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Comuna de Assango à espera de investimentos

Casimiro José | Gabela

O administrador comunal de Assango, município do Amboim, província do Kwanza-Sul, João Armando Bordal da Silva, manifestou-se ontem preocupado com a ausência de investidores privados.

O péssimo estado das vias de acesso dificulta o escoamento dos bens do campo
Fotografia: Casimiro José

 
O administrador comunal de Assango, município do Amboim, província do Kwanza-Sul, João Armando Bordal da Silva, manifestou-se ontem preocupado com a ausência de investidores privados.
O responsável afirmou que, para além dos condicionalismos das vias de acesso que reclamam intervenção urgente, o potencial agrícola está longe de gerar riquezas para suprir as necessidades das populações. Como consequência, em muitas localidades da comuna nota-se a falta de bens de primeira necessidade, como sabão, óleo, petróleo e outros bens indispensáveis.
A comuna do Assango, situada a 21 quilómetros da cidade da Gabela, sede do município do Amboim, possui terras férteis e rios abundantes, mas está longe de atingir o desenvolvimento, devido à ausência de investimentos no ramo agrícola e noutras áreas. O estado da estrada que liga a localidade a outros pontos do município desencoraja os potenciais investidores.
Outra preocupação manifestada pelo administrador é o facto de muitas fazendas estarem ocupadas sem aproveitamento, com prejuízo para o desenvolvimento da região.
“Estamos preocupados com a falta de investidores na região, porque muitos jovens vão para a sede do município ou outras localidades da província em busca de emprego. E a comuna fica aos poucos despovoada da sua força activa”, disse.
O mau estado das vias secundárias e terciárias e respectivos pontecos dificulta o escoamento dos produtos do campo para a cidade e vice-versa. Com esta situação, disse o administrador comunal, muitos produtos dos camponeses acabam por se deteriorar nos campos de cultivo.
As estruturas administrativas foram destruídas durante o conflito armado, facto que obriga a administração a funcionar numa estrutura provisória. Bordal da Silva afirmou que a construção ou reabilitação da sede administrativa, casa protocolar e residência para a administradora adjunta afigura-se como prioridade para dignificar a acção governativa na região. 
Os habitantes de Assango são abastecidos com água potável, através do sistema de gravidade, mas a sua capacidade instalada está a perder autonomia, devido ao êxodo populacional.
O sistema de iluminação da rede pública é insuficiente, porque o único gerador de 63 KVA não consegue abastecer, ao mesmo tempo, as principais instituições e os postes públicos. Daí a necessidade de mais grupos geradores para responder à demanda.
Outra preocupação manifestada pelo administrador tem a ver com a falta de uma operadora de telefonia móvel. Os sectores da Saúde e da Educação na comuna passam igualmente por dificuldades de ordem conjuntural. A comuna possui apenas um posto médico, a funcionar numa instalação provisória, para atender 51.145 habitantes, longe de satisfazer a procura.
O administrador comunal disse que a situação se torna preocupante quando se registam casos de evacuação. Os populares recorrem às motorizadas para percorrerem 21 quilómetros até à cidade da Gabela, sede do município. As enfermidades mais frequentes são a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas.
A comuna possui sete escolas de construção definitiva e outras quatro provisórias. Para o presente ano lectivo, prestes a terminar, frequentaram as aulas 5.307 alunos, da iniciação à nona classe. Leccionam na comuna 105 professores. Por falta de escolas e de professores, estão fora do sistema de ensino 1.207 crianças.
A comuna de Assango é potencialmente agrícola, possui terras férteis para o cultivo de milho, feijão, ginguba, mandioca, palmares e banana, entre outros produtos.  A comuna tem cinco cooperativas e 43 associações de camponeses, mas a sua produtividade está condicionada devido à falta de apoios em sementes melhoradas, fertilizantes, pesticidas e instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas e charruas.

Acesso ao crédito

O acesso ao crédito não se faz sentir e, por isso, as necessidades sentidas pelos camponeses não encontram solução imediata.
O comércio possui uma rede de 14 comerciantes, dos quais poucos têm capacidade financeira para abastecerem as populações de produtos básicos.
Bordal da Silva exortou os empresários nacionais e estrangeiros no sentido de investirem na região e manifestou total apoio da administração ao processo de tramitação dos expedientes.

Desafios para 2012
 
O administrador Bordal da Silva informou que foi planificado para o próximo ano um conjunto de acções que aguardam aprovação do município.
Bordal da Silva disse que se prevê a construção de um centro médico na área de Lapala, que tem 17.650 habitantes e nenhuma unidade sanitária, bem como a construção de dois postos de saúde nas localidades de Calonga e Kicunda e respectivas residências para enfermeiros, entre outras acções no sector da Saúde.
O administrador referiu que consta também a construção de cinco escolas para atender as crianças das localidades da Nhuma, Kimuixi, Moma, Calemba e Kicunda de Baixo.
 Bordal da Silva entende que a instalação de painéis solares constituía a solução para responder às necessidades energéticas da comuna.
Outro apelo vai para a construção de uma linha de baixa tensão, a partir da subestação da Gabela.  A sede da comuna de Assango dista 21 quilómetros da sede do município do Amboim, tem uma superfície de 493 quilómetros quadrados e está constituída por três regedorias, Assango B, Calonga e Lapala, que perfazem um total de nove bairros.

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