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Cabuta à espera da recuperação das fazendas

Casimiro José| Calulo

O administrador comunal de Cabuta, Manuel Pedro, revelou que estão a ser feitos esforços para vencer as barreiras que impedem a localidade de ganhar um novo impulso rumo ao desenvolvimento.

Administrador comunal Manuel Pedro
Fotografia: Casimiro José| Calulo

O administrador comunal de Cabuta, Manuel Pedro, revelou que estão a ser feitos esforços para vencer as barreiras que impedem a localidade de ganhar um novo impulso rumo ao desenvolvimento.
Situada a 25 quilómetros da vila de Calulo, sede administrativa do município do Libolo, Cabuta tem um passado histórico. Foi aqui que existiu a base central dos combatentes da SWAPO durante a luta contra a ocupação da Namíbia pelo regime do apartheid.
O administrador Manuel Pedro informou que a comuna tem 30 fazendas de café e palmares, mas apenas seis estão operacionais. Uma cifra bastante baixa para gerar empregos. Por isso pediu aos proprietários das fazendas abandonadas para encontrarem vias que as tornem produtivas. A degradação das vias de acesso constitui um entrave para o desenvolvimento rápido da comuna, e por isso, o potencial agro-pecuário está longe de gerar riqueza para suprir as necessidades das populações. Em muitas localidades da comuna há falta de bens de primeira necessidade, como sabão, óleo, petróleo iluminante e outros bens indispensáveis.
Muitos empresários com pretensão de investir na região não o fazem porque as vias de acesso à comuna de Cabuta estão em mau estado. Mesmo assim, o administrador Manuel Pedro pede à classe empresarial para investir na região para criar empregos e aumentar a oferta de serviços, visando o seu desenvolvimento social e económico.
“Estamos preocupados com a falta de investidores na região, porque muitos jovens, na ânsia de satisfazerem as suas necessidades, vão para a sede do município ou noutras localidades da província em busca de emprego. E a comuna vai ficando despovoada da sua força activa”, disse o administrador.
Um dos grandes ganhos que a comuna teve recentemente, acrescentou, está no sector das telecomunicações, com a instalação dos serviços das operadoras de telefonia móvel Unitel e Movicel.
 Manuel Pedro disse que a corrente eléctrica vai deixar de constituir problema, já que foi instalada uma linha de baixa tensão a partir da sede municipal até à comuna de Cabuta e que a qualquer momento entra em funcionamento.
O administrador Manuel Pedro considera que, uma vez concluído o projecto, a comuna vai ganhar um impulso importante no sector agro-industrial. Actualmente a comuna beneficia de energia eléctrica graças a dois grupos geradores. 
No domínio agrícola, a comuna de Cabuta foi bem sucedida, tendo as colheitas de cereais e tubérculos ultrapassado as expectativas. Segundo as autoridades, as chuvas caíram de forma regular e a fome faz parte do passado. Porém, o escoamento dos produtos para os mercados não tem sido tarefa fácil, dada a situação das vias.
A comuna não tem instalado um sistema de água canalizada. É graças ao projecto de abertura de furos, desenvolvido pela Administração Municipal do Libolo, no quadro do programa integrado de desenvolvimento rural e combate à pobreza, que a população beneficia de água, segundo o administrador.

Saúde e educação
 
Os sectores da saúde e da educação na comuna de Cabuta enfrentam dificuldades.
Quanto ao sector da saúde, existem na comuna um centro médico e um posto de saúde, insuficientes para atender os 12.960 habitantes. Apenas dois enfermeiros trabalham na localidade. No sector da educação, a situação é regular. Cabuta tem dez escolas, das quais nove de construção definitiva que leccionam da iniciação à sexta classe. Este ano lectivo, segundo Manuel Pedro, estão matriculados 2.721 alunos e há 44 professores.
Por falta de escolas e professores, ainda estão fora do sistema de ensino 1.181 crianças em idade escolar. O ensino de adultos chega a 470 homens e mulheres, através do projecto “Sim eu Posso”.
 
Locais turísticos

A comuna de Cabuta tem quatro locais de interesse turístico, Miradouro, Caculo Cabaça, Tanda do Luha e a ponte sobre o rio Kunza. Todos precisam de reabilitação profunda. O administrador comunal, Manuel Pedro disse que já existem iniciativas de alguns empresários do sector do turismo para reabilitar alguns locais, que considerou um grande impulso para o desenvolvimento da comuna.
O administrador Manuel Pedro informou que estão em carteira, para este ano, a abertura de mais furos para abastecimento de água potável às populações, reabilitação doutros empreendimentos sociais degradados e construção do sistema de iluminação pública.
Outro desafio é atrair quadros para elevar a qualidade do aparelho administrativo e enquadrar mais professores e enfermeiros para responder às necessidades das populações da região.
A comuna de Cabuta tem uma superfície de 1.671 quilómetros qua­drados. É constituída por sete banzas e 32 aldeias, com uma população estimada em 12.960 habitantes que maioritariamente se dedica à agro-pecuária.

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