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Solos do Kwanza-Norte são considerados aráveis

Isidoro Natalício| Ndalatando

Apesar de ausência de análises laboratoriais recentes, os solos no Kwanza-Norte são considerados aráveis e abundam os cursos de água.

Apesar de ausência de análises laboratoriais recentes, os solos no Kwanza-Norte são considerados aráveis e abundam os cursos de água. Estes aspectos são imprescindíveis à agricultura em geral e, em particular, para a horticultura alcançar patamares industriais, sobretudo nos municípios de Cazengo, Kambambe e do Lucala, favorecidos pelo relevo que ostentam.
Impõe-se, assim, uma nova mentalidade para os produtores, baseada na visão empresarial, atraindo técnicos para o campo e aquisição de tecnologia. O agrónomo Paulo Bungo sugere a escolha dos períodos de cultivo, por exemplo, em montanha com declive tecnicamente aceitável, no tempo de maior regularidade das chuvas (Fevereiro, Março e Abril), para se efectuar a comercialização a partir de Maio.
Disse que o que se verifica é que a maioria está agora a plantar para colher ao mesmo tempo (Setembro e Outubro), logo, o risco do aumento vertiginoso da oferta num período curto. O recrutamento de técnicos é urgente e passa pela criação de incentivos como habitação e a possibilidade de se tornarem sócios da empresa após alguns anos de serviço. Engenheiros formados na República Checa dizem ser esta uma prática bem sucedida naquele país.
O pessoal qualificado também deve abranger gestores para evitar o que tem sido frequente: quando o dono da fazenda fica impedido, por doença ou morte, surge o declínio ou desaparecimento da unidade de produção. O recurso as novas técnicas de irrigação, designadamente o “gota a gota”, sacha e colheita (debulhadora) podem reduzir o recurso à mão-de-obra oriunda do Kwanza-Sul e Huambo, que raramente aceitam permanecer acima de três meses no campo.   
O agricultor Artur de Almeida aplicou perto de sete mil dólares na aquisição e começa a montar a qualquer hora o sistema gota a gota. “Apesar de experimental, um hectare é o que é possível em função das limitações financeiras”, explicou.
Na generalidade, os agricultores querem subsídios do Estado para arcar com os custos de produção, construção de diques, sobretudo de protecção nas margens do Lucala e reparação das vias de acesso. Sempre reclamaram dificuldades de acesso ao crédito bancário por várias razões, entre as quais o excesso de burocracia, taxas de juro elevadas e falta de garantias no quadro das exigências dos bancos.
O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) publicita a disponibilidade de crédito até 500 mil dólares, reembolsáveis em oito anos. Significa que o produtor deve devolver ao banco 62 mil dólares por ano ou oito mil por mês, para o que é necessário rigor empresarial.
Luinga e Mucozo, os maiores perímetros agrários, dão sinais de recuperação. No primeiro, banhado por um dique com caudal durante todo ano, há iniciativas que colheram na época passada 1.200 toneladas de batata rena numa porção de 50 hectares. Na década de 70, Luinga ( Camabatela) notabilizou-se na produção de hostaliças.

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