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Província do Kwanza-Norte precisa de oficinas e mecânicos

| Ndalatando Marcelo Manuel

A província do Kwanza-Norte tem falta de oficinas de reparação auto. Este problema é particularmente grave em Ndalatando onde as empresas públicas e privadas de transportes públicos têm grandes dificuldades para reparar as avarias das viaturas. Faltam oficinas e faltam mecânicos

Director provincial dos Transportes
Fotografia: Marcelo Manuel | Ndalatando

A província do Kwanza-Norte tem falta de oficinas de reparação auto. Este problema é particularmente grave em Ndalatando onde as empresas públicas e privadas de transportes públicos têm grandes dificuldades para reparar as avarias das viaturas. Faltam oficinas e faltam mecânicos.
O director provincial dos Transportes e Telecomunicações, Vitorino Abel, durante um encontro entre o Governo e os empresários de transportes públicos, revelou que em toda a província do Kwanza-Norte apenas existem oito oficinas licenciadas, que não conseguem fazer face às avarias dos autocarros e outras viaturas usadas nos transportes públicos.
O Jornal de Angola constatou que em algumas oficinas também falta higiene, material de segurança e em muitos casos os mecânicos trabalham na via pública. Há oficinas que despejam os resíduos em lugares impróprios e há pintores a trabalhar nas ruas.
Quem passa tem de suportar os gases das tintas, que são nocivos à saúde. Jeremias dos Santos, automobilista, recorreu a uma “oficina” de pintura e considerou os trabalhos ali efectuados como razoáveis.
“Não temos alternativa, a pintura nos representantes das marcas em Luanda fica muito cara, os preços aqui praticados são compatíveis, razão pela qual cá estou”, concluiu.
 Na “oficina”, um dos ajudantes disse à nossa reportagem que todo o pessoal envolvido na área de pintura trabalha sem qualquer formação e não tem contrato de trabalho, o que permite ao patrão pagar os salários que lhe apetece.
Mateus António, mestre da “oficina”, disse estar consciente de que o seu pessoal está sem qualificação profissional e que trabalha sem condições.
 Quanto à questão da remuneração e contrato de trabalho, frisou que a oficina factura entre 18 a 20 mil Kwanzas por semana “o que é insuficiente para estipular um salário certo para cada um”, concluiu.
Mateus António revelou que exerce a actividade de pintor auto desde 1978, altura em que obteve formação no ramo, através de uma companhia de mecânica auto ubana que na altura trabalhava para as FAPLA.
João Andrade, mestre em mecânica numa das oficinas de Ndalatando apontou a ausência de incentivos por parte do Governo Provincial e a falta de crédito dos bancos como as causas para o declínio da profissão de mecânico na província.
Frisou que já elaborou um plano para a remodelação da sua oficina, que inclui a ampliação do espaço e compra dos equipamentos necessários, mas até agora não recebeu qualquer resposta da instituição bancária onde solicitou o crédito. O director provincial dos Transportes e Telecomunicações do Kwanza-Norte, Vitorino Abel, disse que a região tem uma frota de 74 autocarros, gerida por seis empresas privadas. Apesar de cobrirem a maior parte das sedes municipais, considerou os serviços insuficientes, pelo facto de não chagarem às comunas, situação minimizada pelos candongueiros.
Sublinhou a necessidade de mais intervenção neste domínio para que os  transportes de passageiros e de carga sejam mais  eficazes e suficientes. Acrescentou ainda que as frotas existentes ligam o Kwanza-Norte a Malange, Luanda, Kwanza-Sul e Huambo.
Vitorino Abel destacou que o Kwanza-Norte também tem falta de escolas de condução. A província tem dez municípios e conta apenas com duas escolas de condução com filiais em quatro municípios, o que perfaz um total de seis centros de ensino de condução.
Em relação aos empresários que perderam os seus meios de transporte durante a guerra, Vitorino Abel garantiu que o processo para a devolução foi retomado a 27 de Fevereiro de 2010, na província de Malange e que nesta altura se aguarda a aprovação de um calendário estabelecido pelo ministério de tutela para a materialização do projecto no Kwanza-Norte.
   Vitorino Abel disse que a província conta actualmente com quatro operadoras de telecomunicações: Angola Telecom, Movicel, Unitel e a Infra Sat que garantem a telefonia móvel e fixa a nível local.
 A empresa Angola Telecom está instalada nos municípios de Cambambe e Cazengo e efectua actualmente testes no Lucala, Samba Cajú e Ambaca, em função da conclusão da fibra óptica.
 A Unitel e Infra Sat estão presentes em nove dos dez municípios. A Infra Sat está também nas sedes municipais e comunais com o “sistema liga-liga”, através de um cartão de recarga que custa 100 Kwanzas, com duração de cinco minutos, enquanto a Movicel está presente em três municípios.

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