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Recauchutagem dá emprego a jovens da região

Marcelo Manuel e Valter Gomes| Ndalatando

O trabalho nas recauchutagens, em Ndalatando, regista a adesão de jovens que encontram na profissão um meio de sustento. A par de servir de fonte de rendimento familiar e de retirar dezenas de jovens do desemprego, a actividade está a permitir ocupar os tempos livres da juventude e banir actos de delinquência.

O trabalho de recauchutagem em Ndalatando regista a adesão de muitos jovens que encontram na profissão um meio de sustento e ocupação dos tempos livres
Fotografia: Nilo Mateus

O proprietário da recauchutagem “Bem do Povo”, Bebiano José, revelou que trabalha no ramo há 15 anos e considera a actividade “bastante rentável”. Diariamente recebe em média 50 clientes, que pagam de 500 a 1.500 kwanzas, em função do trabalho executado.
O estabelecimento garante trabalho a 15 jovens, mas se tivesse um espaço maior podia dar emprego a mais jovens.
Bebiano José exortou as entidades competentes a prestarem mais atenção aos empreendedores, para a evolução de negócios.
Justino Fernando da Silva é recauchutador. Exerce a profissão há 12 anos.  Numa das ruas do bairro Camundai consegue embolsar algum dinheiro para sustentar a família. Na sua cooperativa trabalham outros seis jovens, mas está a fazer esforços para alargar o negócio, visto que possui a documentação necessária para o exercício da actividade.
O jovem assegura que antes de abrir o negócio, participou numa formação profissional. A actividade baseia-se na montagem, desmontagem, concerto de pneus, jantes e câmaras-de-ar.
As ferramentas são a cola, martelo, pé-de-cabra, chaves de fendas, calibradores, barómetro, compressor e mangueira de ar.
Apesar de as recauchutagens existirem em qualquer canto da cidade de Ndaltando, a chefe de departamento da Inspecção do Trabalho da Direcção Provincial do Cuanza Norte da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social do Cuanza Norte, Maria Manuel Ricardo, revelou que só existe uma recauchutagem legalizada.
Os trabalhadores desta área não têm contratos e as condições de segurança não existem. A Inspecção do trabalho  vai actuar e muitas recauchutagens podem ser multadas e até encerradas por trabalharem à margem da lei.

Fomento do emprego

O director da Incubadora de Empresas do Ministério de Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTESS), Jacinto Domingos, disse que a criação do Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE) vai fomentar o auto emprego dos jovens finalistas dos cursos médios e universitários.
O “ninho” de empresas vai acolher inicativas empresariais de carácter inovador que propiciam o emprego, bens e serviços, pela via do auto emprego e uso de tecnologias de informação e comunicação.
Jacinto Domingos sublinhou que vai ser incentivada a qualificação empresarial nas áreas de marketing e contabilidade, que garantem a execução de um bom plano de negócios. Existe uma parceria entre o MAPTESS e o Banco Sol, criada com o objectivo de permitir o financiamento dos empreendedores formados nos centros.
A Incubadora de Empresas do Ministério de Administração Pública, Trabalho e Segurança Social tem capacidade para formar 150 pessoas em três meses.
O coordenador provincial da Associação dos Jovens Empreendedores do Cuanza Norte, Salvador José, considerou que o CLESE chegou para beneficiar a classe empresarial e melhorar o desempenho da actividade comercial, pelo facto de muitos jovens trabalharem no ramo de negócios de forma empírica e ilícita.
O Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego é uma das melhores estratégias do Executivo em relação ao combate ao desemprego, tendo em conta o número de pessoas afectadas por este fenómeno na província, onde decorrem várias acções no âmbito do programa de fomento do auto emprego.
 “A prática do empreendedorismo pode contribuir para que o país reduza rapidamente os níveis de pobreza e seguir o caminho certo rumo ao desenvolvimento”, rematou, Salvador José. 

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