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Rio Muembeji está ameaçado

Silvino Fortunato | Ndalatando

O Conselho Provincial de Auscultação Social do Kwanza-Norte recomendou a elaboração de um estudo de especialidade para protecção do Rio Muembeji contra acções de poluição.

Casas construídas no percurso do rio criam constrangimentos e aceleram a poluição
Fotografia: Nilo Mateus|Ndalatando

O Conselho Provincial de Auscultação Social do Kwanza-Norte recomendou a elaboração de um estudo de especialidade para protecção do Rio Muembeji contra acções de poluição.
A decisão foi aprovada em Ndalatando, durante a primeira reunião do Conselho Provincial de Auscultação Social, realizada este ano, e que foi presidida pelo governador provincial do Kwanza-Norte, Henrique André Júnior.
O rio Muembeji divide a meio a cidade de Ndalatando, a capital da província do Kwanza-Norte,  e a sua protecção mereceu acesos debates no conselho. Foi necessário ir a votos para aprovar as melhores soluções de protecção ambiental do curso de água.
Alguns conselheiros defendiam a construção de um muro de vedação ao longo dos cinco quilómetros do rio na área habitada de Ndalatando, a capital do Kwanza-Norte.
 Outro grupo defendia a realização de campanhas de sensibilização e a criação de serviços junto da população para evitar a a poluição.
O Conselho Provincial de Auscultação Social reprovou a ideia da vedação do rio Muembeji na área citadina. Apenas dez dos 75 conselheiros votaram nesse projecto.
Foi aprovada a posição que defende a realização de estudos que forneçam indicadores para o desassoreamento do rio e a sensibilização das populações para a protecção do meio ambiente. O governador, Henrique André Júnior, defendeu a elaboração de um grande projecto para “podermos salvaguardar o cartão de visita da nossa cidade de Ndalatando”. Defendeu igualmente a realização de estudos técnicos para a despoluição, desassoreamento e protecção permanente do rio Muembeji
A ideia da vedação do Muembeji segundo os seus defensores, visava impedir o acesso das pessoas ao leito. Foi contrariada com o argumento de desfigurava a imagem, além de que exigia a aplicação de avultados valores financeiros.
Foi defendida a construção de chafarizes e lavadouros, junto das habitações das pessoas que vivem próximo do rio. Também foi colocada à discussão a aprovação de uma medida mais drástica: a evacuação dos habitantes que estão na zona ribeirinha e que poluem fortemente o rio, sobretudo nos bairros Posse, Camabatela e Embondeiros.
Se o projecto for para a frente, os moradores são transferidos para as áreas onde o Governo Provincial do Kwanza-Norte prepara novas centralidades habitacionais.
A actividade de lavagem de roupa, utensílios de cozinha e viaturas provoca forte poluição no rio Muembeji, no troço que atravessa a cidade de Ndalatando.
Mas o “cancro” que está a matar um dos mais belos cursos de água do Kwanza-Norte é o depósito de lixo e a canalização de esgotos domésticos sem qualquer tratamento para as águas do Muembeji.
Os moradores das casas ilegais construídas ao longo das margens no percurso que atravessa a cidade, lançam o lixo directamente no rio e os esgotos domésticos correm livremente para o seu leito.
 
Acções de desenvolvimento

Os membros do Conselho de Auscultação Social identificaram também projectos de âmbito provincial e municipal para serem inseridos no Programa de Investimento Público (PIP) de 2012.
No  programação de acção consta a também a construção de centros e postos de saúde, aquisição de clínicas móveis e laboratórios de controlo de qualidade.
A construção de estradas, creches, estações de tratamento de água, requalificação de Ndalatando com a pintura e remodelação de habitações constam  também das tarefas indicadas pelos conselheiros do Governo Provincial.
Foi votada favoravelmente a elaboração de um Plano Director para o desenvolvimento do turismo, de programas de massificação desportiva e do sector da indústria.
Constam também das previsões para o próximo ano, a reabilitação e conservação dos monumentos e sítios históricos, a aquisição de equipamentos para o fomento da actividade agropecuária, instrumentos agrícolas, desenvolvimento dos perímetros irrigados ea construção de escolas.
A decisão da construção das vias secundárias e terciárias foi amplamente aplaudida pelos conselheiros Provincial de Auscultação.
O agricultor Artur Ferreira de Almeida ao enaltecer a reabilitação das vias, lembrou que muitos produtos se estragam nos campos por dificuldades de transporte para os centros comerciais.
“As estradas estão péssimas e nós não conseguimos utilizá-las. Isso faz com que os produtos apodreçam nos campos”, disse.
O soba do município de Ngonguemo revelou que muitas comunidades estão a abandonar as suas aldeias por causa do mau estado das vias que não permitem a circulação de viaturas e de outros meios para abastecimentos e escoamento dos produtos do campo.
“Necessitamos do  apoio do Governo para juntos encontrarmos uma solução  que possa beneficiar a população  deste  município que enfrenta  muitos problemas. Os produtos  apodrecem no campo, disse. 

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