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Falta de condições de trabalho preocupa ordem dos enfermeiros

Casimiro José| Sumbe

Os baixos salários e a falta de condições de trabalho estão na base da fuga de muitos técnicos da saúde para outros sectores que oferecem regalias sociais, de acordo com a realidade socioeconómica vigente no país.

Os baixos salários e a falta de condições de trabalho estão na base da fuga de muitos técnicos da saúde para outros sectores que oferecem regalias sociais, de acordo com a realidade socioeconómica vigente no país.
A constatação foi feita sexta-feira, no Sumbe, pelo presidente provincial da Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA), José Caionda, por ocasião do dia 25, consagrado ao trabalhador da Saúde.
José Caionda afirmou que a situação pode tomar contornos mais preocupantes se o Ministério da Saúde não acompanhar a dinâmica da formação de quadros, através das faculdades criadas na base das regiões académicas.
Considerou inadmissível que um indivíduo que tenha uma licenciatura do ISCED, pelo facto de estar no sector da saúde, continuar a figurar como escriturário dactilógrafo, cuja remuneração nem é igual ao de um técnico médio da educação.
José Caionda lançou um alerta às entidades competentes no sentido de adequarem as políticas de gestão dos recursos humanos, sublinhando que administrativamente é possível atenuar a situação relativa à colocação dos técnicos superiores formados em outras especialidades, mas que laboram na saúde.
“Reconhecemos que muitos cidadãos que trabalham no sector da saúde formaram-se no ISCED, porque foi a única oferta de nível superior que a província dispunha. Nestes casos, embora as possibilidades de absorver todos seja remota, poder-se-ia alargar o regime geral com a adopção de carreiras de técnico superior de 2ª classe.
O que se passa é que as vagas neste quadro são diminutas”, esclareceu. José Caionda disse ao Jornal de Angola que o Governo angolano aprovou recentemente uma nova carreira do trabalhador da saúde, que inclui a nova tabela salarial, cuja aplicação aguarda pela sua regulamentação. Acalentou esperanças aos trabalhadores da saúde, para terem calma e perseverança no exercício da profissão.
Outra situação apontada pelo presidente da Ordem dos Enfermeiros tem a ver com a discrepância na atribuição de subsídios de turno, entre os médicos e enfermeiros, onde o subsídio por um turno dos médicos é de 22 por cento do seu salário ao passo que os enfermeiros têm direito a 7 por cento do salário, durante 24 dias.
Segundo José Caionda, a remuneração acessória ou os subsídios estimulam os enfermeiros e criam um ambiente salutar para os protagonistas da assistência médico-medicamentosa.
Acrescentou que a ausência de formação profissional e a falta de condições de trabalho redundam sempre no mau atendimento das populações, daí a necessidade de se investir muito.
“Nos últimos tempos ouvimos com maior frequência relatos de casos consubstanciados no mau atendimento público, alguns dos quais referenciados justamente pelos queixosos.
Eu entendo que tudo tem de caminhar junto, isto é, potenciar o homem com ferramentas indispensáveis que o habilitem a exercer a profissão com lisura e ao mesmo tempo tem de encontrar condições no seu local de trabalho”, pontualizou o presidente provincial da Ordem dos enfermeiros.

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