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Comuna de Atome tem boas perspectivas de crescimento

Casimiro José| Atome

As autoridades e população da comuna do Atome, que fica a 75 quilómetros da sede municipal de Cassongue, na província do Kwanza-Sul, têm agora perspectivas animadoras de crescimento social e económico, com a reparação da estrada

Os trabalhos de terraplanagem estão em fase de conclusão para facilitar a circulação
Fotografia: Casimiro José| Atome

As autoridades e população da comuna do Atome, que fica a 75 quilómetros da sede municipal de Cassongue, na província do Kwanza-Sul, têm agora perspectivas animadoras de crescimento social e económico, com a reparação da estrada.
Os trabalhos de terraplanagem estão em fase de conclusão e decorrem obras noutros equipamentos da comuna de Atome.
A estrada entre Cassongue e Atome estava em péssimo estado e para percorrer os 75 quilómetros, os condutores precisavam de três a quatro horas. Com as obras de beneficiação o percurso hoje é feito em uma hora. A melhor circulação está a ter repercussão positiva na qualidade de vida das populações, porque houve um grande incremento nos negócios e os camponeses podem agora escoar os seus produtos com facilidade.
A primeira fase da empreitada está praticamente concluída. De acordo com as autoridades municipais de Cassongue, terminada a terraplanagem o passo a seguir vai ser asfaltar a via principal e concluir as obras que decorrem nas picadas da zona. A reportagem do Jornal de Angola constatou a alegria manifestada pelos camponeses que se viam e desejavam para escoar os seus produtos para os mercados de consumo, o que redundava em grandes prejuízos.
Outro motivo que alegra os habitantes da comuna de Atome é a reabilitação da estrada permitir o relançamento das trocas comerciais, com o aparecimento de mais lojas.
Hoje, existe apenas uma loja na sede comunal, cujos produtos, na ausência de concorrência, são muito caros para o poder de compra das populações locais.
O administrador comunal de Atome, Luís José da Graça, disse ao Jornal de Angola que a reabilitação da via principal que dá acesso à sede municipal é uma acção motivadora, porque outras obras vão surgir, principalmente no que toca ao transporte dos materiais de construção para a reabilitação das infra-estruturas danificadas pela guerra.
“A nossa comuna foi duramente atingida pela guerra, que não poupou as suas infra-estruturas económicas, sociais e habitacionais. Por causa da degradação da estrada era muito difícil colocar aqui os materiais de construção a um preço que estivesse ao alcance das populações. Além disso, poucas viaturas transpunham os vários obstáculos da via. Mas a partir de agora tudo vai ser mais fácil”, frisou Luís José da Graça.
O administrador da comuna de Atome pede a todos os habitantes da comuna para colaborarem com as autoridades nas acções que visam reconstruir a localidade.

Saúde e educação

O mau estado da via de acesso a Atome durou longos anos, o que criou sérios embaraços nos mais variados domínios da vida social e económica da comuna. Os sectores da saúde e da educação foram seriamente afectados nos edifícios das escolas e postos de saúde e com a debandada dos recursos humanos. A comuna tem apenas um centro de saúde e um posto médico para atender 7.575 habitantes, o que está muito aquém das necessidades. Prestam assistência às populações seis enfermeiros e periodicamente um médico do hospital municipal de Cassongue vai dar consultas a Atome.
O chefe do centro médico da comuna de Atome, Correia Baptista, disse que o abastecimento em medicamentos é regular e são atendidos, em média, 50 doentes por dia, cujas enfermidades mais frequentes são a malária, doenças respiratórias, anemias, diarreias e lepra.
A maior dificuldade, de acordo com Correia Baptista, é a falta de uma sala e equipamentos para partos, pois muitas grávidas acorrem ao centro para efectuarem os partos e os trabalhos são feitos com enormes sacrifícios. Outra preocupação, disse, Correia Baptista, é a falta de uma ambulância, o que dificulta a evacuação de doentes para o hospital municipal. Os doentes mais graves são evacuados em motociclos ou na viatura da administração. O sector da educação também vive grandes dificuldades. Na sede da comuna existe apenas uma escola de construção definitiva e para não deixar muitas crianças em idade escolar foram do sistema de ensino, as capelas e espaços improvisados são transformados em escolas.  No presente ano lectivo, disse Correia Baptista, estão matriculados 1.516 alunos da iniciação ao primeiro ciclo, cujas aulas são asseguradas por 50 professores. Por falta de mais professores e espaços, estão fora do sistema de ensino 720 crianças em idade escolar. O processo de alfabetização já é um facto e absorve 530 adultos.

Agricultura e comércio

A comuna de Atome tem potencialidades para a agro-pecuária, possuindo terras férteis para palmares e cultivo de milho, feijão, ginguba, mandioca e banana. Estão constituídas na comuna cinco associações de camponeses, mas a sua produtividade está condicionada pela falta de apoios em sementes melhoradas, fertilizantes, pesticidas e instrumentos de trabalho como enxadas, catanas e charruas.
O comércio carece de mais operadores, mas a reabilitação da estrada vai inverter o actual quadro, segundo as autoridades locais.
Os sistemas de fornecimento de água e de energia eléctrica não funcionam há muito tempo, situação que obriga os habitantes da sede comunal a percorrerem longas distâncias para obterem água, que não é potável, dos rios que circundam a comuna.
Quanto aos desafios do futuro, o administrador José Luís da Graça disse que a comuna tem em carteira, para este ano, a construção de um centro de saúde na localidade de Nguenga e a reabilitação do posto médico da Chicuca.

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