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Administração pede a participação dos jovens

Casimiro José | Gabela

O administrador do Amboim, Rui Miguel, lançou ontem, na cidade da Gabela, um apelo aos jovens para que se associem aos esforços do governo para a concretização dos programas que visam o desenvolvimento socioeconómico do município.

O administrador do Amboim considera urgente a adopção de medidas para repor o normal fornecimento da água
Fotografia: Casimiro José

O administrador do Amboim, Rui Miguel, lançou ontem, na cidade da Gabela, um apelo aos jovens para que se associem aos esforços do governo para a concretização dos programas que visam o desenvolvimento socioeconómico do município.
O responsável disse que o município enfrenta dificuldades de vária ordem e precisa dos esforços conjugados dos seus habitantes para ultrapassar tais problemas, principalmente os ligados aos jovens, a força motriz de qualquer sociedade. O administrador do Amboim apontou o sector social como o que mais carece de investimentos imediatos, para se dar resposta aos anseios das populações.
Os sectores da saúde e da educação, disse Rui Miguel, precisam de reajustes em termos de aplicação dos recursos humanos e financeiros, sublinhando que as verbas que lhe são destinadas têm de atenuar as dificuldades, ao contrário do que acontece na prática.
O Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza e um outro relacionado com os cuidados primários contemplam quotas financeiras para os sectores da saúde e educação, mas, de acordo com o administrador, ainda não foi conseguida a eficácia esperada, devido à má aplicação desses recursos.
No caso particular do sector da educação, defendeu a necessidade da desburocratização da área, sublinhando que a sede do município concentra um maior número de professores, em detrimento da zona rural, que enfrenta uma grande crise de quadros.
O sector tem uma rede de 25 escolas de carácter definitivo e 24 de construção provisória, frequentadas por um total de 381.744 alunos da iniciação à 12ª classe. No entanto, e apesar de dispor de 1.123 professores, estes não são suficientes para dar resposta às necessidades, o mesmo acontecendo com os estabelecimentos escolares, deixando de fora do sistema 6.258 crianças.
Quanto à saúde, a rede sanitária compreende dois hospitais municipais, sendo um na sede e outro na Boa Entrada, seis centros de saúde, 11 postos de saúde e cinco móveis do PAV. O corpo clínico é constituído por 13 médicos, dos quais apenas dois nacionais, e 175 enfermeiros.
 
Distribuição de água

Sobre a produção e distribuição de água potável, Rui Miguel reconheceu a pouca oferta, devido à fraca capacidade instalada, desde a era colonial. A Gabela, apesar de possuir um rio que passa pelo centro da cidade, tem moradores com grandes necessidades, em termos de consumo de água, por aquela localidade estar ainda a utilizar o sistema antigo de distribuição.
Em termos de bombagem, o referido sistema tem capacidade para bombear 90 metros cúbicos por hora. Para aumentar o seu alcance, a administração adquiriu duas bombas que podem despejar 140 metros cúbicos cada uma e que vão trabalhar, de forma intercalada, 24 horas por dia.
O administrador do Amboim considera urgente a adopção de medidas para repor o normal fornecimento da água potável aos munícipes, razão pela qual o exercício económico do próximo ano vai dar prioridade a essa área, principalmente à substituição da rede de distribuição, que se encontra degradada.
 
Sector privado

Rui Miguel defende um maior dinamismo por parte do sector empresarial privado na execução de bens e serviços, que possam gerar mais postos de trabalho e lamentou o facto de existir ainda uma certa letargia por parte de muitos empresários que, mesmo com as infra-estruturas disponíveis, pouco ou nada fazem em prol dos munícipes.
A falta de créditos é, na sua opinião, uma das causas principais da fraca intervenção dos operadores económicos do sector privado, mas aconselha espírito empreendedor aos proprietários das unidades de produção.
Para alargar a rede bancária no município, garantiu que estão a ser feitos esforços para atrair mais agências de bancos comerciais, estando em obras a agência do Banco Internacional de Crédito (BIC) e está a ser negociada a instalação das balcões do Banco de Negócios Internacional (BNI) e Banco Africano de Investimentos (BAI).
Outra aposta tem a ver com o controlo de qualidade dos produtos comercializados no município e a reparação das vias secundárias e terciárias, para permitir o fomento do comércio rural.  Rui Miguel falou igualmente dos esforços a nível da atracção de investidores do ramo da indústria transformadora, para que possa absorver a produção local e o relançamento da produção do café.

Agricultura e comércio
 
O município do Amboim é potencialmente agrícola, possuindo solos férteis para o cultivo de milho, feijão, ginguba, batata rena e doce, banana. Tem um clima que favorece a cultura do café que, depois de tempos pouco abonatórios, começa a ser relançado. Das 170 associações de camponesas existentes no município, apenas estão em funcionamento 135. Existem também 22 cooperativas e 341 empresas agrícolas.
As autoridades dizem que a grande preocupação se prende com a falta de apoios em sementes melhoradas, fertilizantes e pesticidas, para evitar que os produtores recorram ao mercado informal, onde os preços são altos.
Com uma superfície de 1.027 quilómetros quadrados, o município do Amboim conta com uma população estimada em 208.089 habitantes. A sua divisão administrativa corresponde a duas comunas, sendo a sede e o Assango, com três áreas administrativas: Salinas, Honga e Boa Entrada.

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