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Hipopótamos causam danos no Chitumbo

Casimiro José|cassongue

Comunidades da embala de Chitumbo, a 50 quilómetros da comuna do Dumbi, município de Cassongue, no Kwanza-Sul, estão aflitas com a devastação das suas lavras pelos hipopótamos. A situação arrasta-se desde Julho e os estragos vão aumentando a cada dia que passa.

A manada de hipopótamos não pára de crescer devorando tudo o que aparece
Fotografia: Casimiro José|cassongue

Comunidades da embala de Chitumbo, a 50 quilómetros da comuna do Dumbi, município de Cassongue, no Kwanza-Sul, estão aflitas com a devastação das suas lavras pelos hipopótamos. A situação arrasta-se desde Julho e os estragos vão aumentando a cada dia que passa.
A reportagem do Jornal de Angola deslocou-se ao local e constatou que 50 hectares de culturas diversas foram destruídos pelos hipopótamos que, na calada da noite, comem toda a plantação que lhes apareça pela frente, com destaque para o milheiral, hortícolas, cana-de-açúcar, abóbora e mandioca.
A desmotivação é total no seio dos cinco mil habitantes da região, pois a manada de hipopótamos não pára de aumentar e actualmente já são mais de 60 animais que estão a causar prejuízos.
Maria Rosa, de 57 anos e moradora da área, disse ao Jornal de Angola que nunca foi registada uma situação do género e sugere a tomada de medidas pelas autoridades, no sentido de acudir à população, que vive do trabalho do campo. “Estou aqui há muito tempo e nunca vi coisa igual. Como vamos viver assim, se os hipopótamos arrancam tudo?”, questionou-se.
Matias Suissa tentou, por todos os meios, travar a acção destruidora dos animais, construindo um cerco de troncos ao longo do rio, mas não resultou, pois os hipopótamos possuem força capaz de derrubar qualquer obstáculo. Outra tentativa foi abrir valas nas prováveis direcções de entrada para as áreas de cultivo, mas como são muitos hectares de terras aráveis e o número de hipopótamos não pára de crescer, também não resultou.
Clemente Eduardo, líder comunitário e um dos responsáveis da União Nacional de Camponeses, na comuna do Dumbi, mostrou-se agastado com a ocorrência e afirmou que o fenómeno acontece numa altura em que muito trabalho foi feito pelos camponeses.
“Esta área de Chitumbo apresenta solos muito produtivos e em anos anteriores, por esta altura, já teríamos o milho das baixas, mas este ano tudo foi devorado pelos animais. Matá-los é crime, mas a continuarmos assim vamos assistir a mortes por causa da fome e para que isso não aconteça as estruturas ligadas ao sector têm de trabalhar o mais depressa possível”. Clemente Eduardo adiantou que cada hipopótamo consome em média 300 quilos de produtos diversos, por dia, o que constitui uma ameaça para a região, a julgar pela quantidade cada vez maior dos animais.

População foge

Muitos moradores da região pensam deslocar-se para outras áreas, como é o caso de Teresa Chica que, em declarações ao Jornal de Angola, afirmou que a vida da sua família está ameaçada, porque as suas culturas estão a ser devoradas pelos animais.
O administrador comunal do Dumbi, Joaquim dos Santos ­Horta, disse que a situação é preocupante e que a invasão dos hipopótamos na região de Chitumbo é motivada pelo aumento do caudal do rio Queve. Como refúgio, acrescentou, os animais encontraram o rio Cuvele. “É muito remota a possibilidade de os animais abandonarem a área, pois sentem-se seguros e têm imensos produtos à disposição”.
Joaquim dos Santos Horta disse que o desfecho da situação deve merecer uma acção concertada entre vários sectores, na qual o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) deve jogar um papel preponderante. Adiantou que o mecanismo de redes para a captura e sua evacuação para locais distantes das lavras é uma forma, à partida, quase impossível, devido ao peso e força dos hipopótamos.
A degradação de estradas secundárias e terciárias constitui outra preocupação das famílias camponesas da região. 
Muitos produtos não chegam aos mercados solidários porque os donos das viaturas não arriscam pô-las a circular na região de Chitumbo, apesar de ser considerado o celeiro da comuna do Dumbi, em termos de produtos como o milho, feijão e mandioca.
O administrador garantiu que a reabilitação das vias figura nas prioridades do seu executivo, assim que sejam criadas as condições financeiras e haja equipamento para o efeito, e sublinhou que acalenta esperanças de dias melhores.

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