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Cresce o número de alfabetizados

Casimiro José | Sumbe

O processo de alfabetização no Kwanza-Sul desenvolve-se em várias localidades, com o concurso de parceiros sociais do governo, graças ao envolvimento das autoridades tradicionais.

Muitas mulheres abandonam temporariamente as suas actividades do dia-a-dia a fim de assistirem aulas de alfabetização
Fotografia: Casimiro José | Sumbe

O processo de alfabetização no Kwanza-Sul desenvolve-se em várias localidades, com o concurso de parceiros sociais do governo, graças ao envolvimento das autoridades tradicionais.
A realidade foi verificada no bairro Kinjanga, a seis quilómetros da sede da Quibala, onde a Associação Angolana para Educação de Adultos (AAEA) desenvolve um projecto de alfabetização, pelo método Reflect/APLICA, que absorve mulheres e homens.
A curiosidade dos repórteres do Jornal de Angola foi despertada, quando repararam que um dos participantes no círculo APLICA era o soba do bairro, que atende pelo nome de António Miguel.
APLICA, disse, é Alfabetização Participativa Libertadora e Instrumentada por Comunidades Actuantes.A sua adesão ao APLICA, regozijou-se, mobilizou mais participantes no bairro.
“Sou soba do bairro Kinjanga e penso que saber ler e escrever não é apenas para as crianças, mas também para os adultos, pois quando as pessoas sabem ler e escrever também mais facilmente entendem as coisas”, referiu.
Do programa APLICA constam matérias ligadas ao meio ambiente, aos cuidados curativos, ao género, ao cálculo e aos calendários agrícolas.
O soba sublinhou que os habitantes do seu bairro estão a servir-se das matérias que aprendem, sobretudo as ligadas à construção de latrinas, campanhas de limpeza e à gestão dos produtos do campo.
“Fiquei sensibilizado, quando verifiquei a forma como os primeiros participantes começaram a dinamizar acções que vieram melhorar vários aspectos do nosso bairro”, disse, garantindo:“Hoje, temos um sistema organizativo melhor do que antes”.
O soba revelou que o passo a seguir é construção de jangos para todos poderem participar nas aulas de alfabetização.
Outro exemplo da importância dos sobas no processo de alfabetização está no bairro Kapanga, município do Amboim.
O soba António Rafael declarou que, desde que foram criados os círculos do programa APLICA nos bairros que compreendem o sobado - Capanga, Pepa, Kipungo, Kilemba, Kalumbi e Contradição - os habitantes da região têm outra visão na análise dos acontecimentos do dia-a-dia.
“Sinto-me alegre porque o meu povo está a perceber melhor os fenómenos que o rodeiam, graças ao processo de alfabetização realizado pela Associação Angolana para a Educação de Adultos (AAEA)”, disse o soba António Rafael.

Calendários de saúde previnem doenças

O calendário de saúde é um guia prático, no qual os participantes enumeram doenças mais frequentes na região, em que período se fazem sentir, onde e como curar.
É um exercício que já ajudou muitas comunidades a diminuirem o surto de epidemias, que antes faziam mortes.
Quelina da Silva, facilitadora do Bairro Cambango, arredores da Quibala, afirmou, ao Jornal de Angola, que o calendário de saúde é muito importante, não só para os participantes, como para toda a comunidade.“Ultimamente, as doenças diminuem porque as pessoas já identificaram as causas de algumas, como, por exemplo, a cólera que provém do lixo”, reconheceu, afirmando que o debate sobre assuntos ligados ao saneamento do meio ambiente tem de estar na ordem do dia.

Expansão do método APLICA

O presidente de direcção da AAEA assegurou que o método APLICA produziu resultados satisfatórios em muitas comunidades em que está a ser desenvolvido.
“Temos uma avaliação positiva do método, pois os participantes das localidades envolvidas sentem que algo mudou nas suas vidas, pois não nos limitamos a habilitar as pessoas com a leitura e a escrita, fazemos com sejam também actores na identificação e solução de problemas que têm”, disse Vítor Barbosa.
Mais de cinco mil pessoas, na maioria mulheres, revelou, participam nos círculos APLICA nas províncias de Luanda, Bengo e Kwanza-Sul.
“Temos recebido muitas solicitações das autoridades administrativas e tradicionais sobre a necessidade de criarmos mais círculos, mas estamos a ponderar porque o processo requer custos e nós trabalhamos à base de doações de organizações estrangeiras”, frisou.
Algumas Organizações Não-Governamentais estrangeiras, designadamente a DVV, a ICOO, a IDIS e da União Europeia, referiu, são as que garantem os financiamentos dos programas.

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