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Expansão da rede sanitária melhora atendimento

Casimiro José | Gabela

O sector da Saúde, no município do Amboim, província do Kwanza-Sul, regista um salto qualitativo significativo na assistência médica e medicamentosa e de infra-estruturas.

Reabilitação dos hospitais municipais da Gabela e da Boa Entrada na ex- Cada estão entre as prioridades das autoridades locais
Fotografia: Casimiro José | Sumbe

O sector da Saúde, no município do Amboim, província do Kwanza-Sul, regista um salto qualitativo significativo na assistência médica e medicamentosa e de infra-estruturas, construídas no quadro do Programa Municipal Integrado de Combate à Pobreza e dos cuidados primários de saúde.
A realidade actual do sector anima os habitantes da localidade. As unidades sanitárias dispõem de equipamentos com tecnologia de ponta, abriram novos serviços e possuem equipas médicas eficazes.
A Administração Municipal do Amboim apostou na expansão da rede sanitária, como forma de descentralizar os serviços e permitir que a população seja assistida nas suas localidades. O Jornal de Angola constatou isso mesmo quando percorreu os locais de maior concentração populacional e auscultou os responsáveis das unidades hospitalares e a população, que afirmaram estar-se a viver um momento de reviravolta num tempo de mudança.
O director administrativo do hospital regional do Amboim, Armando Fernando Nunda, considerou que o alargamento das infra-estruturas sanitárias na periferia e a melhoria da assistência médica foram factores determinantes que contribuíram para a redução da mortalidade na região.
Além da expansão dos serviços sanitários, referiu que têm sido desenvolvidas campanhas de educação cívica junto das comunidades, que contam com a intervenção de líderes comunitários e autoridades tradicionais. O hospital dispõe de vários serviços, o que permite um atendimento mais humanizado dos pacientes, em função dos investimentos feitos, sobretudo em equipamentos técnicos e infra-estruturas.
O director administrativo apontou as áreas de pediatria e maternidade como sendo os que mais evoluíram, tanto em termos de infra-estruturas como de equipamentos e pessoal técnico.Uma das situações que inquieta a direcção do hospital tem a ver com a falta de uma morgue, uma sala de hemoterapia e de um espaço para serem instalados os equipamentos do bloco operatório.
O hospital não tem falta de fármacos, uma vez que tem havido alguma atenção por parte da direcção Provincial de Medicamentos e dos fornecedores.

Necessidades satisfeitas

A chefe da repartição de Saúde do Amboim, Maria Delfina Mateia, afirmou que a rede sanitária da região está a dar resposta às necessidades da população, graças ao programa de cuidados primários de saúde do Executivo.
“A expansão da rede sanitária do município está enquadrada no programa do Executivo de aproximar os serviços sociais básicos das comunidades e, por isso, paulatinamente, vamos cobrindo as localidades que ainda não têm postos de saúde”, explicou, visivelmente satisfeita. 
Quanto à formação e superação técnica dos profissionais de saúde, referiu que a repartição municipal, em colaboração com a direcção provincial da Saúde do Kwanza-Sul leva a cabo um ciclo de formação acelerada, com o objectivo de conferir as competências necessárias aos enfermeiros que lhes permita dominar a utilização das novas tecnologias. Como exemplos, apontou os cursos realizados sobre matérias relacionadas com a saúde reprodutiva, vacinação e manuseamento de medicamentos. Em breve, será realizada uma outra formação sobre medicina infantil.
Os serviços de saúde no município são assegurados por 13 médicos, dos quais dois nacionais e 184 enfermeiros. A assistência materna nas comunidades conta com o envolvimento de 120 parteiras tradicionais e de 110 agentes comunitários.
Maria Delfina Mateia solicitou ao Ministério da Saúde a criação de um programa de formação específica nas diversas especialidades, por considerar que este crescimento das infra-estruturas deve ser acompanhado de a formação técnica do homem, sob pena de muitos equipamentos não serem utilizados por falta de conhecimentos técnicos.
No município do Amboim estão em funcionamento dois hospitais municipais, sendo um na sede e outro na Boa Entrada. Conta com 16 unidades sanitárias, das quais quatro centros de saúde e 12 postos, número que vai aumentar assim que forem inaugurados mais dois postos de saúde nas localidades da Lapala e Honga.
 
Humanização dos serviços
 
O administrador municipal do Amboim, Rui Feliciano Miguel, salientou que houve grandes melhorias em termos de assistência médica e medicamentosa, mas reconheceu que ainda há muito por fazer para se atingir a humanização dos serviços de saúde. “É necessário que haja uma articulação entre a capacidade instalada das unidades hospitalares e o aperfeiçoamento do nível técnico dos enfermeiros a todos os níveis, aliado à colaboração das comunidades”, esclareceu.
Neste momento, o sector está a trabalhar no sentido de conseguir atingir as metas preconizadas pelo Executivo na aproximação dos serviços de saúde às comunidades, e, na perspectiva do administrador, a etapa mais difícil já ficou para trás.
Quanto aos desafios para o futuro, Rui Miguel adiantou que a reabilitação dos hospitais municipais do Amboim, na cidade da Gabela e na Boa Entrada, na ex-CADA, estão entre as prioridades, além de outras acções voltadas para potenciar a periferia com novas unidades de saúde.
Outra aposta anunciada pelo administrador municipal, para os próximos tempos, tem a ver com a criação de uma escola de enfermagem na localidade da Boa Entrada, a construção de mais seis postos de saúde nos locais de maior concentração populacional, um centro médico na comuna do Assango e o aumento da capacidade técnica dos médicos e enfermeiros de diversos escalões.
A multiplicação das acções de prevenção contra diversas patologias e melhorar os serviços de radiologia e de outras especialidades, constam igualmente entre as apostas da administração para os próximos tempos.
Com uma superfície de 1.027 quilómetros quadrados, o município do Amboim tem uma população calculada em 208.089 habitantes e a divisão administrativa corresponde a duas comunas, sendo a sede e do Assango, com três áreas administrativas: Salinas, Honga e Boa Entrada (ex-CADA).

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