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Milhares de ovos podem apodrecer

Casimiro José| Waku-Kungu

A Sociedade Aldeia Nova, gestora do antigo projecto de reintegração de ex-militares e das famílias camponesas, implantada na cidade do Wako-Kungo, município da Cela, no Kwanza-Sul, vive imensas dificuldades na comercialização dos seus produtos.

Há previsões de se produzir milhares de ovos por dia mas o grande problema é a falta de escoamento para os principais mercados da região
Fotografia: Fernando Camilo

A Sociedade Aldeia Nova, gestora do antigo projecto de reintegração de ex-militares e das famílias camponesas, implantada na cidade do Wako-Kungo, município da Cela, no Kwanza-Sul, vive imensas dificuldades na comercialização dos seus produtos.
O director geral adjunto da Aldeia Nova, Carlos Bettencourt, disse que a crise que afecta a empresa pode levar à deterioração de mais de 1,5 milhões de ovos que se encontram nos armazéns, devido à falta de mercado. 
A projecção da produção de ovos para os próximos tempos, segundo José Bettencourt, é de 250 poedeiras, que vão produzir 180 mil ovos por dia, mas há o receio de avultados prejuízos por falta de escoamento para os mercados, que se encontram inundados com os ovos importados.
Carlos Bettencourt disse que o país importa actualmente mais de 600 mil ovos por dia e a preços competitivos, condicionando a comercialização dos produtos da Aldeia Nova. “Estamos a viver uma fase difícil em termos da evacuação dos ovos produzidos na Aldeia Nova, devido à importação em grandes quantidades a preços baixos”, referiu.
Outra dificuldade apontada pelo responsável da Aldeia Nova é o custo das rações para os pintos, bem como os encargos com o fornecimento da corrente eléctrica a partir de grupos geradores. Disse que para inverter o quadro, a Aldeia Nova espera produzir, a partir de Outubro, duas mil toneladas de soja e outras cinco mil de milho. De visita à Aldeia Nova, o governador Eusébio Brito Teixeira mostrou-se particularmente preocupado com a situação e prometeu intervir junto das estruturas competentes para encontrar uma solução e evitar a deterioração de ovos. 
“Não gostei do que ouvi dos responsáveis da sociedade Aldeia Nova, porque quando uma empresa não consegue comercializar os seus produtos não consegue a sua sustentabilidade, principalmente no capítulo de apoio aos seus beneficiários”, frisou o governador. Eusébio Brito Teixeira defendeu a criação de mecanismos que salvaguardem a produção nacional, passando pela definição de políticas coerentes que protejam os produtores nacionais e salientou que não deve haver desequilíbrios entre a produção e a comercialização. A sociedade Aldeia Nova apoia 446 famílias de ex-militares, das 600 previstas, desde a concepção do projecto.

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