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Sector com dificuldades na emissão de bilhetes

André Brandão | Ndalatando

As enchentes que se registam actualmente no departamento pro­vincial de identificação do Kwanza-Norte, para o tratamento do Bilhete de Identidade, estão a deixar preocupados, insatisfeitos e desesperados os cidadãos que procuram aqueles serviços.

O Jornal de Angola constatou que muitos jovens aguardam já há algum tempo a emissão do BI para a resolução de casos académicos
Fotografia: Manuel Nilo|Ndalatando

As enchentes que se registam actualmente no departamento pro­vincial de identificação do Kwanza-Norte, para o tratamento do Bilhete de Identidade, estão a deixar preocupados, insatisfeitos e desesperados os cidadãos que procuram aqueles serviços.
A reportagem do Jornal de Angola efectuou uma ronda ao local, onde foi possível anotar as reclamações e constatar que os mais visados são os jovens, muitos dos quais aguardam já há algum tempo a emissão do B.I para a resolução de casos académicos e laborais.
 A maior parte dos entrevistados foi unânime em afirmar que a morosidade no tratamento do Bilhete de Identidade passa pelo mal funcionamento dos trabalhadores da instituição, que recebem documentos de parentes e amigos, em detrimento dos que chegam primeiro.
António Manuel Sebastião, natural do Kwanza-Norte mas residente em Luanda, diz ter perdido os documentos e está há mais de dois dias em Ndalatando na esperança de tratar a segunda via do Bilhete de Identidade. Porém, ficou surpreendido com a bicha encontrada, temendo não poder participar de um concurso público, para a obtenção do primeiro emprego.
José Bernardo, proveniente do município do Ngonguembo, informou que há mais de uma semana que aguarda ansioso a recepção do seu  B.I., o que não aconteceu até agora devido a enchente que se regista nos últimos dias. Exortou, por isso, os funcionários daquele sector no sentido de pautarem pela ética e deontologia profissional, visando o prestígio da instituição.

Equipamentos avariados

Manuel Gaspar Zage, voz autorizada do departamento provincial de identificação, mostrou-se constrangido com as declarações dos cidadãos em causa, considerando que a população só tem preocupação em tratar documentos quando precisa de resolver problemas institucionais, ao invés de o fazerem em tempo oportuno.
 Esta situação, disse, origina as enchentes verificadas. Alegou que outro factor que concorre para tal situação é a falta de energia eléctrica, provocada por um curto-circuito, que causou danos em alguns equipamentos essenciais, como a avaria de quatro computadores e outros equipamentos electrónicos.
A lentidão da rede de Internet na qual o sistema de emissão dos bilhetes está ligado também foi apresentada como desculpa.
Manuel Gaspar Zage revelou que em dias normais de trabalho o departamento dá entrada de 200 pedidos de bilhetes, mas que as condições actuais só permitem emitir 100. Apesar de tais justificações, condenou o comportamento de seus colegas que atendem primeiro os parentes. “Considero esta conduta como negativa, porque todo o cidadão merece o mesmo tratamento perante a lei ou atendimento público”, concluiu.
O responsável do departamento provincial de identificação  garantiu que estão a ser envidados esforços para a resolução dos problemas que afectam o secror, visando a melhoria da prestação de serviços. 

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