Províncias

Venda ambulante de água do Kwanza agita as manhãs na cidade do Dondo

Isidoro Natalício | Ndalatando

Movimento de viaturas e motorizadas com diversos recipientes a bordo, chegada e partida de canoas, mulheres com trouxas de roupas para lavar, jovens carregando bidões e banhos no rio caracterizam o ambiente na margem do Kwanza, na cidade do Dondo, ao princípio de todas as  manhãs.

Movimento de viaturas e motorizadas com diversos recipientes a bordo, chegada e partida de canoas, mulheres com trouxas de roupas para lavar, jovens carregando bidões e banhos no rio caracterizam o ambiente na margem do Kwanza, na cidade do Dondo, ao princípio de todas as  manhãs.
As viaturas têm reservatórios que são cheios de água do rio para vender. A captação é feita com uma moto-bomba ligada a uma mangueira com comprimentos que variam entre os 50 e os 130 metros. É ligada a uma improvisada girafa e daí vai para as cisternas de todos os tamanhos. Ao longo da margem do Kwanza há cinco girafas e cada uma tem o seu proprietário.
Há girafas a facturarem 45 mil kwanzas por semana e cada girafa tem clientes certos.
  Domingos Pascoal, 21 anos, trabalha numa girafa há três meses e abastece 12 motas que pagam por dia 500 kwanzas cada. “As motas transportam 500 litros de água de cada vez. O depósito fica cheio num minuto e meio e os condutores fazem os carregamentos que podem durante o dia”.
O trabalho na girafa rende-lhe um salário mensal de 24.000 kwanzas.

Preços praticados

João Manuel, 27 anos, motorista, é técnico e trabalha nas obras de construção civil, sobretudo no bairro Alto Fina. Transporta todos os dias, a partir das seis e meia da manhã, água das girafas do Kwanza para o local dos trabalhos.
“Vendemos a pipa de água com 2.000 litros a dois mil kwanzas, assim arrecadamos diariamente  em média sete mil kwanzas, dos quais tiramos mil para pagar a girafa e outros mil para o combustível”, disse João Manuel.
O motorista Júlio Alfredo, 31 anos, dos quais dois a carregar água, é um dos pioneiros do negócio, que ele considera “calmo e rentável”. Disse que deixou de fazer a rota Dondo-Luanda para  transportar dez mil litros de água por dia, em cinco viagens. Acha que assim poupa a viatura.
“Ganho dez mil kwanzas e apenas gasto 1.800, vale a pena”. Os moradores do Dondo consideram o preço da água “muito elevado” porque o rio é dádiva de Deus.
 “No bairro Alto Fina 500 litros amiúde custa mil a 1.500 kwanzas”, disse  o morador João Mendes, acrescentando que nem sempre há dinheiro suficiente para poder comprar água.
As pessoas protestam pela qualidade da água que dizem não ter qualquer tratamento. Na verdade a água das girafas instaladas na margem do Kwanza, na cidade do Dondo,não é tratada e nas proximidades das captações há mulheres e crianças a lavar roupa e tomar banho.
O vendedor João Manuel trata a água porque o Hospital Municipal fornece lixívia para colocar nas cisternas: “recebemos a lixívia em função da dimensão dos depósitos.
O vendedor Júlio Alfredo acrescenta que as autoridades sanitárias recomendaram que fosse adicionado cloro à água das cisternas. A proporção é uma garrafa pequena de água mineral por cada mil litros, segundo Júlio Alfredo.

Tempo

Multimédia