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Localidade festeja centenário com os olhos no futuro

Casimiro José | Wco-Seles

A vila do Úco-Seles, sede do município do Seles, na província do Cuanza Sul, está em franco crescimento, com construção de várias infra-estruturas sociais, com vista a  melhorar as condições de vida das populações, no quadro do Programa de Combate à Pobreza.

Autoridades do Seles estão apostadas em melhorar a assistência médica e medicamentosa com a construção de mais centros de saúde
Fotografia: Casimiro José | Uco Seles

Elevada à categoria de vila em 1914, a localidade celebrou sábado 100 anos de existência e a data foi marcada com várias actividades. O administrador municipal do Seles, João Daniel Nunes, reconheceu os ganhos que a localidade tem vindo a conhecer, com a construção de várias infra-estruturas sociais, construídas de raiz.
Entre os empreendimentos construídos, constam o centro de análises clínicas, mercado municipal e 90 casas concluídas, no quadro dos 200 fogos habitacionais previstos, integrados no plano habitacional.
A localidade também passou a beneficiar de energia eléctrica, que é fornecida por grupos geradores, além de terem sido abertas três agências bancárias, permitindo, deste modo, que os funcionários passem a receber os seus salários sem precisar de caminhar longas distâncias, como acontecia anteriormente.
Outros ganhos apontados pelo administrador têm a ver com a asfaltagem das vias principais, que ligam a vila com aos municípios da Conda e de Cassongue. Também foi reabilitada a estrada que liga à cidade do Sumbe.
João Daniel Nunes considerou importante a reparação das vias por constituir a mola impulsionadora para o desenvolvimento, atrair os investidores e contribuir para as trocas comerciais entre as regiões. No quadro do Programa de Investimento Público para 2014, estão a ser construídos um centro médico, com capacidade de 30 camas, e uma morgue, na localidade de Guendela, além de uma escola com 12 salas, na sede, e outra com igual número, na sede da comuna da Amboiva.

Necessidades básicas

O administrador do Seles, João Daniel Nunes, disse ao Jornal de Angola que o sector da Saúde no município necessita de mais técnicos para responder à demanda, uma situação que já foi remetida as instituições de direito para dar solução ao caso.
 “Temos uma rede sanitária razoável, mas o grande problema é a falta de enfermeiros e técnicos de outras especialidades, para ­cobrirem as necessidades. Já solicitamos o envio de mais quadros do sector, para corresponder aos anseios da população”, disse.
João Daniel Nunes disse que, apesar de algumas contrariedades, a realidade actual apresenta indicadores animadores , sobretudo nos sectores da Saúde e Educação, que conheceram grandes melhorias, com a construção de novas escolas e centros médicos.
 “Reconhecemos que ainda temos muito trabalho pela frente, mas orgulha-nos saber que conseguimos construir infra-estruturas escolares e sanitárias nas áreas rurais, onde no passado as populações tinham de percorrer longas distâncias em busca da assistência médica e medicamentosa”, precisou. No quadro  do projecto de extensão das infra-estruturas, estão ainda por construir mais escolas e postos de saúde na periferia, reabilitação das vias secundárias e terciárias, requalificação das principais ruas e criação de espaços verdes na sede do município. O sector da Educação no município conta com 39 escolas, 35 das quais do ensino primário, duas do I ciclo do ensino secundário e uma do II ciclo do ensino secundário, que corresponde a 492 salas. Um total de 819 professores asseguram as aulas no presente ano lectivo.
Em relação ao sector da Saúde, a localidade dispõe de um hospital municipal com 102 camas, dois centros de saúde, sendo um público e outro privado, e 22 postos. Os serviços são assegurados por seis técnicos de laboratório de análises clínicas e 34 enfermeiros de vários escalões. A falta de água potável constitui também uma das preocupações das entidades locais. A população sente mais a falta do precioso líquido nos  meses de Agosto e Setembro, época em que se regista diminuição no abastecimento.
Apesar deste constrangimento, o administrador acredita em dias melhores, referindo que existe por parte da Direcção Nacional de Águas e Saneamento, do Ministério da Energia e Á­guas, um projecto de construção de um sistema de captação e distribuição de água, a partir do rio Cambongo, num percurso de 18 quilómetros.
“Estamos ansiosos que o projecto arranque, porque vai resolver um dos problemas que consideramos “crónico”  e que assola os habitantes da Vila do Úco-Seles”, disse.
Relançamento da cultura do café. As autoridades do Seles estão apostadas em relançar a agricultura e a pecuária, tendo em conta que a região possui terras propícias para desenvolver a cultura de alto rendimento.
O município do Seles foi durante a vigência do sistema colonial um dos produtores de café em grande escala. A região apresenta clima e solos que permitem apostar na cultura do bago vermelho.
O administrador João Daniel Nunes diz que existem planos para o relançamento da produção do café no Seles e acredita na adesão dos cafeicultores, porque os preços praticados são aliciantes.
O município do Seles, com uma superfície de 3.101 quilómetros quadrados, conta com uma população estimada em 120.725 mil habitantes e administrativamente divide-se por três comunas, sendo a sede e as comunas de Amboiva e da Botera.

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