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Rede defende solidariedade e o combate ao preconceito

Kátia Ramos| Ndalatando

A coordenadora da Rede Provincial de Pessoas com o VIH, Teresa Duas Horas, exortou sexta-feira a sociedade a primar pela solidariedade e quebrar os preconceitos contra os portadores de VIH-Sida.

Programa de Luta contra o VIH/Sida conta com várias clínicas com meios específicos para o aconselhamento e testagem
Fotografia: Nilo Mateus| Ndalatando

Teresa Duas Horas, ela própria portadora do vírus da Sida há mais de 13 anos, sublinhou que a luta contra o preconceito e aumento da prevenção devem tornar-se um hábito diário para todos.
“O preconceito contra os portadores do VIH é uma das principais barreiras para o combate à epidemia”, disse, acrescentando que os estigmas são desencadeados por razões que têm a ver com a falta de conhecimento, mitos e medos.
Teresa Duas Horas sublinhou que a sua experiência de vida e luta pela sobrevivência no combate contra a doença tem servido de incentivo para muitos jovens infectados com o VIH na província e outros que aderem, cada vez mais, ao Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV).
A coordenadora referiu que a sua situação de vida, apesar de seropositiva, é muito mais confortável do que a de pessoas que vivem com o medo de fazer o teste”, notando que mais do que um psicólogo, um seropositivo precisa de ouvir a experiência de quem enfrenta a mesma doença.“Uma conversa com alguém que vive com o vírus da Sida é muito produtiva porque a pessoa vai poder contar tudo aquilo por que passou, desde que soube do seu estado, como enfrentou a primeira fase e como seguir a vida em diante”, sublinhou.
Para Teresa Duas Horas, a tendência de um paciente é de abrir-se com as pessoas que têm a mesma patologia para tirar as dúvidas e também trocar experiências de vida.
A coordenadora da Rede provincial de Pessoas com o VIH recordou que a luta contra esta doença não é apenas uma tarefa do Executivo, mas de toda a sociedade. “Já vi pessoas conhecidas morrerem porque não quiseram lutar, mas eu decidi fazer diferente”, revelou.
A maioria das pessoas, quando descobre que é seropositiva, pensa logo que tem a sentença de morte, disse. Esse preconceito costuma, às vezes, acabar com os conselhos do CATV, que mostra que se pode viver sem problemas.

Novos casos da doença

No primeiro semestre deste ano foram detectados cerca de 315 novos casos de VIH/Sida na província do Kwanza-Norte, de um total de 13.516 testes.
Deste número, segundo o coordenador do núcleo provincial de controlo e combate ao Sida, Mateus Gaspar, 89 são mulheres grávidas e 44 em idade fértil, de um total de 6.369 que fizeram o teste.
Os testes realizados a 121 homens resultaram positivos em 87, adiantou Mateus Gaspar, que referiu que as mulheres são as que mais se preocupam com o seu estado serológico.Na província do Kwanza-Norte existem 12 unidades de referência, com postos de testagem voluntária, dos quais sete no município do Cazengo e cinco distribuídos por Lucala, Ambaca, Samba Caju, Golungo Alto e Banga.
O Programa de Luta contra o VIH/Sida, que começou a ser desenvolvido em 2006 no Kwanza-Norte, conta com várias clínicas móveis, equipadas com meios específicos para o aconselhamento e testagem da doença e consultas médicas nas comunidades mais distantes de Ndalatando.

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