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Calungulungo com mais escolas e água potável

Casimiro José | Wako Kungo

A  Associação Cristã da Mocidade (ACM), no Kwanza-Sul, procedeu no sábado à entrega de empreendimentos sociais ligados à educação e abastecimento de água potável às comunidades de Calungulungo, Lussala e Pira-Kungo, a 36 quilómetros da cidade do Wako-Kungo.

Vista frontal da escola primária construída na aldeia Pira-Kungo com capacidade para albergar 400 alunos
Fotografia: Casimiro José

A  Associação Cristã da Mocidade (ACM), no Kwanza-Sul, procedeu no sábado à entrega de empreendimentos sociais ligados à educação e abastecimento de água potável às comunidades de Calungulungo, Lussala e Pira-Kungo, a 36 quilómetros da cidade do Wako-Kungo, em cerimónia testemunhada pelas autoridades do município da Cela.
Trata-se de uma escola primária com três salas de aulas, construída de raiz, completamente apetrechada com carteiras e quadros, uma sala para professores, gabinete do director e quarto de banho, cinco poços melhorados, dois chafarizes e duas lavandarias, num projecto que teve a duração de um ano e contou com o financiamento da Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN) e da Christian Aid. O projecto de água, financiado pela AIN, custou um total de 53.024 dólares, enquanto a construção da escola, financiada pela Christian Aid, custou 70 mil dólares, incluindo os apetrechos.
Os empreendimentos vão beneficiar 1.251 habitantes com água potável e cerca de 400 alunos vão poder frequentar as aulas em condições mais dignas.
O corte da fita coube ao chefe da Repartição da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia do município da Cela, Cruz Sabalo, em representação do administrador municipal, Isaías Bumba Luciano.
De acordo com o soba do bairro Calungulungo, José Baptista Umba, a implantação de poços de água melhorados põe fim ao calvário por que passavam as mulheres, que eram obrigadas a percorrer mais de três quilómetros para ir buscar água, além, é claro, de a dos riachos por elas acartada não ser tratada, o que provocava inúmeras doenças aos habitantes da aldeia.
“Hoje, estamos muito satisfeitos, porque os poços melhorados vão abastecer as populações de água com qualidade para se beber, cozinhar os alimentos, lavar a roupa ou para outros fins. As nossas mamãs e filhas iam buscar a água muito longe e, além disso, a água dos riachos provocava sarnas, febre tifóide e diarreias, mas a partir de agora o sofrimento passou”, disse o ancião visivelmente satisfeito.
Além de passarem a usufruir de água potável e reduzirem os seus esforços quotidianos, as mulheres da comunidade louvaram a iniciativa da Associação Cristã da Mocidade por ali ter construído lavandarias, que lhes vão retirar o peso de serem obrigadas a ir ao rio para lavar a roupa.
Bernarda Angelino, habitante do bairro Lussala, disse à reportagem do Jornal de Angola que a construção de chafarizes e lavandarias foi uma acção acertada e veio atenuar o sofrimento de carregar água percorrendo longas distâncias.
“Deus iluminou a ACM para construir estes bens no nosso bairro, porque nunca tivemos, desde que estamos aqui, nada disso. Eu vivo aqui há 27 anos e é a primeira vez que vejo esses bens”, frisou.
Paula Domingos, de 20 anos, também se mostrou satisfeita e agradecida com a inauguração dos empreendimentos sociais, considerados por ela como o começo de uma nova vida na comunidade. “Eu vejo isto como um sonho, porque quando os responsáveis da ACM vieram aqui pela primeira vez e nos perguntaram sobre a possibilidade de construírem o que temos hoje, achámos que era apenas mais uma promessa e, hoje, temos em mãos o que necessitávamos”, rematou visivelmente satisfeita.
Os petizes também manifestaram a sua alegria pela construção de uma escola primária na comunidade. Antes estudavam nas capelas e em condições difíceis. Daniel Armando, com 14 anos, manifestou-se grato com a nova escola construída na sua aldeia. Segundo ele, com as condições postas à disposição, muitas crianças que antes se furtavam a assistir às aulas vão deixar de o fazer. Maria Domingos é outra aluna que não escondeu a sua satisfação e referiu que “a construção da primeira escola na área significa que não estamos esquecidos”.

