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Comuna do Atome precisa de investidores

Casimiro José | Cassongue

A comuna do Atome, a 75 quilómetros da sede do município de Cassongue, na província do Kwanza-Sul, está muito aquém do desenvolvimento por falta de investidores, reconheceu ontem ao Jornal de Angola o seu administrador de circunscrição.

A comuna do Atome, a 75 quilómetros da sede do município de Cassongue, na província do Kwanza-Sul, está muito aquém do desenvolvimento por falta de investidores, reconheceu ontem ao Jornal de Angola o seu administrador de circunscrição.
Bernardo Cacongo Maurício considerou preocupante a situação na região e solicitou aos investidores a contribuir para o desenvolvimento da localidade, que dispõe de grandes fazendas que podem ser a garantia de emprego para os jovens da região que, por falta de oportunidade, preferem partir para outros pontos da província.
A falta de investimento privado na comuna, sobretudo ligado ao ramo agro-pecuário, tem penalizado a população, disse o responsável, perspectivando dias melhores com o trabalho de terraplenagem feito na via que liga a comuna à sede do município. No passado, referiu, a estrada apresentava uma acentuada degradação, o que, de certo modo, desencorajava os potenciais investidores, mas disse ser uma situação que faz parte do passado e a circulação faz-se com normalidade.
A reabilitação da via permitiu as trocas comerciais com as outras comunas, mas o responsável reconheceu que ainda está muito aquém das expectativas, já que a região possui somente uma loja, insuficiente para atender a demanda. 
Outra preocupação manifestada pelo administrador comunal está relacionada com a falta de instalações para a administração, residência e outras condições básicas.
“A nossa comuna foi muito atingida pelo conflito armado, que não poupou as suas infra-estruturas económicas e sociais. As estradas também não foram poupadas, o que dificultou o transporte de materiais de construção”, disse. O administrador Bernardo Maurício pede, por isso, aos empresários a investirem na região, garantindo que a administração contribui, com os meios ao seu alcance, para o desenvolvimento da comuna.  A comuna do Atome conta com um centro de saúde e um posto médico, com capacidade de 11 camas, insuficiente para atender a procura. Os serviços de saúde são assegurados por seis enfermeiros, auxiliados periodicamente por um médico do hospital municipal.
O sector da Educação também tem problemas. A comuna dispõe de uma escola de construção definitiva. Por falta de mais salas, muitos alunos recebem aulas nas capelas e espaços improvisados.
No presente ano lectivo, estão matriculados 1.520 alunos, da iniciação ao primeiro ciclo, que são assegurados por 49 professores.
Por falta de mais professores e salas, 720 crianças com idade escolar encontram-se fora do sistema normal de ensino. O processo de alfabetização já é um facto. Estão inscritos 530 alfabetizandos.
Para minimizar a carência de recursos humanos nos sectores da Saúde e Educação são necessários 15 professores e dez enfermeiros de vários escalões, bem como a construção de mais infra-estruturas.

Agricultura e comércio

A comuna do Atome é potencialmente agro-pecuária, possuindo terras férteis para o cultivo do milho, feijão, ginguba, mandioca, palmares, banana, entre outros. Na comuna existem cinco associações de camponeses, mas a sua produtividade está condicionada pela falta de apoio em sementes melhoradas, fertilizantes, pesticidas e instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas e charruas.
O comércio carece de mais operadores, mas com a reabilitação da estrada a situação pode melhorar.
Bernardo Maurício disse que do plano de acção constam a construção da sede da administração, residência protocolar, centro de saúde na localidade de Nguenga e a reabilitação do posto médico da Chicuca.
Para o presente ano foi também projectada e aprovada a construção do sistema de captação e distribuição de água potável.
Com uma superfície de 600 quilómetros quadrados, a comuna do Atome possui uma população estimada em cerca de 7.500 habitantes.

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