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Crianças e jovens são desparasitados

Carlos Bastos | Sumbe

Uma campanha de administração de medicamentos para o combate às doenças tropicais negligenciadas vai decorrer entre os dias 22 de Fevereiro e 4 de Março, na província do Cuanza Sul, anunciou ontem o coordenador do programa de controlo das enfermidades da ONG britânica “The Mentor Initiative”.

Campanha abrange crianças e jovens dos cinco aos 15 anos com o objectivo de reduzir as infecções por doenças tropicais negligenciadas
Fotografia: Afonso Costa | Sumbe

Vasco Nuno de Carvalho disse que a campanha abrange crianças e jovens em idade escolar dos cinco aos 15 anos, com o objectivo de reduzir as infecções por doenças tropicais negligenciadas na região.
Promovida pelas direcções provinciais da Saúde e da Educação, com o apoio da The Mentor Iniciative, a campanha visa  melhorar o estado de saúde, nutricional e o desenvolvimento físico das crianças e jovens.
O responsável da “The Mentor Initiative” disse que a administração dos medicamentos vai ajudar a melhorar o desenvolvimento mental e o processo de aprendizagem das crianças e reduzir as infecções por geohelmintiase (parasitas intestinais).
Nuno Vasco de Carvalho disse que se espera da campanha grandes melhorias do resultado educacional e redução de faltas na escola, além de  evitar complicações irreversíveis na vida adulta. O coordenador do programa de doenças tropicais negligenciadas da “The Mentor Initiative” disse que as doenças tropicais negligenciadas são um grupo de enfermidades infecciosas debilitantes, que contribuem para a pobreza extrema.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que mais de dois mil milhões de pessoas sofrem de uma ou mais destas doenças, que podem causar desfiguração, incapacidade e até a morte nas crianças. Vasco Nuno de Carvalho afirmou que as doenças tropicais negligenciadas persistem nas comunidades mais pobres e mais marginalizadas e em zonas de conflito. A schistossomíase, mais conhecida por bilharziose, é uma destas doenças parasitárias transmitida por caracóis de água doce.
“Muitas destas doenças são endémicas e comuns entre as pessoas pobres, que podem ser infectadas simultaneamente por múltiplas doenças tropicais negligenciadas”, refere.
África conta com 90 por cento de casos de oncocercose, quase 100 por cento dos registos de bilharziose, aproximadamente 40 por cento de filariose linfática e tracoma, e um terço de todas as infecções por ancilóstoma. As más condições de higiene e saneamento, a falta de acesso à água potável e a exposição a vectores como mosquitos e moscas são as principais causas das doenças, disse o coordenador do programa de doenças tropicais negligenciadas da “The Mentor Initiative”.
Vasco Nuno de Carvalho referiu que a desparasitação não consiste apenas na eliminação de parasitas mas também na prevenção de novas parasitoses.

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