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Ex-militar recolhe sucatas nas ruas do Sumbe para fabricar instrumentos de trabalho agrícola

Casimiro José |Sumbe

Um exemplo de espírito empreendedor está a dar solução aos problemas relacionados com a falta de instrumentos de trabalho na comunidade da Quilunda, comuna da Ngangula, município do Sumbe.

Antigo militar busca na arte de produzir meios agrícolas o sustento da família
Fotografia: Fernando Camilo | Sumbe

Um exemplo de espírito empreendedor está a dar solução aos problemas relacionados com a falta de instrumentos de trabalho na comunidade da Quilunda, comuna da Ngangula, município do Sumbe.
Os habitantes da comuna, que vivem da agricultura, precisam de enxadas, catanas, cabos e outros acessórios, que proporcionem um trabalho do campo sem percalços. Mas, o facto de não surgir uma entidade singular ou colectiva para dar resposta à solicitação de instrumentos de trabalho, fez apertar as carências no seio dos camponeses.
O ex-militar das extintas FAPLA, Pereira Filipe, coadjuvado pelo seu filho, viu nessa realidade uma oportunidade de negócio e montou uma oficina para fabrico de enxadas de tipo Europeu e tradicionais, para o alívio dos camponeses da comunidade. Pese embora a oficina estar montada debaixo de um arbusto, o certo é que o produto final chega aos clientes em perfeitas condições.
O mais velho Pereira Filipe explicou a maneira como são derretidos o ferro e as molduras que usa para fabricar vários instrumentos, como enxadas, catanas, fogareiros, panelas, ratoeiras, entre outros utensílios domésticos.Para obter a matéria-prima, tem recorrido às sucatas de viaturas que, depois de fundidas, são utilizadas para determinados fins. “Adquirir o ferro para fabricar enxadas, catanas, fogareiros e outros artigos não tem sido uma actividade fácil. Muitas vezes percorro longas distâncias para conseguir o que quero”, disse.
A grande dificuldade, salienta, é a falta de transporte e, para dar a volta à situação, tem de pagar o aluguer com o pouco dinheiro que consegue com a venda dos instrumentos”, explicou o antigo militar das FAPLA.
Outra situação que apoquenta o novo ferreiro prende-se com os encargos para fundir os metais, a aquisição de matérias como carvão e borracha. Mesmo assim, garante que a actividade que exerce lhe permite sustentar a família e aconselha os ex-militares a enveredarem por profissões socialmente úteis, ao invés de práticas pouco correctas.“Temos de aproveitar as oportuidades que aparecem para fazermos qualquer coisa que seja útil”, rematou.

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