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Acções ambientais com pouco dinheiro

Casimiro José| Sumbe

O desenvolvimento de projectos ligados à preservação ambiental na província do Kwanza-Sul caminha de forma tímida enquanto aumentam os impactos negativos de forma directa e indirecta resultantes da actividade humana.

Directora Madalena Domingos Bernardo
Fotografia: Casimiro José


 
O desenvolvimento de projectos ligados à preservação ambiental na província do Kwanza-Sul caminha de forma tímida enquanto aumentam os impactos negativos de forma directa e indirecta resultantes da actividade humana.
 A falta de dinheiro tem adiado as boas intenções das entidades oficiais e privadas. Existem muitos projectos, alguns de grande importância social, mas a falta de fundos atrasa a sua execução.
 A preservação ambiental vai sendo relegada para segundo plano, situação que coloca em perigo importantes espécies da flora e da fauna, ao mesmo tempo que faz descer a qualidade de vida das populações. O Kwanza-Sul tem uma grande diversificação de espécies, porque inclui uma extensa área da costa marítima e zonas rurais que partilham zonas  de cultivo e florestas com excelentes condições para a exploração de madeira
 Apesar dos esforços feitos pelas estruturas ligadas ao sector do Ambiente, os programas e planos começam mas não terminam ou nunca saem do papel.
Das acções mais nefastas do homem contra a natureza no Kwanza-Sul destacam-se as queimadas para a caça, os abates indiscriminados nas florestas para exploração de madeira e fabrico de carvão, exploração anárquica de pedreiras, extracção ilegal de areias e a falta de consciência ambiental das pessoas que se dedicam a estas actividades, quase sempre sem licença.
  No Kwanza-Sul, as autoridades locais têm desenvolvido esforços para identificar os estragos causados ao meio ambiente durante a guerra e traçaram um vasto programa que contempla toda a província, com acções combinadas entre o sector estatal, privado, organizações da sociedade civil e população em geral.
A directora provincial do Kwanza-Sul do Urbanismo e Ambiente, Madalena Domingos Bernardo, informou que o governo provincial tem para este ano um vasto programa, que se enquadra nas normas ambientais vigentes no país.
O programa está a ser executado nos municípios e compreende acções de fiscalização de empreendimentos e projectos industriais na província, programas de preservação de espécies marinhas, sobretudo da tartaruga gigante, materialização dos princípios orientadores que visem a limpeza das praias e a sensibilização das populações que se dedicam à exploração de inertes sobre as consequências da erosão dos solos.
 O programa contempla ainda acções viradas para a florestação das áreas devastadas em consequência da guerra, divulgação da lei base sobre o Ambiente, sensibilização das comunidades para as penalizações à caça furtiva e modalidades de preservação da biodiversidade terrestre.
A grande contrariedade, segundo a directora do Urbanismo e Ambiente, Madalena Domingos Bernardo, reside na falta de dinheiro para executar as acções e o acompanhamento do programa pelos técnicos do Ambiente. Para obrigar ao cumprimento das leis que protegem o ambiente é necessária uma fiscalização intensa que no Kwanza-Sul é difícil por falta de fiscais para o serviço.
 
Reservas fundiárias

Sobre os projectos de construção imobiliária nas reservas fundiárias, a directora do Urbanismo e Ambiente garantiu que foram feitos estudos sobre a avaliação dos impactos ambientais.
 “Foram efectuados estudos sobre os impactos ambientais para a execução de projectos de construção de casas nas reservas fundiárias do Estado delimitadas em toda a província e vamos continuar noutras áreas em que a implantação de infra-estruturas não obedeceu a esses critérios”, declarou.
As reservas fundiárias permitiram aos governos provinciais a criação de uma bolsa de terrenos, essencial para controlar os preços dos terrenos urbanizados. Mas o aspecto mais importante tem a ver com o ordenamento do território. O fim do caos urbanístico vai permitir avançar com projectos viáveis e proteger o ambiente de uma pressão humana nociva. O chefe de departamento da Direcção Provincial do Urbanismo e Ambiente, José Tunguno João, disse ao Jornal de Angola que muitas empresas ainda teimam em não colaborar com as autoridades quanto à elaboração de estudos de impacto ambiental. Essa situação tem de ser enfrentada com determinação porque construir sem regras é um dos piores problemas do Ambiente.
 José Tunguno João disse que “é um processo novo e os responsáveis das empresas do sector privado vão compreendendo as razões para essas exigências que regem as normas internacionais”.
O responsável do Ambiente apontou as modalidades de recolha e tratamento do lixo praticadas na província como sendo um verdadeiro atentado ao ambiente e à saúde pública: “estamos preocupados com a forma como o lixo é recolhido nas cidades e bairros e o seu destino final, práticas que temos de inverter”.
 José Tunguno João mencionou as cidades do litoral da província, Sumbe e Porto Amboim, como sendo as que precisam de mais intervenção, desde a contenção da erosão dos solos, que passa pele continuidade do processo de arborização, e disciplinar a extracção de inertes em locais críticos.
 
Luta contra desertificação
 
O Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) está a desenvolver um projecto que prevê plantar árvores em 50 mil hectares no período de dez anos. Na província do Kwanza-Sul, o instituto tem condições para responder às incumbências do projecto.
 De acordo com o chefe de divisão do Instituto de Desenvolvimento Florestal no Kwanza-Sul, Domingos Vunge Francisco, foi criado na província um viveiro com oito naves e capacidade de 60 mil mudas cada, com as espécies neem, Prozzopis, acácias, fruteiras e outras árvores. Outro viveiro está implantado na cidade do Wako Kungo para atender os municípios de Cassongue, Quibala e Mussende.
 Para o chefe de divisão florestal, as estratégias traçadas na província respondem às necessidades em termos de arborização em todos os locais críticos para defender o solo das erosões.  A par dos esforços do Instituto de Desenvolvimento Florestal e dos parceiros sociais, Domingos Vunge salientou as responsabilidades atribuídas aos madeireiros na reposição de árvores em locais que exploram e da contribuição dos exploradores de carvão com sementes de todas as espécies.
 “Há um esquema montado para que tenhamos os êxitos preconizados e os indicadores apontam para bons resultados”, garantiu Domingos Vunge.
A florestação nas zonas autorizadas de exploração de madeira é obrigatória porque sem reposição das espécies, em pouco tempo acontece a desertificação e de seguida a erosa dos solos.
 
Invasão de animais
 
Domingos Vunge explicou que especialistas concluíram que os animais selvagens que ultimamente têm invadido lavras e aldeias procuram os seus anteriores habitats, fruto da paz que o país vive.
 Em muitas localidades as pessoas foram instalar bairros e lavras em zonas onde no passado só viviam animais, que agora sufocados e para sua defesa procuram atacar as culturas e o próprio homem.
“Os homens estão a expandir o seu raio de acção para explorar fazendas e até terras férteis onde antes da paz só viviam animais selvagens. Vendo-se sufocados, os animais agora querem passar ao ataque e temos de estudar formas de resolver esta situação, para evitar que o pior aconteça”, alertou. A vida selvagem tem de existir com a vida humana sem criar problemas às comunidades mas também sem inviabilizar a biodiversidade.
“Ao assinalarmos, a 22 do corrente mês, o Dia Mundial da Terra, temos de reflectir seriamente sobre o que devemos fazer para não comprometermos o presente e o futuro. Todos os inquilinos da Terra têm de assumir o papel de agentes de protecção ambiental, porque se o ambiente morre, então morreremos com ele”, sublinhou .

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