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INAC defende actuação multidisciplinar

Casimiro José | Sumbe

A directora-geral do Instituto Nacional da Criança (Inac) afirmou no Sumbe, na província do Cuanza Sul, que o combate à violência contra a criança passa por uma actuação multidisciplinar, que inclui as instituições que intervêm no sector social e a própria família, para se erradicar o fenómeno na sociedade angolana.

Participantes no encontro consideraram preocupantes os casos de violência contra os menores
Fotografia: Fernando Camilo| Sumbe

Nilsa Batalha, que falava diante de uma plateia constituída por membros da Rede de Protecção e Promoção dos Direitos da Criança, no quadro da visita de 24 horas que efectuou ao Cuanza Sul, considerou que a violência contra a criança é cada vez mais preocupante, clamando por medidas mais consentâneas. “A violência contra a criança é, nos dias de hoje, preocupante, pois até nas escolas se assistem cenas arrepiantes, com maior enfoque para o abuso sexual de menores, por isso, devemos adoptar mecanismos consertados para erradicarmos a situação”, disse.
No encontro, em que participaram membros do Governo Provincial, da Administração Municipal do Sumbe, líderes de igrejas e autoridades tradicionais, Nilsa Batalha afirmou que a instituição que dirige assume o papel de advocacia para com a problemática da criança, mas adiantou que a melhor forma de se resolver os inúmeros problemas que afectam a criança é a articulação dos vários actores sociais e das famílias, além de se capacitar as redes de protecção com temáticas que se conformam com a realidade actual.
A directora-geral do Inac anunciou que as administrações municipais e as redes vão passar a actuar directamente na resolução dos problemas relacionados com a exploração sexual, trabalho infantil e outros casos, no sentido de dar-se uma resposta célere às questões que ocorrem nas comunidades. “Assistíamos o arrastar dos problemas para as sedes provinciais, situação que originava o atraso na sua resolução pontual, o que já não vai acontecer com as competências atribuídas aos municípios”, realçou.
Para Nilsa Batalha, a pobreza é apontada como a principal causa que concorre para a exploração do trabalho infantil nas comunidades, mas adiantou que a realidade mostra
que deve haver mais pesquisa para se aferir outros factores que concorrem para a sua prática. “Se continuarmos a apontar a pobreza como sendo a única causa para a exploração do trabalho infantil estaremos a contornar o problema.
Por isso, temos de contar com redes fortes que procurem identificar as verdadeiras causas”, disse. Quanto aos casos de violação sexual de menores, Nilsa Batalha defendeu a necessidade de os pais prestarem maior atenção aos filhos, prevenindo-os sobre as formas que indiciam planos dos prevaricadores.
“Os adultos que violam normalmente as crianças vivem próximo e só consumam os actos depois de várias tentativas, por isso, os pais e encarregados de educação devem alertar os filhos para denunciarem qualquer gesto que concorra para o assédio”, disse.
Reagindo ao estudo de casos apresentados pela Rede Provincial de Protecção e Promoção dos Direitos da Criança no Cuanza Sul, que retratou o inquérito sobre o fenómeno de crianças zungueiras na província, Nilsa Batalha louvou a iniciativa e encorajou no sentido de prosseguirem com a pesquisa de mais casos, como sendo os instrumentos que podem fornecer indicadores para a resolução de muitos problemas que afectam não são só as crianças, mas também outras franjas vulneráveis da sociedade.

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