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Defendido maior apoio ao ensino de adultos

Casimiro José | Sumbe

O Presidente de direcção da Associação Angolana para Educação de Adultos (AAEA) defendeu na cidade do Sumbe, Cuanza Sul, a necessidade do Ministério da Educação dar um maior apoio aos actores envolvidos no processo de alfabetização.

Vários actores do processo de alfabetização labutam por amor à camisola daí pedirem mais apoios do Estado na nobre missão
Fotografia: José Soares

Victor Barbosa falava à margem do acto de apresentação às autoridades da província do Cuanza Sul do projecto de promoção da cidadania.
O responsável associativo disse que no país, em que se assinala esta segunda-feira o Dia Mundial da Alfabetização, as autoridades devem apoiar mais o ensino de adultos e promover acções que façam com que a sociedade tome consciência dos desafios do presente e do futuro para com a alfabetização.
O presidente da AAEA considerou que as metas traçadas em Dakar, no ano 2000, sobre a educação para todos, ainda estão longe de ser alcançadas, daí que esforços devem ser redobrados para que não se comprometam os desafios do Desenvolvimento do Milénio.
O responsável avançou que o país marcou importantes passos na vertente da alfabetização, fruto das estratégias criadas para a alfabetização, mas frisou que o que falta é a execução do processo que inclua todos os actores.
Victor Barbosa ressaltou ainda que, apesar das várias vicissitudes que o país viveu, muitos actores, sobretudo as ONG e igrejas, desempenharam um papel importante no processo de alfabetização, cujos programas devem dar seguimento para se alcançarem os resultados.
O presidente da AAEA reconheceu os esforços tendentes a impulsionar o processo de alfabetização em Angola, tendo apontado como ganhos a decisão política do Executivo sobre a aprovação da Estratégia Nacional da Alfabetização e da institucionalização da Comissão Nacional de Alfabetização.
Adiantou que os diferentes métodos têm aceitação nas comunidades, sobretudo os que promovem habilidades de leitura e escrita, mas também criam competências para a vida prática das pessoas envolvidas.

Outros métodos

Defendeu que, no âmbito das diferentes iniciativas da alfabetização, onde actualmente desponta o método “Sim eu Posso”, deveriam se tidos em conta outros processos, alguns dos quais funcionam com poucos recursos, como é o caso do “Reflecte/Aplica”, inspirado por Paulo Freire.
Para Victor Barbosa, o processo de alfabetização em Angola tem de ser estudado e investigado, para que se compreendam os factores motivacionais das diferentes comunidades.
Apelou aos actores envolvidos no processo de ensino de jovens e de adultos para que tenham em conta que os alunos de alfabetização precisam aprender aquilo que complementa as suas actividades diárias.
Por isso, defendeu que os planos e programas devem ser adequados ao seu modo de vida.
Victor Barbosa entende que a recuperação do atraso escolar não se processa com o monopólio do processo por um único actor, mas com o envolvimento de muitos outros agentes, como as ONG, igrejas, organizações juvenis,  femininas, entre outras forças da sociedade.
Sobre os resultados do método “Reflecte/Aplica” nas províncias do Cuanza Sul, Luanda e do Bengo, o responsável destacou o facto de muitos círculos se terem transformado em associações produtivas, grupos de contacto com as administrações comunais e municipais, bem como activistas na promoção de valores, preservação ambiental e solidariedade, entre outros aspectos positivos. Fez saber que o método implementado pela AAEA nas localidades da Funda, Boa Esperança, Mabuia, em Luanda, e nas províncias do Bengo e Cuanza Sul permitiu estabelecer um ambiente competitivo, que também responde aos desafios do Executivo de combate à fome e à pobreza. Victor Barbosa lamentou o facto de apesar dos esforços consentidos os alfabetizadores ou facilitadores de outros métodos estejam excluídos do pagamento de subsídios pelo Estado.
 “Para satisfazermos as necessidades de aprendizagem nas comunidades tivemos de recrutar alfabetizadores ou facilitadores que pagávamos com os recursos saídos de doações internacionais ou de organizações congéneres, mas hoje estes não são pagos pelo seu serviço”.

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