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Hospital da Boa Entrada precisa de obras urgentes

Casimiro José | Gabela

O Hospital Municipal da Boa Entrada (antiga Fazenda CADA), no município do Amboim, província do Kwanza-Sul, precisa de reabilitação e de ser equipado com meios técnicos para responder às várias solicitações das populações da região.

Uma vista degradada do Hospital Boa Entrada construído em 1952
Fotografia: Casimiro José

O Hospital Municipal da Boa Entrada (antiga Fazenda CADA), no município do Amboim, província do Kwanza-Sul, precisa de reabilitação e de ser equipado com meios técnicos para responder às várias solicitações das populações da região.
 Construído em 1952, o Hospital Municipal da Boa Entrada garante assistência aos 12 mil habitantes das 19 comunidades locais, e também aos pacientes da sede municipal e das localidades de Quirimbo e Boa Viagem, do município da Quilenda.
 Na era colonial, tinha um estatuto de hospital regional e conservou essa hegemonia assistencial até á década de 80, época em que só evacuava doentes para hospitais de referência de Luanda e do Huambo. Daí em diante começou a sentir os efeitos do conflito armado e, aos poucos, ficou à mercê dos ataques militares.
 Outro factor que desestabilizou o Hospital Municipal da Boa Entrada foi a sabotagem. Desconhecidos danificaram os equipamentos de radiologia, cirurgia, ortopedia e laboratórios.
 O velho hospital tem uma excelente estrutura arquitectónica e durante muitos anos os seus serviços eram de uma qualidade incomparável com qualquer unidade hospitalar em Angola. O atendimento era altamente profissionalizado.
Com base nos relatórios nos anos a seguir à abertura do Hospital Municipal da Boa Entrada, verificámos que por cada semestre eram registados apenas cinco óbitos, uma realidade incomparável com o momento actual.
  
Funcionamento do hospital
 
O estado em que se encontra a unidade hospitalar, diminuiu a sua capacidade de atendimento e actualmente funciona a meio gás, prestando serviços de medicina geral, pediatria, maternidade, puericultura, pequenas cirurgias e, muitos casos são transferidos para a sede municipal, por falta de equipamentos. Mesmo com as enfermarias de Medicina inoperantes, o hospital tem 65 camas para internamentos.
 O quadro de pessoas técnico é irrisório. Estão em serviço efectivo dois médicos, 27 enfermeiros de vários escalões, um catalogador, três auxiliares de limpeza e igual número de lavadeiras.
O director clínico do hospital, Moniz Pedro Ncoxi, revelou ao Jornal de Angola que a região da Boa Entrada tem terras férteis, mas muitos habitantes apresentam sinais de má nutrição. “Quando apareceram os primeiros casos ficámos surpreendidos porque há bons terrenos para os produtos do campo e só depois percebemos que a maioria dos habitantes consome produtos importados, ao passo que os produtos produzidos localmente servem apenas para comércio. Tivemos de realizar campanhas de sensibilização ás populações sobre o valor dos produtos locais para a saúde e hoje notamos diminuição desses casos”, frisou o médico.
 A região confronta-se também com a malária, diarreias, doenças respiratórias agudas, tuberculose e sífilis. Apesar dos condicionalismos que afectam a prestação de serviços no Hospital Municipal da Boa Entrada, a assistência tende a melhorar. Durante o primeiro semestre deste ano houve 578 internamentos, contra 1342 internamentos em igual período do ano passado.
 O hospital tem um orçamento de um milhão de kwanzas que só dão para aquisição de fármacos, alimentação e combustíveis disse o director clínico, Moniz Pedro Ncoxi. As evacuações são feitas com duas ambulâncias, das quais, uma em mau estado. A corrente eléctrica é sustentada por dois geradores.
 De acordo com o director clínico do Hospital Municipal da Boa Entrada, as estruturas do edifício são recuperáveis, se houver vontade por parte das entidades competentes.
 
Reabilitação do hospital
 
O director clínico do Hospital Municipal da Boa Entrada, Moniz Pedro Ncoxi, lamentou o facto de os oito projectos elaborados para a sua reabilitação não tenham resposta por parte das autoridades competentes e a degradação do imóvel continua.
“A verba que recebemos não suporta obras de reabilitação e, por isso, contactamos equipas especializadas que elaboraram projectos de reabilitação que foram remetidos às instâncias competentes, para sua materialização e até aqui nenhuma resposta. Reparem que alguns equipamentos foram entregues pela Igreja Católica que joga um papel importante, no funcionamento do hospital”, disse Moniz Pedro Ncoxi.
Outra preocupação manifestada pelo director clínico do Hospital da Boa Entrada tem a ver com a falta de guardas e de vedação.
 Moniz Pedro Ncoxi pede às populações locais para colaborarem nas acções da saúde preventiva: “muitos casos que dão entrada no hospital eram evitados através de medidas preventivas nas comunidades”.
O Hospital Municipal da Boa Entrada (CADA) está situado a sete quilómetros da sede do município do Amboim, a cidade da Gabela.

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