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Rumores levam mulheres a temer método

Kátia Ramos | Ndalatando

Mulheres em idade fértil no município do Cazengo, Cuanza Norte, estão a recusar-se a adoptar um novo método de planeamento familiar, o “chip Jadel”, devido a rumores sobre as consequências do mesmo, informou a responsável do Planeamento Familiar do Hospital Materno Infantil da província.

Muitas mulheres não têm sido honestas com as companheiras passando informações erradas
Fotografia: Francisco Bernardo

Elisa Viegas explicou que o método foi adoptado na província em 2012 e, na altura, houve uma adesão massiva das mulheres. Mas, actualmente, a maioria recusa-se a fazer o planeamento através do chip.
“Até ao ano passado, mais de 20 mulheres procuravam o método do Jadel, mas, com o passar do tempo, começaram a surgir várias reclamações em relação a este anticoncepcional”, acrescentou.
A aplicação do chip exige que se faça uma pequena cirurgia, mas antes a mulher é submetida a cuidados médicos durante uma semana. Se os requisitos exigidos forem cumpridos, a mulher é livre para fazer a sua vida, sem se preocupar com uma gravidez indesejada.
Elisa Viegas alertou que muitas mulheres não têm sido leais com as companheiras, passando informações erradas que levam as outras a desistir da aplicação do novo método. Para evitar esta situação, estão a ser realizadas palestras destinadas a esclarecer as mulheres sobre o assunto. O chip, além de prevenir gravidez indesejadas, torna-se um método benéfico à saúde, pois previne doenças sexualmente transmissíveis, inflamações pélvicas ou anemia por carência do ferro no organismo humano.
A responsável do Planeamento Familiar do Hospital Materno Infantil do Cuanza Norte esclareceu que o implante é feito com pequenas cápsulas flexíveis, que são colocadas sob a pele do antebraço. A grande desvantagem prende-se com algumas perturbações hormonais, que podem provocar aumento de peso e do fluxo menstrual.
O Jadel também pode causar, a algumas mulheres, dores de cabeça e abdominais, sensibilidade nos seios, náuseas e outras possíveis mudanças físicas. Elizabeth Duwall, 30 anos, contou que depois do nascimento do quarto filho procurou os serviços de planeamento familiar e acabou por introduzir o chip. Mas, referiu, desde então passou a sentir dores na zona da bexiga, situação que lhe provoca náuseas constantes. “Antes usava a pílula e, ainda assim, não surtia efeito. Relacionava-me sem mais prevenção, uma vez que confiava no anticoncepcional, mais era traída e acabava por engravidar. Em função disso, decidi recorrer ao novo método”, justificou. O Jadel fê-la aumentar de peso e muitas vezes sente-se como se estivesse grávida. Preocupada com a situação, recorreu ao médico, que lhe disse que com o tempo esses sintomas desapareciam, mas, passando esse tempo, continua a viver o mesmo drama. Para Fânia Jacinto, o meto é uma excelente inovação.

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