Gestão dos empreendimentos

Para evitar a deterioração dos poços, lavandarias e chafarizes, a ACM e os seus parceiros constituíram nas comunidades beneficiárias Grupos de Água e Saneamento (GAS), que têm a responsabilidade de zelar pela sua conservação e reportarem àqueles que implementaram o projecto eventuais avarias que possam surgir e que requeiram intervenção profunda. Mas, para resolverem questões ligeiras, os GAS poderão fazê-lo com recursos locais.
Para capacitar os grupos em termos de intervenção, os moradores concordaram numa contribuição mensal de 50 kwanzas por família, valores que vão ser geridos pelo coordenador de cada grupo. Pedro Eusébio, um desses coordenadores, disse ao nosso jornal que os moradores responderam com entusiasmo às contribuições que vão servir para a manutenção dos bens ora doados.
No acto da entrega dos empreendimentos, o director de Finanças da Associação Cristã da Mocidade, Luís Cafumana, que representou o presidente de direcção da organização, afirmou que terminado o conflito armado em Angola, as acções da ACM estão viradas para projectos comunitários e a entrega daqueles empreendimentos testemunha o facto.
“Durante o conflito armado, incidimos as nossas acções nas ajudas de emergência aos deslocados e pessoas carenciadas, mas nesta fase de reconstrução do país, a ACM não abdicou das suas acções junto das populações do meio rural, na identificação e implementação de projectos que respondem às necessidades básicas”, referiu.
O director financeiro da ACM defendeu a necessidade de o Governo angolano prestar apoios às organizações nacionais que, na sua acção, dão resposta aos problemas que afligem as populações, justificando que “seria de todo gratificante se, para além das doações estrangeiras, houvesse complemento por parte do Governo”.
Luís Cafumana garantiu que a sua organização vai continuar a identificar e implementar projectos, de forma a minimizar as carências que se fazem sentir no meio rural, e lançou um apelo às Organizações Não-Governamentais que operam na província do Kwanza-Sul a caminharem na mesma senda.

Comunidade reconhecida

Numa mensagem lida por ocasião do acto inaugural, as comunidades beneficiárias manifestaram a sua alegria pelos empreendimentos construídos pela ACM em parceria com outras organizações e prometem conservar com carinho tudo o que receberam.
“Estamos muito satisfeitos com as obras recebidas hoje e transmitimos os agradecimentos das mulheres dos nossos bairros que, para acartar água tinham de percorrer grandes distâncias, enquanto as nossas crianças frequentavam aulas nas capelas. Reafirmamos aqui que vamos cuidar dos bens para durarem mais tempo”, lê-se na missiva.
O chefe da Repartição Municipal da Educação, Cruz Sabalo, que representou o administrador do município da Cela, afirmou que “o Governo sempre contou com os seus parceiros sociais na materialização dos projectos de oferta e melhoria das condições sociais básicas das populações, e a entrega dos empreendimentos às comunidades de Calungulungo, Lussala e Pira-Kungo é a prova disso”.
Cruz Sabalo louvou o empenho dos responsáveis da ACM, desde os tempos mais difíceis, disponibilizando-se para o programa de emergência e o actual figurino das suas acções, no contexto da reconstrução nacional.
“Em nome da Administração Municipal da Cela quero transmitir o sentimento de gratidão pelos feitos da Associação Cristã da Mocidade, pelo seu empenho e dedicação, na ajuda prestada às populações, no âmbito da emergência e, hoje, com acções que se juntam aos esforços do Governo, de reconstrução nacional”, reconheceu o responsável da Educação que, no final, apelou à conservação dos bens para que tenham muito tempo de utilidade.

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