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Cidade de Wako Kungo na rota do progresso

Casimiro José | Wako Kungo

A cidade de Wako Kungo, sede do município da Cela, na província do Cuanza Sul, celebrou segunda-feira 46 anos desde a sua elevação à categoria de cidade, que ocorreu no longínquo ano de 1970, pelo então governador-geral de Angola, Camilo Augusto de Miranda Robocho Vaz, durante a vigência do sistema colonial português.

Um pormenor da cidade de Wako Kungo onde estão a ser executadas acções de vulto como a reabilitação de estradas secundárias e terciárias
Fotografia: Casimiro José | Wako Kungo

Segundo fontes orais, Waku, nome originário de Haku, significa, de acordo com a tradição da região, o bairro dos naturais de Kungu, a nomenclatura do sobado, que aportuguesado passou a chamar-se Wako Kungo.
Os portugueses chamaram-no Santa Comba, tendo em conta a semelhança, em termos climáticos, com a região de Santa Comba Dão, terra onde nasceu António Salazar. Para lhe conferir maior importância, a Cela foi, durante a vigência do sistema colonial, o maior colonato em Angola, onde famílias portuguesas se fixaram, desenvolvendo a agro-pecuária.
A actual denominação de Wako Kungo surgiu nos anos 1977/78, resultante da confluência de dois morros: o Wako e o Kungo.
As autoridades e os munícipes acreditam, a cada ano que passa, no desenvolvimento da cidade e do município em geral, com a execução de programas que incidem na melhoria das condições sociais básicas das populações.
São inúmeras as realizações que a cidade vem conhecendo nos últimos tempos, fruto das  potencialidades agro-pecuárias e turísticas de que o Wako Kungo dispõe.
A administradora do município da Cela, Amélia Agria Russo, considera que, passados 46 anos, a cidade do Wako Kungo continua a crescer, sobretudo no sector social que vai respondendo aos anseios das populações.
Entre as realizações de vulto no presente ano, a administradora Amélia Russo destacou a entrada em funcionamento de uma escola com 12 salas de aula no bairro Certeza, nos arredores do Wako Kungo, com múltiplas valências para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem, como laboratórios de química, física e de informática e um campo polidesportivo.

Outras realizações

Outras realizações que orgulham a população são a concretização dos projectos de construção de um posto de saúde na comunidade de Redondo de Nhanga, na comuna da Sanga, a  implantação dos sistemas de água nas localidades de Kixocota e Kissecula, na comuna de Kissanga Kungo, e as acções contínuas de luta anti-larval para combater o paludismo e a malária nas comunidades.
A administradora Amélia Russo destacou também as acções ligadas ao saneamento básico e o tratamento dos espaços verdes da cidade, para oferecer um ambiente salutar aos munícipes e a promoção de actividades culturais e desportivas, entre outras.
No domínio social, Amélia Agria Russo manifestou a sua preocupação devido à existência de 18 mil crianças fora do sistema do ensino, tendo garantido que o plano, para os próximos tempos, vai dar prioridade à construção de mais escolas, para inverter o actual quadro.
 “Estamos preocupados com a existência de 18 mil crianças fora do sistema normal do ensino, mas vamos trabalhar para que possamos reduzir esta cifra, uma tarefa em que contamos com os préstimos dos parceiros sociais”, disse.

Assistência médica

Quanto à assistência médica e medicamentosa às populações, a administradora da Cela considerou razoável a prestação das unidades sanitárias da região, mas adiantou que o momento actual apresenta dificuldades de vária ordem. “Estamos a prestar assistência médica e medicamentosa dentro da cabimentação de recursos financeiros, o que não tem sido fácil”, disse, para quem esforços estão a ser feitos para normalizar o atendimento às populações.  Amélia Agria Russo considerou como preocupação da administração da Cela a  reabilitação do sistema de fornecimento de corrente eléctrica à cidade, factor que dificulta o surgimento de novos serviços e a agro-indústria. Reiterou que o projecto de electrificação da cidade do Wako Kungo, a partir da subestação da Gabela, constitui uma batalha aguardada por todos. “Estamos a enfrentar inúmeras dificuldades na componente de fornecimento de corrente eléctrica, porque dependemos de grupos geradores e, com o alargamento da cidade, a capacidade dos referidos grupos não satisfaz as necessidades de todos.” Garantiu que, nos próximos tempos, a situação vai ser invertida, quando for concluído o projecto de electrificação do Wako Kungo, a partir da subestação de transformação da ENDE da Gabela.

Reabilitação de estrada

Outro desafio apontado pela administradora tem a ver com a reabilitação de estradas secundárias e terciárias, mas considerou que, para a sua concretização, a administração municipal tem de ser apoiada com um kit de reparação de estradas. “Nós não temos kits de reparação de estradas, o que nos dificulta tomarmos a iniciativa, embora a situação da degradação das vias continue a acentuar-se, para pior”, frisou.

Sector turístico

A administradora Amélia Russo considerou que a revitalização do sector turístico traz inúmeros benefícios, não só do ponto de vista de ocupação dos tempos livres, como da geração de emprego para os habitantes da região, sobretudo dos jovens, sublinhando que  “o município da Cela é destino de muitos turistas nacionais e estrangeiros, o que submete à administração municipal enormes responsabilidades de criar condições, em parceria com o sector privado, bem como o restauro de locais de atracção turística.”
A administradora municipal da Cela aproveitou a ocasião para lançar um apelo aos investidores ligados ao sector do turismo no sentido de desenvolverem acções de restauro dos locais turísticos espalhados pelo município.
Amélia Russo considera que a exploração das potencialidades turísticas vai constar nas prioridades do programa para os próximos tempos, tendo em conta os rendimentos que possam advir nas vertentes social e económica.
 “Temos potencialidades turísticas no nosso município, mas, por falta de investimentos, estão quase em estado de abandono, sem o seu real aproveitamento por parte dos munícipes e, com isso, perdemos muitas receitas, bem como oportunidades de emprego para os jovens”, frisou.
Citou como exemplos de locais turísticos que clamam por urgente reabilitação a fazenda Kungo Agrícola, o miradouro da cidade (Morro Waku), os centros emissores da TPA e da RNA, a capela do Monsanto na aldeia nº 6 e o lago dos hipopótamos, entre outros.
“Temos de trabalhar juntos para a identificação e busca de soluções dos nossos problemas”, frisou a administradora, Amélia Agria Russo.

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