Províncias

Criação de carreira técnica reclamada por enfermeiros

Casimiro José| Sumbe

O presidente da Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA) no Kwanza-Sul, José Caionda, considerou que a falta de implementação da carreira técnica do enfermeiro está a criar um certo desconforto no seio da classe.

O presidente da Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA) no Kwanza-Sul, José Caionda, considerou que a falta de implementação da carreira técnica do enfermeiro está a criar um certo desconforto no seio da classe.
As preocupações relacionam-se com a necessidade de uniformização dos salários e de outras condições que proporcionem uma melhor prestação de serviços por parte dos enfermeiros em todo o país.
José Caionda, que usava da palavra a propósito do 12 de Maio, dia consagrado internacionalmente ao enfermeiro, afirmou que os técnicos de saúde devem acompanhar a evolução da sociedade, apostando nas novas tecnologias disponíveis e no aumento da formação académica e técnicoprofissional.
O presidente da ORDENFA no Kwanza-Sul defendeu a implantação, nas províncias, de institutos médios e superiores de saúde, com vista a viabilizar a elevação das competências técnicas e científicas dos quadros, para melhor responderem aos desafios locais. A necessidade de uma interacção permanente entre os enfermeiros e os terapeutas tradicionais, para que a assistência médica e medicamentosa às populações seja cada vez mais qualificada, foi outro dos aspectos defendidos.
José Caionda salientou que é preciso que os enfermeiros acautelem junto dos terapeutas tradicionais as dosagens da medicação que administram aos pacientes, mas reconheceu que todos caminham de mãos dadas para o bem das comunidades.  A ocasião serviu ainda para este responsável da Ordem dos Enfermeiros convidar os profissionais a inscreverem-se naquela organização da classe, alertando que aqueles que não o fizerem vão ficar excluídos da contemplação das carteiras profissionais.
Dirigindo-se à população, José Caionda pediu às comunidades que procurem, cada vez mais, os programas de educação para a saúde, melhorem a dieta alimentar e façam o encaminhamento, em tempo útil, de todos os casos que surjam nas vilas, bairros e quarteirões.
A nível do Kwanza-Sul, o programa comemorativo do Dia Internacional do Enfermeiro vai decorrer até 30 de Maio, contemplando a realização de palestras sobre a higiene dos alimentos, construção e uso de latrinas nas zonas suburbanas e rurais, necessidade da criação de aterros sanitários, sessões de esclarecimento sobre os perigos da malária, cólera, conjuntivite e outras patologias.
O programa reserva ainda campanhas de limpeza das unidades sanitárias e comunidades, plantação de árvores, mesa redonda sobre a reconversão de carreiras no ramo da saúde, avaliação de desempenho e subsídios de turno e nocturnos.

Comemorações no Cunene

Enfermeiros de várias unidades hospitalares da cidade de Ondjiva participaram, na quarta-feira, numa palestra sobre “a humanização científica” enquadrada nas comemorações do Dia do Enfermeiro. O presidente da Ordem, Elias Ndumba, disse que falar da humanização científica é falar das “relações entre o enfermeiro e o doente, na base de um bom atendimento, no sentido técnico-científico”.
O director provincial da Saúde do Cunene revelou que a província tem cerca de 1.600 trabalhadores no sector, 1.026 dos quais são técnicos de enfermagem.
Eduardo Ayumba pediu aos enfermeiros que terminem a formação a aceitem trabalhar nas zonas onde forem colocados, pois, frisou, o profissional é aquele que não olha à distância, nem ao salário, mas ao contributo que pode dar à sociedade.  “O enfermeiro tem de ter consciência profissional, lembrar-se que fez o acto de juramento e de responsabilidade no tratamento da saúde dos pacientes”, referiu.
Além da palestra, foi celebrada uma missa em memória dos enfermeiros que perderam a vida ao serviço da população. 

* Com Adelaide Mualimusi |Ondjiva

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