Províncias

Elaborado programa de desenvolvimento leiteiro

Casimiro José | Wako-Kungo

O Programa de Desenvolvimento Leiteiro que prevê relançar a produção do leite nas regiões da Cela, Pambangala e Catofe,  no Cuanza Sul, foi já elaborado e aguarda a aprovação das autoridades competentes.

Na província existe uma enorme quantidade de gado bovino em posse dos criadores tradicionais o que permite apostar no leite
Fotografia: Casimiro José | Wako-Kungo

A execução do programa de produção do leite divide-se em três factores determinantes para a sua sustentabilidade, sendo em primeira instância a formação do homem, segundo a identificação da alimentação dos animais em quantidade e qualidade que propicie o rápido desenvolvimento das espécies bovinas a inserir e, por último, o maneio que permita assegurar a gestão adequada dos rebanhos.
O director do Gabinete de Desenvolvimento da Bacia Leiteira da Cela, Paulo Jorge Barros Feio, disse ao Jornal de Angola que o projecto enquadra-se no Programa Nacional do Executivo, para o período de 2013/2017, que consiste na diversificação da produção agro-pecuária e no aumento do consumo interno, reduzindo até 15 por cento a dependência das importações.
O conjunto de medidas adoptadas pelo Executivo estabelece um quadro legal e de apoio ao relançamento da produção leiteira que pode ajudar a desenvolver programas, com apoios aos produtores e à estrutura produtiva nas regiões da Cela, Pambangala e Catofe.
 A estrutura produtiva do leite vai processar-se em três níveis e o êxito do programa permite que a produção leiteira se expanda para outras regiões do Cuanza Sul. Os desafios imediatos são as questões relacionadas com a renovação dos rebanhos existentes, que passa pelo financiamento dos produtores locais para adquirirem novo gado,  melhoria das pastagens, preparação de 15 hectares para a produção, em grande escala, de feno e silagem para alimentar do gado, correcção dos solos para produzirem pastos adequados. A produção leiteira está actualmente representada apenas pelos pequenos produtores familiares enquadrados no Projecto Aldeia Nova, SA, e pela exploração directa da vacaria instalada por essa entidade na aldeia 12.
O Projecto Aldeia Nova, SA, produziu de Janeiro a Março 82.455 litros de leite, com 163 vacas em ordenha, envolvendo 111 produtores familiares.Neste momento está a ser construído, na zona das fazendas médias, um empreendimento privado, que conta com o financiamento do Programa “Angola Investe”, que vai permitir o povoamento e exploração intensiva de vacas leiteiras.
“Vamos passar a fazer o acompanhamento técnico do gado nas regiões da Cela que conta com 17.471  cabeças de gado, Quibala com 7.780 e Cassongue com 33.038. É do nosso conhecimento a existência de uma enorme quantidade de gado em posse dos criadores tradicionais a nível da província”, disse Paulo Feio.
 O director considerou enormes as potencialidades para o arranque e sucesso do programa, a julgar pelos serviços disponíveis na região, que podem alavancar a produção leiteira na Cela, Pambangala e Catofe.
Entre outras valências, Paulo Barros Feio apontou a implantação, na cidade do Wako-Kungo, de infra-estruturas para apoio à produção leiteira, como o Laboratório Regional de Veterinária da Cela, o Centro de Inseminação Artificial, do Instituto de Investigação Agronómica, enormes extensões de terras para o cultivo de soja e milho para fabrico de rações, além da existência de estábulos e um clima favorável e de enormes cursos de água.

Produção de leite na região


A produção leiteira na região da Cela começou em 1959 por famílias açorianas, vindas de  Portugal, que se instalaram no então colonato da Cela.
Em 1964 foram criadas 70 fazendas, com cerca de 80 hectares cada, na região de Pambangala, município de Cassongue, com produtores provenientes dos Açores. A produção leiteira na região da Cela teve o seu auge em 1974, com cerca de 120 mil litros de leite por dia, no período das chuvas, enquanto na época do cacimbo a produção rondava em 90 mil litros por dia.

Tempo

Multimédia