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Um comerciante com amor à terra

ADALBERTO CEITA| Banga

Quem chega pela primeira vez à sede municipal da Banga, rapidamente verifica que a actividade comercial é desenvolvida de forma incipiente e com muitos constrangimentos.

Leandro Diogo sente que valeu a pena o sacríficio para manter aberto o estabelecimento do qual é proprietário
Fotografia: Dombele Bernardo

Quem chega pela primeira vez à sede municipal da Banga, rapidamente verifica que a actividade comercial é desenvolvida de forma incipiente e com muitos constrangimentos.
Das 75 lojas de comércio que lá existem, apenas 20 mantêm abertas as portas para atender um universo de 1.892 habitantes. São números considerados exíguos pelas autoridades municipais, que admitem que o comércio está longe de acompanhar a dinâmica de crescimento que o município atingiu. Em função do défice de crescimento que se regista neste sector a população vê-se obrigada a percorrer longas distâncias para adquirir determinados bens de consumo.
O apelo da população encontra eco nos comerciantes que se queixam de dificuldades para transportar os produtos. Mas, esta contrariedade não impede o senhor Leandro Diogo, um ilustre filho da terra, de manter aberto o seu negócio.
Proprietário do estabelecimento comercial Kangundo, gere o seu negócio desde o início dos anos noventa e, hoje, mantém-se de pé por amor à terra que o viu nascer.
Com o semblante triste, recorda os dias que se seguiram à ocupação militar da Banga, durante o conflito pós-eleitoral de 1992. Na longa caminhada para a fuga, à semelhança de muitos habitantes, perdeu tudo aquilo que havia conquistado com sacrifício e muito suor.
Leandro Diogo fala comamargura da dureza do regresso e os assustadores vestígios da guerra que encontrou. A persistência falou mais alto e graças à força de vontade conseguiu reerguer o empreendimento.
“A guerra atrasou o nosso percurso, fomos forçados a abandonar o município e fugir para Ndalatando e depois para Luanda. Foram tempos difíceis, mas hoje as coisas mudaram para melhor”, disse com satisfação.
Quando olha à volta e vê o que é hoje o seu estabelecimento, o comerciante sente que valeu o esforço consentido e o apoio das autoridades. O quotidiano de Leandro Diogo é marcado pelo entra e sai de clientes na loja, que gere com a ajuda de três trabalhadores.
“Aqui, a estrada ainda é um quebra-cabeças, sei que podemos fazer muito mais, só que as dificuldades económicas têm impedido”, disse.

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