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Administradora apela ao investimento na região

Casimiro José | São Lucas

A sede da administração comunal de São Lucas, a 54 quilómetros da sede municipal do Mussende, no Kwanza-Sul, precisa de recuperar infra-estruturas e outros serviços para devolver aos habitantes uma vida condigna, disse, ao Jornal de Angola, a administradora comunal adjunta.

Isaura Floriano administradora adjunta
Fotografia: Casimiro José

A sede da administração comunal de São Lucas, a 54 quilómetros da sede municipal do Mussende, no Kwanza-Sul, precisa de recuperar infra-estruturas e outros serviços para devolver aos habitantes uma vida condigna, disse, ao Jornal de Angola, a administradora comunal adjunta.
Isaura Floriano afirmou que as populações enfrentam enormes dificuldades, desde a falta de sementes melhoradas, fertilizantes, pesticidas e tractores para lavoura à energia eléctrica domiciliária e pública.
A comuna enfrenta, ainda, dificuldades relacionadas com a falta de infra-estruturas escolares, hospitais, professores, enfermeiros, ambulâncias e estabelecimentos comerciais. Sem lojas, adquirir produtos como sabão, óleo alimentar, petróleo iluminante e outros bens de primeira necessidade é uma verdadeira odisseia.
Outras situações que preocupam as autoridades comunais de São Lucas são a degradação da via de acesso que a liga com à sede do município e a falta de água potável canalizada. Apesar de estar instalado um sistema solar, que vai abastecendo, ao rolanti, alguns serviços da comuna, São Lucas precisa urgentemente de grupos geradores para alimentar as pequenas iniciativas locais de indústrias transformadoras.
A comuna dispõe dos serviços de “liga-liga” da Angola Telecom, mas precisa de uma operadora de telefonia móvel para comunicar com o resto do país e do mundo.
A ideia de inverter o quadro prevalece e constitui “cavalo de batalha” da administração comunal, mas a falta de recursos financeiros tem adiado essa boa intenção.
As estruturas da administração comunal, salientou a administradora, estão degradadas e exigem urgente reabilitação para garantir o funcionamento do poder local do Estado.
Isaura Floriano pede, por isso, aos empresários nacionais que identifiquem as oportunidades de investimentos que possam gerar empregos e responder às necessidades dos habitantes da região.
“Na comuna falta quase tudo e o Governo sozinho não consegue fazer frente aos problemas das populações”, alertou, adiantando:
“Por isso, lançamos um veemente apelo para virem investirem na comuna que mais sofreu com a guerra”, frisou.
 
Saúde e educação
 
São Lucas, com 12.500 habitantes, tem dois postos de saúde, oito enfermeiros formados auxiliados por monitores locais e uma prestação de serviços muito aquém das necessidades.
As doenças mais frequentes na comuna são a malária, as diarreicas e respiratórias agudas, infecções urinárias, parasitoses intestinais, infecções da pele, conjuntivite e gastrites.
A viragem da página no sector da saúde está para breve, pois estão em fase de conclusão as obras de um centro médico, construído através de um programa do Ministério da Saúde.
O sector da educação também está mergulhado em grandes dificuldades. A comuna dispõe apenas uma escola digna desse nome - construída no âmbito da execução do Programa Geral de Desmobilização e Reintegração dos Ex-militares. As outras são de construção precária, à base de capim, pau-a-pique e de outros recursos locais.
No presente ano lectivo há 1.874 alunos e estão em efectivo serviço 41 professores, que leccionam da iniciação ao primeiro ciclo.
 Por falta de professores e escolas, estão fora do sistema de ensino 807 crianças, dos 6 aos 13 anos.
 
Agricultura e pecuária
 
Os habitantes da comuna de São Lucas dedicam-se à pecuária familiar, com 62 cabeças de gado bovino, e à agricultura de subsistência.
A administradora comunal afirmou que as colheitas este ano foram razoáveis, tendo sido colhidas 12 mil toneladas de produtos diversos. A representação da agricultura tem 2.720 famílias registadas distribuídas em associações de camponeses.
A administradora comunal mostrou-se confiante quanto à mudança do cenário de dificuldades, sublinhando que o Governo está empenhado na procura de soluções para a melhoria das condições de vida das populações.
“Temos esperanças de ver resolvidos os problemas que afligem as populações da comuna, pois o Programa de Investimentos Públicos (PIP), traçado para o presente ano, contempla acções que vão mudar o actual quadro”, frisou, lembrando que “os estragos causados pelo conflito armado foram enormes nesta circunscrição” e que “a reconstrução vai exigir enormes recursos financeiros, empenho de todas as forças vivas e tempo”.
 Isaura Floriano pediu à sociedade civil e às igrejas que se unam esforços do Governo na identificação e solução dos problemas que afectam a população de São Lucas.

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