Províncias

Caça clandestina e exploração de madeira põem em perigo o equilíbrio do ambiente

Casimiro José|Gabela

A caça clandestina e a exploração da madeira feita de forma ilegal no município do Amboim, Kwanza-Sul, põe em risco o equilíbrio ecológico na região, disse ontem ao Jornal de Angola o chefe da secção municipal de fiscalização do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF).

Um dos factores que também concorre para o derrube de árvores tem a ver com a abertura de lavras pelos camponeses
Fotografia: Casimiro José

A caça clandestina e a exploração da madeira feita de forma ilegal no município do Amboim, Kwanza-Sul, põe em risco o equilíbrio ecológico na região, disse ontem ao Jornal de Angola o chefe da secção municipal de fiscalização do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF).
João Aberto manifestou a sua preocupação face ao aumento dos caçadores furtivos e exploradores de madeira, porque matam animais indiscriminadamente e a devastam as matas pondo em risco o equilíbrio ecológico na região.
As localidades de Salinas, Honga e Zâmbia são as áreas mais atingidas. A procura do lucro fácil e a pobreza são apontados por João Alberto como factores que concorrem para a prática da exploração ilegal de madeira.
“A contenção de tais práticas tardam a chegar, devido ao reduzido número de efectivos e a falta de meios para a fiscalização”, disse João Alberto.
Para a exploração legal de madeira e de carvão, referiu, foram licenciados até ao momento nove concessionários. Exercem a sua actividade no município do Amboim e cumprem as normas estabelecidas. Mas os chamados “garimpeiros” de madeira fazem-no de forma anárquica até em locais críticos.
“Licenciámos nove concessionários no município do Amboim que fazem a exploração seguindo as normas estabelecidas pela política florestal, vigente. A exploração ilegal acontece porque numa extensão de 1.027 quilómetros quadrados, apenas existem cinco fiscais”, afirmou João Alberto.
Para a cobertura do município do Amboim são necessários mais 12 fiscais e tudo depende da realização de concurso público. Um dos factores que também concorre para o derrube de árvores tem a ver com a abertura de lavras pelos camponeses. O chefe de secção do Instituto de Desenvolvimento Florestal esclareceu que, está em vista a criação de espaços protegidos para defender o equilíbrio ecológico na região. João Alberto defende a criação de espaços protegidos “para mitigarmos os impactos negativos sobre o ambiente que. Essa solução passa pela elaboração de legislação florestal, uma vez que as normas actuais, estão desajustados da realidade do país”.
O derrube das árvores na região do Amboim começa a provocar consequências ambientais, registando-se irregularidade de chuvas e a mudança do clima em muitas localidades do município.
João Alberto admitiu que há mudanças climatéricas bruscas, fortes ventos, principalmente na época das chuvas, que acabam por danificar tectos de casas, além de causarem outros estragos.
“Não devemos esperar que aconteçam coisas piores para a nossa existência, pois, já sentimos as consequências do derrube de árvores. Basta vermos que na época das chuvas temos fortes tempestades e o clima varia de forma inesperada”, disse.Em relação a caça furtiva, o chefe de secção do Instituto de Desenvolvimento Florestal revelou que a existência dos seres vivos na natureza se rege por uma cadeia alimentar, sem prejuízo de nenhuma espécie, acrescentando que “a extinção de uma dada espécie provoca desequilíbrios”.
João Alberto assegurou a adopção de medidas e o reforço do sistema de fiscalização que conta com a colaboração da Polícia Nacional, sem descurar a colaboração da população. O município do Amboim está disposto a acabar com a caça furtiva porque provoca graves danos às comunidades locais.

Repovoamento florestal

A secção de fiscalização do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Amboim já tem concebido um programa de repovoamento, principalmente nas zonas consideradas críticas. Em 2008, numa parceria entre a instituição e o Instituto Nacional do Café (INCA), foi criado um viveiro na periferia da cidade da Gabela, com 140 mil plantas de várias espécies.
Face à desflorestação, está a ser executado um programa com os concessionários e as comunidades que compreende as campanhas de sensibilização sobre os perigos do corte indiscriminados de árvores, queimadas e caça furtiva.
Outras acções vão incidir na plantação de árvores e sessões de esclarecimento sobre os impactos negativos, resultantes da degradação ambiental.
O responsável do Instituto de Desenvolvimento Florestal pede às populações para acatarem as normas sobre a exploração florestal e disse que a conservação da natureza não diz respeito apenas à sua instituição, mas sim a toda a sociedade.

Tempo

Multimédia