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Escola e hospital abertos no Ebo

Manuel Tomás | Sumbe

Um hospital, com capacidade para 50 camas, uma escola, com seis salas para o primeiro ciclo, e o edifício da administração municipal são algumas das obras recentes realizadas no município do Ebo, na província do Kwanza-Sul.

Parte frontal do Hospital Municipal construído de raiz e que veio limitar as deslocações de pacientes para o exterior do Ebo
Fotografia: Casimiro José

A degradação das vias secundárias e terciárias no município do Ebo, província do Kwanza-Sul, tem desmotivado muitos empresários que pretendem investir naquela região, possuidora de um clima propício à prática da agricultura e da pecuária.
O administrador do município do Ebo, Gualberto Longuenda, disse, ao Jornal de Angola, que a prioridade das acções programadas para este ano vai para a reparação das vias rodoviárias, porque “o desenvolvimento de uma região depende, em grande medida, do estado de conservação das vias de acesso”.
As boas estradas, afirmou, “vão possibilitar a circulação, com comodidade, das populações, o escoamento dos produtos do campo para a cidade e o intercâmbio comercial com outros mercados do país”.
O troço rodoviário entre a sede municipal do Ebo e o Conde, numa distância de 40 quilómetros, já foi alvo de uma acção de terraplanagem, que não resistiu às chuvas intensas que se abatem sobre a região.
Mas para lá da recuperação das estradas de acesso, que não dependem directamente da Administração Municipal, o Ebo tem ganho novas infra-estruturas sociais que estão a mudar, para melhor, o quadro anterior de carência de serviços essenciais.
Inserido no programa de investimentos do Município, a empresa Lafil construiu, de raiz, um hospital com capacidade para 50 camas, uma escola com seis salas para o 1º ciclo e o edifício da Administração Municipal, devidamente apetrechado.
Ainda com a verba pública atribuída ao município foram reparados dois postos de saúde nas zonas da Balaia e Kissoko e reabilitadas infra-estruturas de captação e abastecimento de água potável e de iluminação pública e domiciliária. 
As marcas da guerra estão paulatinamente a desaparecer, dando lugar à construção de novas obras para aumento da oferta de bens e serviços sociais básicos à população. Entre as muitas obras ganhas pela população, ao longo dos últimos anos, há casas para quadros e   ruas, jardins e lancis requalificados, que estão a conferir uma nova dinâmica à vida dos habitantes.
O administrador municipal Gualberto Longuenda reconheceu, com satisfação, que a melhoria das condições de vida dos munícipes se deve ao empenho do Governo central e provincial “que tudo têm feito para dotar a municipalidade com infra-estruturas condignas”.
Entre as grandes conquistas proporcionadas pela paz consta a extensão do sinal da Rádio Nacional de Angola (RNA). A Televisão Pública de Angola (TPA) está a funcionar com um centro emissor que abrange um raio de cerca de 15 quilómetros. A entrada em funcionamento do serviço de telefonia móvel Unitel constituiu uma grande alegria para a população. 

