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Aumenta produção na fazenda Vralelo

Casimiro José | Sumbe

A fazenda agrícola Vralelo, criada em Junho do ano passado, impulsionou o desenvolvimento agrário, a assistência técnica aos camponeses e criou empregos na região de Pambangala, no Kwanza-Sul.

Plantação de girassol e milho fazem da Fazenda Vralelo pioneira na substituição de importação de sementes pela produção nacional
Fotografia: Casimiro José

A fazenda agrícola Vralelo, implantada em Junho do ano passado, impulsionou o desenvolvimento agrário, a assistência técnica aos camponeses e criou empregos na região de Pambangala, município de Cassongue, província do Kwanza-Sul.
Com uma extensão de 185 hectares, dos quais 127 já trabalhados, a fazenda dedica-se à produção de milho, feijão e horticultura e tem em carteira a produção de mel e a comercialização de frutos silvestres, nomeadamente “loengos” e “lumbuluas”, que são muito apreciados.
Para a concretização do projecto da produção do mel, foram adquiridas 20 colmeias em Portugal e decorre o processo de recrutamento de apicultores locais com larga experiência.
O projecto garantiu o primeiro emprego a dez pessoas, enquanto 80 a 90 têm assegurado emprego indirecto. Os responsáveis da fazenda prestam igualmente assistência técnica aos camponeses da região.
A fazenda conta com um parque de máquinas e equipamentos para a lavoura, entre tractores e alfaias, nomeadamente sistemas de cultivo, de adubação e ceifeiras debulhadoras. A rega era garantida por aspersão, devido ao declive do terreno.
De acordo com o gerente, Fernando Leão, na presente campanha agrícola foram colhidas 100 toneladas de feijão, mas a grande preocupação é a falta de sacos para escoar os produtos para os locais de consumo.
No âmbito da política do Executivo de redução das importações de sementes, a fazenda Vralelo pretende produzir sementes de cereais melhoradas e trabalha em estreita colaboração com a Direcção-Geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA).
Fernando Leão defende que a substituição de importação de sementes pela produção nacional é possível, desde que os produtores primem pela qualidade e ao mesmo tempo o Executivo crie mecanismos de fiscalização.
“A substituição das sementes importadas pela produção nacional é um processo que deve ser feito de forma gradual, desde que os produtores assumam a responsabilidade de apostar na qualidade e o Executivo fiscalize. Temos de entender que produzir sementes requer cuidado, é o mesmo que produzir medicamentos, pois se forem produzidos fora dos padrões próprios, tornam-se um autêntico veneno”, afirmou Fernando Leão.
 
Comércio rural
 
A fazenda Vralelo pretende também dar resposta às preocupações dos camponeses da região da Pambangala e do município de Cassongue no escoamento dos seus produtos para as zonas de grande consumo.
Fernando Leão disse que muitos camponeses têm dificuldades para escoar os produtos excedentes para os mercados e na tentativa de o fazerem, muitas vezes os esforços redundam em fracasso, acabando os produtos por se deteriorar.
Para ajudar os camponeses e pequenos agricultores da região, a fazenda Vralelo vai passar a comprar os seus produtos e por sua conta e risco canalizá-los para os mercados competitivos. Outro apoio dos responsáveis da fazenda aos habitantes da região é o ensino das técnicas de utilização de fertilizantes e pesticidas na lavoura das suas lavras, contribuindo para o aumento da produção.
 
Custos elevados
 
O gerente da Fazenda Vralelo, Fernando Leão, disse que a relação com os camponeses surge como consequência lógica do desenvolvimento da actividade agrícola, que requer intervenientes, onde cada um deve jogar o seu papel em coordenação com os outros. Referiu que o péssimo estado das vias secundárias e terciárias e respectivas pontes constitui um “handicap” para as operações de aquisição de combustíveis e escoamento de produtos para os mercados.
Outra preocupação apontada por Fernando Leão reside nos custos dos fertilizantes e pesticidas, que são muito altos e estão, por isso, fora do alcance dos camponeses. Fernando Leão defende que o Governo devia desagravar as taxas aduaneiras, para que os fertilizantes cheguem ao mercado nacional a preços comportáveis.
 
 Impactos na região

A implantação da fazenda trouxe para a região muitos benefícios às populações, a começar pela criação de empregos e a introdução de modernas técnicas agrícolas. De acordo com os responsáveis da fazenda Vralelo, está em carteira a construção de infra-estruturas sociais para os trabalhadores e para as comunidades.
A engenheira agrónoma Amada Carmenates, de nacionalidade cubana, que se encontra há dois meses na fazenda, está satisfeita com o trabalho na fazenda e, sobretudo, com as características dos solos.
“Desde que estou aqui verifiquei que se trata de um empreendimento que está apostado em desenvolver o país. Outra satisfação é ver a força de vontade manifestada pelos jovens que aqui trabalham”, disse a engenheira agrónoma.
Manuel Frederico Miguel trabalha na fazenda Vralelo desde a sua implantação e está satisfeito com o emprego porque o dinheiro que ganha dá para sustentar a família.
O administrador comunal da Pambangala, Estêvão Lungala, disse ao nosso jornal que a implantação da fazenda Vralelo constitui um grande ganho para as populações, tendo em conta o seu potencial em quadros técnicos, equipamentos e técnicas agrárias.
Segundo Estêvão Lungala, “a fazenda Vralelo tem tudo para desenvolver a região de Pambangala e relançar o comércio rural e isso vai facilitar a vida dos camponeses”.
Para o administrador comunal, projectos como o de Vralelo deviam ser desenvolvidos em outras regiões do país,  por o sector da agricultura ser aquele que mais  empregos cria.
“Os angolanos são maioritariamente camponeses e se projectos desta natureza forem executados um pouco por toda Angola, mais gente vai ter emprego e as nossascidades  melhor alimentadas e menos povoadas, como acontece actualmente”, declarou o administrador Estêvão Lungala.

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