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Kwanza-Sul vai ter Instituto Superior de Petróleos

Manuel Tomás |Sumbe

Os participantes na primeira Conferência Internacional de Petróleos, realizada na passada sexta-feira, no Sumbe (Kwanza-Sul), subordinada ao tema “O INP e os desafios do Futuro”, concluíram que a decisão do Governo, tomada no ano transacto, sobre a criação do Instituto Superior de Petróleos deve ser acolhida como um desafio de todos os intervenientes do sector.

A mesa que orientou a conferência onde foi analisada a formação e organização do sector petrolífero
Fotografia: Casimiro José

 
Os participantes na primeira Conferência Internacional de Petróleos, realizada na passada sexta-feira, no Sumbe (Kwanza-Sul), subordinada ao tema “O INP e os desafios do Futuro”, concluíram que a decisão do Governo, tomada no ano transacto, sobre a criação do Instituto Superior de Petróleos deve ser acolhida como um desafio de todos os intervenientes do sector.

Este instituto superior permite ao INP – Instituto Nacional dos Petróleos –, pelas estruturas de que dispõe e espaço de expansão, de acordo com as recomendações e prerrogativas dos ministérios de tutela, avançar para o processo de angolanização da indústria petrolífera, por proporcionar a formação de técnicos superiores no ramo, algo considerado indispensável para o processo, segundo concluíram os participantes.
Nesse aspecto, os participantes são de opinião que o contributo das empresas petrolíferas, com destaque para a Sonangol e as suas associadas, é de capital importância, visto que sem a interacção permanente e articulada entre a escola, empresas e indústria não há ensino técnico.
Os conferencistas também concluíram que o projecto da reforma do ensino técnico e profissional (RETEP) tem representado para o INP um parceiro de maior relevo para a modernização da Escola, pelo potencial de tecnologias educativas mobilizadas, designadamente laboratórios e oficinas didácticas, bem como pelas orientações e contributos em matéria de desenvolvimento curricular.
A primeira Conferência Internacional de Petróleos encorajou o INP a prosseguir os seus esforços na melhoria contínua da qualidade do ensino, visando a creditação nacional e a certificação internacional dos cursos oferecidos.
Os participantes no evento recomendaram à direcção do INP que deve colocar em primeira linha da sua actuação a garantia da estabilidade da classe docente, a mobilização daqueles que possuem perfil e competência técnica reconhecidas, para além da necessidade de não poupar esforços nem meios na sua formação contínua. 
Concluíram igualmente que, em articulação com a SADC, no quadro da cooperação internacional, os responsáveis da instituição devem continuar a desenvolver relações estruturadas que permitam a formação dos países da Região Austral no sector petrolífero.
Entre as recomendações destaca-se o imperativo de se continuar a investir nas tecnologias educativas, simuladores técnicos, laboratórios, oficinas e campos, para que a escola possa responder às necessidades da indústria, bem como ampliar a abrangência da formação oferecida, permitindo aos alunos o acesso a todas as valências formativas (inglês, gestão, segurança e salvamento) requeridas pela indústria.

Objectivos da Conferência

Este fórum, o primeiro do género que se realiza, visou essencialmente a troca de experiências sobre a formação no sector petrolífero, aos seus diversos níveis, e os grandes desafios da actualidade, tanto no plano interno, como na vertente internacional.
A Conferência procedeu a um diagnóstico/ponto de situação do INP e debateu as perspectivas da instituição, tomou conhecimento e analisou experiências de sucesso no domínio dos modelos de formação petrolífera, a nível internacional. Foi colhida a experiência do Instituto Nigeriano de Petróleos na formação de quadros e os modelos de formação e de certificação.
Participaram no evento o vice-ministro dos Petróleos, José Gualter dos Remédios Inocêncio, que, em representação do titular da pasta, José Maria Botelho de Vasconcelos, abriu a sessão, membros do Governo Central e local, alguns embaixadores convidados, João Samuel Caholo, representante da SADC, presidentes dos conselhos de administração de empresas petrolíferas sedeadas no país, assim como parceiros internacionais que mantêm laços de cooperação com o INP, entre outras individualidades.

Recomendações

O vice-ministro da Educação para a Formação e Ensino Técnico Profissional, Narciso Damásio dos Santos Benedito, destacou, na sessão de encerramento, a grande importância de que se reveste esta instituição na formação de quadros para o ramo petrolífero e mineiro.
De acordo com o governante, os institutos dos Petróleos, das Telecomunicações e o Médio Agrário do Tchivinguiro integram, desde o ano lectivo/2008, o projecto da Reforma do Ensino Técnico Profissional (RETEP 3) e têm participado activamente nas jornadas de desenvolvimento curricular promovidas pelo Ministério da Educação, visando a reformulação curricular dos cursos neles ministrados. 
Para o vice-ministro, “a instalação de laboratórios dotados de equipamentos e tecnologias que satisfazem a qualidade dos técnicos, exigidos pela indústria, aliada à formação permanente dos docentes, continuará a merecer especial atenção”. Apontou que a melhoria contínua das infra-estruturas pedagógicas é também uma base importante para a elevação da qualidade da formação do ensino nas escolas técnicas.
“Do nosso ponto de vista, o INP, nos seus 27 anos de existência, cumpriu com o seu papel no processo de angolanização do sector petrolífero e continuará a cumpri-lo através da colocação no mercado do trabalho de técnicos dos níveis dois e três”, frisou o vice-ministro.

Historial

O Instituto Nacional dos Petróleos, desde a sua fundação, formou mais de três mil técnicos.
O director do INP, Domingos Francisco, deu a conhecer que o Instituto Nacional de Petróleos, no ano passado, colocou no mercado de emprego, no ramo da indústria petrolífera, 149 quadros especializados nos cursos de técnicas de perfuração e produção petrolífera, geologia e minas e manutenção industrial. Para o presente ano lectivo prevê-se o enquadramento de mais de 500 alunos no ensino médio, que vão frequentar diversas especialidades.
Situado 13 quilómetros a Norte da cidade do Sumbe, o Instituto Nacional de Petróleos (INP) está fundamentalmente vocacionado para a formação de técnicos nacionais e outros oriundos de alguns países da comunidade de Desenvolvimento de África Austral (SADC), dotando-os de conhecimentos nas especialidades da indústria petrolífera, mineira e do desenvolvimento sustentado de Angola.
O surgimento do INP resultou da fusão do Instituto Médio de Petróleos e da Escola Central de Petróleos, à luz do Decreto Executivo conjunto 84/83, de 15 de Setembro, dos Ministérios da Educação e da Energia e Petróleos. Forma técnicos médios e trabalhadores qualificados para o ramo petrolífero, visando a angolanização do sector.
Desde a sua fundação, em 1981, até 2008, formou 1.790 técnicos angolanos, saídos das empresas petrolíferas, e cerca de 1.111 técnicos médios, nas especialidades de geologia de prospecção, perfuração e produção, geologia e minas, mecânica e tecnologia submarina.

Internacionalização

A única instituição de formação de técnicos para a indústria petrolífera no país, de 1981 a 2007 formou 120 estudantes dos países da SADC, sendo 54 da Tanzânia, 34 de Moçambique, 10 de São Tomé e Príncipe, nove de Botswana, entre outros.
 As aulas no INP são asseguradas por cerca de 60 docentes, entre angolanos e estrangeiros, repartidos pelos níveis do ensino médio e formação profissional.
No entender do responsável da instituição, “o número é suficiente, mas a qualidade não é a desejada”, daí que se tenha optado pela sua reciclagem no estrangeiro.

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