Saúde clama por técnicos 

O Hospital Municipal, construído de raiz há dois anos, trouxe melhorias consideráveis na assistência médica à comunidade. Com a sua entrada em funcionamento os pacientes deixaram de ser transferidos para o hospital da Gabela ou do Sumbe. 
A rede sanitária municipal é complementada por 10 unidades de saúde distribuídas pelas comunas sede, Conde, Quissanje e a povoação administrativa da Chôa. De acordo com o administrador municipal, o grande problema do município é a falta de médicos especializados. Apenas existem, a trabalhar no sector público da saúde, dois médicos, dois técnicos médios, igual número de enfermeiros gerais, 48 enfermeiros auxiliares e 23 quadros da área administrativa.
Segundo estatísticas oficiais as doenças mais frequentes no município são a malária, que no ano passado atingiu a cifra de 26 mil 390 casos, as doenças respiratórias agudas, com 12 mil 709 casos, as doenças diarreicas agudas, com 9 mil 650 pacientes, seguidas da anemia, com 8 mil 943 casos. 
Em 2009 o sector da saúde realizou, no total, 78 mil 681 consultas, sendo 38 mil 432 em pediatria. 
Gualberto Longuenda fez saber que a secção da maternidade do hospital local, no período em referência, assistiu a mais de 125 partos. Esta área é complementada pelo serviço prestado pelas   parteiras tradicionais espalhadas pelos bairros periféricos.
“O hospital carece de um aparelho de RX. Para colmatar esta lacuna os pacientes têm de se deslocar à cidade da Gabela, o que dificulta imenso o trabalho dos serviços de saúde” disse o administrador municipal, que apontou a falta de ambulâncias como outra lacuna grave.
A rede sanitária não tem problemas em termos de stocks de medicamentos essenciais, que são fornecidos pela Direcção Provincial da Saúde. Os medicamentos oficialmente considerados não essenciais são adquiridos com a verba atribuída ao município.
A povoação da Balaia, pertencente à comuna do Conde, beneficiou de um posto médico reabilitado e ampliado, que vai prestar assistência a cerca de 8 mil e 422 pessoas. As obras, executadas pela empresa de construção civil Jemasil, custaram aos cofres do Estado o equivalente a um total de 115 mil e 500 dólares norte-americanos, incluindo os apetrechos.
A Administração do Ebo conta actualmente com uma casa de passagem para técnicos e outros quadros que prestam serviço naquela parcela da província.
Cerca de 25 mil alunos estão matriculados neste ano lectivo nos diversos subsistemas de ensino.  No município estão a ser construídas novas salas de aulas com recurso a materiais locais para reduzir o número de alunos que se encontram fora do sistema normal de ensino, que rondam os 18 mil 229 petizes.
O administrador municipal, Gualberto Longuenda, disse que 554 professores leccionam na circunscrição, distribuídos por 41 estabelecimentos escolares.
 Dez destes estabelecimentos possuem infra-estruturas de carácter definitivo, outros três foram edificados no quadro do programa municipal de investimentos públicos.
No ano passado mil 510 adultos, dos quais mil 260 do sexo feminino, frequentaram aulas de alfabetização monitoradas por 21 alfabetizadores.
Gualberto Longuenda ressaltou a necessidade de se aumentar o número de salas de aulas e de se recrutar mais professores “para que o processo de ensino, em todas as aldeias da municipalidade, seja devidamente assegurado e se estenda a toda população”. 

Energia e água
 
A energia eléctrica é abastecida à sede municipal por um gerador que funciona regularmente no período nocturno.  Cada munícipe comparticipa mensalmente com três mil kwanzas para manutenção do gerador. 
Em relação ao abastecimento de água potável, o administrador municipal disse que se pretende melhorar o sistema “porque o que está instalado não satisfaz as necessidades da comunidade”. Está prevista a construção de uma estação de captação a partir do rio Keve. A vila possui um tanque acumulador de água com capacidade para 34 mil litros. 
Gualberto Longuenda disse que dadas as dificuldades financeiras enfrentadas pelos agentes comerciais oficializados, na região predomina o comércio informal.
Município  potencialmente  agrícola, no Ebo predominam as culturas do milho, feijão, ginguba, batatas rena e doce, mandioca, hortícolas e citrinos.
No âmbito do programa de extensão e desenvolvimento rural, a Mecanagro disponibilizou dois tractores que limparam 180 hectares, dos 500 inicialmente previstos, na comuna do Conde.
Estão controladas 48 associações de camponeses, com mil 421 membros. Um total de sete cooperativas, com 214 membros, beneficiou de 4.176 enxadas europeias e duas mil tradicionais.
O município possui 196 fazendas agrícolas, todas em franca produção. O efectivo pecuário está calculado em mais de 428 bovinos, 14. 350 caprinos, 11. 444 aves e 2.089 suínos.
A Administração Municipal arrecadou, em 2009, cerca de 8,7 milhões de kwanzas, resultantes da cobrança do imposto industrial dos grupos A, B e C, imposto predial urbano, taxa de circulação de veículos automóveis, multas fiscais, emolumentos e outras taxas.   

Monumento a Arguelles
 
O governo prevê construir um monumento na localidade de Hengo, município do Ebo, onde ocorreu a batalha que vitimou o comandante das Forças Armadas de Cuba Raul Diaz Arguelles, no dia 11 de Dezembro de 1975.
Trata-se de uma homenagem merecida àquele filho de Cuba, que tombou em auxílio às ex-FAPLA contra as forças invasoras do regime de apartheid da África do Sul.
O Ebo tem182.707 habitantes, maioritariamente camponeses. Possui recursos hídricos consideráveis, com destaque para os rios Cuvo, Nhia, Mugige, Kussoi e vários riachos, que dão ao município um enorme potencial em termos de capacidade de irrigação e fertilização das áreas cultiváveis.

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