois de ter sido substituído por outras culturas, o café começa também a ser produzido em Bula-Atumba, tendo sido colhido na presente época cafeícola mais de 127 toneladas de café mabuba. Mas, a falta de um mercado para o produto, leva a que muitos agricultores não se dediquem a tempo inteiro ao café. “No tempo colonial, o município de Bula-Atumba chegou a ser o maior produtor de café a nível do Bengo”, enfatizou.
O município do Bula Atumba tem uma população estimada em nove mil habitantes, dedicando-se a maior parte à agricultura de subsistência, caça, pesca artesanal e à exploração da madeira.

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