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Muitos milhares de crianças sem escola onde aprender

Manuel Tomás|Sumbe

Mais de 45 mil crianças em idade escolar encontram-se fora do sistema normal do ensino no Kwanza-Sul, anunciou o director provincial da Educação.

Quarenta e cinco mil crianças na província do Kwanza-Sul precisam de ser enquadradas no sistema normal de ensino e aprendizagem
Fotografia: Manuel Tomás|Sumbe

Mais de 45 mil crianças em idade escolar encontram-se fora do sistema normal do ensino no Kwanza-Sul, anunciou o director provincial da Educação.
Pedro Sabino afirmou que para suprir esta situação, o governo local, com o apoio de parceiros sociais, está a apostar no alargamento da rede escolar, com a construção de mais salas de aula no meio rural, assim como na formação de professores.
Apesar dos números ainda preocupantes, Pedro Sabino assegurou que o sector que dirige tem registado, nos últimos tempos, avanços expressivos nos domínios do ensino e aprendizagem, a julgar pelos investimentos que o Governo tem vindo a aplicar.
Explicou que, até 1977, o ensino primário na região contava com cerca de 103 mil alunos e o secundário apenas 3.500. O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia disse à nossa reportagem que neste ano lectivo prestes a terminar, 21.382 alunos foram matriculados na classe da iniciação, 221.886 no ensino primário e 20.765 no secundário. Deste universo, 13.518 petizes beneficiaram do programa de merenda escolar implementado nos municípios do Sumbe, Porto Amboim, Conda, Kassongue e Mussende.
A única escola do ensino especial da província, localizada no Sumbe, matriculou 150 alunos portadores de deficiências auditivas, mentais, visuais e transtornos de conduta, ao passo que um colégio particular na Gabela contou com 227 educandos.
 
 Mais e melhores escolas
 
O responsável da Educação frisou que as infra-estruturas escolares no ensino primário totalizam 510 escolas. O primeiro e o segundo ciclos com 21 e 13 escolas, respectivamente, o ensino técnico profissional com sete estabelecimentos, sendo três institutos médios técnicos, dois magistérios primários e duas escolas de formação de professores. No presente ano lectivo foram construídas 28 escolas para o ensino primário, 17 outras alvo de reabilitação e duas, do ensino secundário, estão em obras, nos municípios do Sumbe e Porto Amboim. 
Na província funciona igualmente um Instituto Superior de Ciências de Educação, tutelado pela Universidade Katyavala Bwila, que já graduou 786 quadros, nas especialidades de Contabilidade e Gestão, Psicologia, História, Pedagogia, Matemática e outras disciplinas.
Também funciona, desde 2007, no Sumbe, um Instituto Superior Politécnico com 49 docentes, entre angolanos e estrangeiros. No presente ano lectivo foram matriculados neste estabelecimento de ensino 700 estudantes, dos quais 180 iniciaram a defesa dos seus trabalhos de fim de curso nas especialidades de Agronomia, Zootecnia, Gestão Agrária e Contabilidade e Gestão.
 
Substituir estrangeiros por docentes nacionais

De acordo com o director provincial da Educação, o corpo docente da província é constituído por 12.146 professores nacionais, 1.997 dos quais são novos quadros admitidos à luz do concurso público efectuado no ano passado e estão a fazer a cobertura dos diferentes subsistemas de ensino implantados nas diversas áreas suburbanas da província.
Sem precisar o número de docentes estrangeiros que prestam serviço no ensino médio e superior na província, Pedro Sabino disse que é maioritariamente constituído por professores vietnamitas, brasileiros e cubanos. No entanto, adiantou que estão em curso acções no sentido de reduzir esta força de trabalho, conforme se forem formando quadros nacionais para o preenchimento dos lugares hoje ocupados por estrangeiros.
 
Reforma educativa será avaliada
 
O programa da reforma educativa, iniciado em 2004, abarcou um universo de 253.466 alunos e nos próximos anos será feita uma avaliação global de todo o sistema    de educação.
O programa de alfabetização e aceleração escolar, resultante da aprovação da estratégia integrada para a melhoria do sistema educativo implementado em Angola, conheceu nos últimos anos bons resultados. Até ao passado mês de Março, foram alfabetizados no módulo um 12.337 cidadãos dos 16.250 envolvidos no programa. Até ao final do ano prevê-se a escolarização de 24.774 cidadãos.
Pedro Sabino sublinhou que o corrente ano lectivo contou com 350 alfabetizadores no módulo 1 de adultos, 48 professores no módulo 1 para jovens, outros 132 no módulo dois e 113 no módulo três.
Durante o presente ano lectivo, a Direcção Provincial da Educação cumpriu um programa que consistiu na regularização da vida académica dos alunos que completaram a oitava classe do antigo sistema, o que possibilitou o seu enquadramento no novo sistema.
Foram ainda realizados cursos intensivos de alfabetização em seis municípios da província, cujos resultados Pedro Sabino considerou positivos, uma vez que dos 1.317 matriculados, 1.045 foram aprovados nos exames de aptidão.

Redução do analfabetismo
 
Reduzir os índices de analfabetismo, proporcionar a educação básica obrigatória a toda a população activa, com prioridade para jovens e mulheres, elevar a qualidade do ensino na classe de alfabetização e pós alfabetização e desenvolver cursos à distância, são apontados como as prioridades do sector nos próximos tempos.
Pedro Sabino salientou que vão ser celebrados protocolos e contratos vinculativos com organizações representativas da sociedade civil, de forma a estabelecer processos de cooperação e parcerias.
Constam ainda dos projectos o alargamento do acesso às creches e parques infantis, com vista a uma preparação adequada das crianças para a aquisição de habilidades e saberes que permitam a sua inserção na escola.
Até 2013 prevê-se a integração de um número cada vez maior das crianças que se encontram fora do sistema de educação, em instituições reabilitadas, reconstruídas e construídas de raiz, disse o responsável do sector, que acrescentou que também será realizado o recrutamento de mais professores.

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